Gavestúdio: Plágios, homenagens ou coincidências?

harpoplantSalve, traças, tacinhas e trações! Hoje vou trazer um assunto um tanto quanto polêmico: Mami… digo, plágios musicais. A cópia, proposital ou não, de um trecho de uma canção ou mesmo de uma música inteira, seja de seus arranjos (acordes e solos), melodias ou letras. A história é cheia de casos assim, especialmente nas épocas em que era muito difícil descobrir que uma determinada canção era, na verdade, um plágio. Com o advento da internet, entretanto, as “versões originais”, antes desconhecidas, começaram a vir à tona, revelando o segredo obscuro de muitos artistas e bandas acerca da origem de sua “inspiração” para algumas composições. Vamos conferir agora alguns desses casos. (Já vou avisando que o post será longo e cheio de vídeos)

A primeira dificuldade em que esbarramos ao tratar deste assunto é definir se um artista realmente plagiou outro ou se foi apenas uma coincidência não intencional. Isso é mais comum do que pode parecer, por dois principais motivos: O primeiro deles é o fato de que as escalas musicais permitem uma variação limitada de arranjos, o que inevitavelmente vai culminar em uma repetição de combinações. Isso pode ser conferido, por exemplo, neste divertido vídeo, feito pela banda “The Axis of Awesome”, em que eles mostram como é possível tocar várias canções diferentes com a mesma sequência de 4 acordes:

O segundo motivo de uma coincidência “sem querer querendo” é o grande número de artistas e bandas de todos os gêneros possíveis e imagináveis que existem no mundo, compondo milhões e milhões de canções todos os anos. Somando-se isto ao fato de haver uma gama limitada de notas que podem entrar na estrutura de uma música, muitos artistas acabam criando coisas muito semelhantes, sem nem mesmo conhecerem os trabalhos um do outro. Estes são os casos mais difíceis de se julgar, porque não há meios de provar que um artista X não conhecia o trabalho do artista Y, mesmo se suas canções forem praticamente idênticas.Por isso, vou deixar vocês, leitores, julgarem cada caso que vou listar a seguir.

Alguns casos famosos de plágios que foram comprovados, com direito a serem levados à justiça e tudo o mais, incluem nomes como Beyoncé, Madonna, Roberto Carlos, Rod Stewart, Coldplay e muitos outros. No entanto, a banda que provavelmente ganha disparada nesta lista é o Led Zeppelin. Os deuses do rock foram acusados de tantos plágios que nem caberia comentar em detalhes nesta seção, então vou apenas deixar um vídeo (dividido em 3 partes) que mostra os principais plágios reconhecidos da banda, comparando-os com suas respectivas versões originais:

Naturalmente, também existem as homenagens, que acontecem quando um artista propositalmente faz uma menção a alguém que admira, seja citando diretamente o nome ou a música do homenageado em questão, ou simplesmente pegando trechos de uma de suas composições e a transformando-os em algo novo, para destacar suas influências. Esse é o caso, por exemplo, da canção Song for Bob Dylan, de David Bowie, presente no excelente álbum Hunky Dory, de 1971. Nela, Bowie envia uma carta aberta a Dylan, expressando a importância de sua obra e como ela afetou milhões de pessoas pelo mundo. O mais curioso, no entanto, é que Bowie imita muito bem a voz de Bob, e mesmo a canção se parece muito com algo que o próprio Dylan comporia:

Agora, vamos aos casos mais delicados. O primeiro deles envolve novamente David Bowie, só que, desta vez, ele é o alvo da “coincidência”.Compare a sequência de acordes no início da canção Andy Warhol (também presente no supracitado álbum Hunky Dory) com um determinado trecho de um dos solos no meio da icônica Master of Puppets, do Metallica (presente no álbum homônimo, de 1986).

Confiram, aqui, aos 0:50:

E, aqui, aos 6:18:

Coincidência, homenagem ou plágio?

Outro caso interessante envolve as bandas Ramones e Legião Urbana, sobre uma possível homenagem feita por Renato Russo aos seus ídolos punks. É fácil perceber a semelhança entre os riffs de I don’t care (do fantástico álbum Rocket to Russia, de 1977) e Que país é esse (que, apesar de ser incluída no álbum homônimo de 1987, foi composta originalmente em 1978, quando o Renato Russo ainda fazia parte do grupo Aborto Elétrico). Confiram:

E aqui:

Parecidas, não?

Quem nunca tocou Come as You Are quando aprendia a tocar violão? A canção, imortalizada pelo Nirvana no monumental álbum Nevermind, de 1992, entretanto, foi um plágio reconhecido pelo próprio Kurt Cobain da canção Eighties, de uma ótima banda de punk dos anos 1980, chamada Killing Joke. A canção original se encontra no disco Night Time, de 1985. Confiram:

E aqui:

E nem mesmo o mestre Bob Dylan escapa a esta lista. Sua canção mais memorável, a belíssima Blowin in the Wind, lançada em 1963, teve sua melodia inspirada em uma antiga canção do século XIX, chamada No more Auction Block, que era cantada pelos escravos americanos, especialmente os libertos, que fugiam para o norte. O próprio Dylan admitiu que buscou inspiração em “Auction Block” para compor sua música, já que ambas são carregadas com o mesmo sentimento: A busca pela liberdade e pelos direitos civis. Confiram:

E aqui:

É isso aí, galera! Espero que tenham gostado do post deste mês. Não custa dizer que a intenção de apontar todos esses possíveis plágios é apenas uma curiosidade e não uma forma de depreciar a imagem das bandas citadas. Tenho uma grande admiração por todas elas. Se a polêmica em torno desses casos atrair sua atenção para a obra de algum desses artistas, isso é o que importa.

Um grande abraço e até o mês que vem!

P.H.

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4 Comentários para “Gavestúdio: Plágios, homenagens ou coincidências?”

  1. Philippe disse:

    Ótimo post. Há um caso na MPB que vai ao encontro do que aqui se diz. É sobre a música “Preta, pretinha” dos Novos Baianos, de 72. O verso “abre a porta e a janela” havia aparecido na música “Caninha Verde”, de Tonico e Tinoco, gravada bem antes. Eles mesmos comentaram algo a respeito. Mas nesse caso a dupla caipira gravava canções de uma tradição oral que pode ter inspirado os baianos. Como uma matriz comum. Ou não né. Não sei. Mas é aquilo que você falou, é muito difícil fazer uma acusação dessas.
    Eu sinceramente não me importo com isso. Gosto das duas músicas. Acho que isso pouco afeta o prazer de ouvir uma canção.

  2. Pedro H. disse:

    Valeu, Philippe!

    Interessante esse caso dos Novos Baianos com o Tonico e Tinoco, realmente não conhecia essa. Vou investigar mais a respeito. Pode ser que acabe entrando numa futura parte 2 deste artigo 🙂 e darei o crédito pela indicação, é claro.

    Um grande abraço!

    • Mega Mendigo disse:

      O caso que foi só citado o nome, o do Rod Stewart, foi uma puta sacanagem mesmo! O cara veio ao Brasil, ouviu a música do Jorge Ben e replicou na gringa. Depois jurou de pé junto que não era plágio!
      Eu não acho o cara muito confiável, pois eu lembro da Amy belle uma cantora iniciante que saiu por um breve momento em turnê com o cara. Ele havia conhecido ela num barzinho, viu que cantava pra caramba e resolveu chamar ela pra ver no que ia dar! Resultado: Hoje em dia ela continua “cantando em barzinhos para pagar as contas”, de acordo com as próprias palavras da cantora. Não digo que ele foi o culpado pela cantora não ter estourado, mas nesse mundo musical há muitos lobos em pele de cordeiro! (E só complementando, seu post ficou muito bom)

      Propaganda free: http://socialzero.com.br/musica/four-foot-shack/

  3. jonas disse:

    eo que se diz da cançao oh minas gerais interpretada por tonico e tinoco? dizem que é um plagio da cançao boliviana….ho linda la paz.
    me digam se isso é verdade mesmo.

Comenta aí, traça!

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