A filmografia de Darren Aronofsky é bastante curiosa. Apesar de abordar temas bastante diversos, o diretor conseguiu, após cinco bons filmes, juntar um pacote autoral, algo não muito comum. Vejam, por exemplo, o cineasta de origem indiana M. Night Shyamalan, possuidor de uma vasta lista de filmes autorais, mas fortemente centrados numa linha central de pensamento. Não que o diretor nascido no Brooklyn nova-iorquino não trate de temas recorrentes, mas a capacidade de amealhar uma legião de fãs contando histórias tão díspares, a princípio, não é para muitos. Superestimado pela crítica, Cisne Negro (Black Swan/EUA/2010) consagra Aronofsky como alguém capaz de amalgamar público, prêmios e elogios, investindo em um conto essencialmente claustrofóbico e centrado na obsessão pelo perfeito.