Gavestúdio: Para sempre Jovens, Secos e Molhados

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Salve traças, tracinhas e trações! Estou de volta, para a alegria dos que tem a sede pela descoberta e para o desespero dos que ainda acham que Los Hermanos foi a melhor coisa que já aconteceu no rock nacional (explico mais abaixo).

Hoje, como sempre, a série “Músicos que você deveria conhecer” traz duas indicações de primeira linha para quem não têm preguiça de expandir seus horizontes e se aprofundar neste vasto universo da música mundial.

Como primeira indicação de hoje, vamos direto para o Canadá! Esse fantástico país, que nos legou grandes nomes da música, como Justin Bie… digo, Rush, Leonard Cohen, Triumph (dos quais, provavelmente, falarei mais nas próximas edições), entre outros; Também é de lá que vem um certo jovem, de 60 e poucos anos, que resolveu jogar uma guitarra nas costas e ganhar o mundo fazendo o que mais amava: Rock ‘n Roll.

Estou falando do mais-que-sensacional Neil Young, um cara genial, que nunca aprendeu esse negócio de cantar apenas com a boca e que ainda teima – vejam só! – em colocar todo o coração em cada sílaba que pronuncia. De fato, se existe alguém, fora do blues negro americano, que canta mais próximo daquilo que verdadeiramente sente, este cara é o Neil.

Além de empreendedor, escritor e empresário, Young foi – e ainda é – um compositor de mão cheia, que percorreu estilos como rock, folk, country, psicodélico e, às vezes, até mesmo um pouco da música eletrônica, sempre dando um toque de mestre nos arranjos e letras. Para se ter uma ideia, sua obra é tão importante na história do rock que versões de suas músicas foram feitas por bandas dos mais diversos estilos, como Black Label Society, Type O Negative, Radiohead, Red Hot Chili Peppers, Dave Matthews Band, Johnny Cash, Pearl Jam e muitas outras.

Sua carreira conta com uma vasta e maravilhosa discografia, e é justamente toda a essa versatilidade e honestidade musical que o tornam uma figura tão fascinante, que você certamente precisa conhecer.

Suas performances ao vivo são nada menos do que sublimes. Quando ele se senta no banco e começa a tocar seu violão, todo o ambiente transborda em sentimento, como uma moeda que não é lançada, rolando de volta para você. Confira abaixo esta lindíssima versão de Old Man, do álbum “Harvest” (a canção começa aos 0:40 do vídeo):

Gostaram? Para conhecer mais a fundo a interessantíssima obra desse cara, deixo como sugestão os álbuns Everybody Knows This is Nowhere (1969), After the Gold Rush (1970) e Harvest(1972). Simplesmente imprescindíveis!

Por fim, como curiosidade: Vocês sabiam que foi o Neil Young a inspiração para a composição da clássica “Sweet Home Alabama”, do Lynyrd Skynyrd? É verdade! Procurem a letra dessa música e vocês encontrarão um trecho que diz assim:

Well I heard Mister Young sing about her… Well, I heard old Neil put her down…Well, I hope Neil Young will remember… A southern man don’t need him around anyhow

Isso aconteceu por causa de duas músicas de Neil, em que ele critica o estilo de vida do homem sulista americano (em Southern Man, do álbum “After the Gold Rush”) e depois, mais especificamente, o estado do Alabama (em Alabama, do supracitado álbum “Harvest”), acusando-os de serem atrasados e decadentes.

Como bônus, deixo a faixa Southern Man:

E na segunda indicação de hoje, voltamos, como sempre, ao território nacional. Lembram-se do que eu disse na abertura deste post, sobre Los Hermanos? Pois é, hoje vamos conhecer um grupo que faz qualquer tentativa dos Hermanos barbudos de parecerem “os salvadores da poesia na música brasileira” uma brincadeira de criança mimada (daquelas que soltam pipa na frente do ventilador, na sala do apartamento de um condomínio fechado, e têm que tomar cuidado para não quebrar nenhum vaso de flores caríssimo da mãe).

Pois é, estou falando da espetacular banda Secos & Molhados, encabeçada, na sua formação clássica, pelo trio de ouro Ney Matogrosso(vocais), João Ricardo (vocais, violão e gaita) e Gérson Conrad (violões e vocais).

Formada na década de 1970, o grupo tinha uma proposta bastante experimental para a época: a de mesclar o rock ‘n roll com o samba, mpb e até mesmo com música folclórica portuguesa, muitas vezes trazendo em suas letras versões musicadas de poemas de grandes autores como Vinícius de Moraes, Fernando Pessoa, Manoel Bandeira e tantos outros.

Seus dois primeiros discos poderiam facilmente entrar em qualquer lista de “Melhores álbuns da música brasileira”. O primeiro deles, intitulado apenas como Secos & Molhados, conta, inclusive, com o excelentíssimo baixista Willy Verdaguer, que, entre outras coisas, nos deu essa maravilhosa linha de baixo, que já vale por uma carreira inteira:

O Secos & Molhados se destaca não apenas por sua ousadia lírica e riqueza musical, mas também por suas apresentações ao vivo. Fantasiados com roupas extravagantes e maquiagens ousadas, o grupo não fazia feio em cima do palco, e fascinava até mesmo a mais impassível plateia, especialmente por conta de seu vocalista Ney Matogrosso, que é um espetáculo por si só. Imagine a reação do público ao ver esta cena acontecer diante de seus olhos, em meados dos anos 1970, no Brasil:

Como indicação, sugiro os dois primeiros álbuns da banda, que são os únicos que contam com os vocais de Ney Matogrosso. São eles: Secos & Molhados (1973) e Secos & Molhados II (1974)

Bom, galera, essas são as indicações desta edição da série “Músicos que você deveria conhecer”, que passará a ser publicada mensalmente, a partir de agora, aqui no blog Gaveteiro. Espero que tenham gostado! Mês que vem eu volto, trazendo mais sugestões para ajudá-los a desbravar este imenso e rico universo da música mundial.

Um grande abraço e até a próxima!

P.H.

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