Gavestúdio: O charme e a voz das mulheres da música

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Salve traças, tracinhas e trações! Estamos próximos do carnaval e se você, como eu, também não vê a menor graça nessa festa, e muito menos no tipo de música que a acompanha, então chegue mais, que eu tenho uma alternativa para lhe mostrar. Hoje vamos fugir dos sambas-enredo e dos “hits” do verão para voltar à boa e velha música atemporal, aquela que ainda consegue soar fresquinha mesmo depois de décadas de existência, ultrapassando gerações e fronteiras.

Como eu havia dito no post do mês passado, nos últimos tempos eu tenho me dedicado a conhecer muito material novo, especialmente daqueles artistas ou estilos musicais contra os quais eu nutria algum tipo de preconceito, e venho me surpreendendo positivamente cada vez mais. Um desses casos felizes foi a descoberta recente da carreira de algumas cantoras, de gêneros diversos, desde Billie Holliday até Ângela Rô Rô.

Devo confessar que eu não gostava muito da voz feminina ao microfone, talvez pelo meu histórico com a música pesada, na qual as mulheres geralmente não têm tanto espaço para cantar. Por isso, não achava os timbres delas tão poderosos quanto os da voz masculina, dominante no rock e no metal. Tente imaginar, por exemplo, um Black Sabbath ou Led Zeppelin com uma mulher nos vocais. Pois é…

Felizmente, esse meu preconceito bobo passou no momento em que eu tive contato com algumas grandes vozes femininas do jazz e da mpb, e aprendi a separar as coisas. Existe uma química diferente neste tipo de voz suave, que convida a mergulhar mais profundamente na música, transformando-a em um momento quase meditativo. Se for essa a tranquilidade que você busca neste carnaval, então com certeza vai gostar das indicações a seguir.

A primeira artista de hoje é oriunda da música gospel, mas ficou mundialmente conhecida no jazz e no soul, tendo recebido o título de “A rainha do soul” ou simplesmente “Lady Soul”. Ela é a cantora preferida do eterno vocalista do Queen, Freddie Mercury, e é, na minha modesta opinião, uma das vozes mais bonitas já registradas. Estou falando da brilhante Aretha Franklin.

Nascida em 1942, na cidade de Memphis–a mesma onde foi assassinado Martin Luther King Jr. 26 anos depois – e na ativa até hoje, Aretha já vendeu mais de 70 milhões de discos em todo o mundo, sendo a artista feminina de maior sucesso comercial da história, tendo inclusive entrado para o Rock and Roll Hall of Fame em 1987. Sua música e sua voz influenciaram diversas gerações de cantoras, sendo o exemplo mais recente a própria Amy Winehouse (ouça as duas e você vai reparar a grande semelhança no jeito de cantar). Mas apenas palavras não bastam para descrevê-la, então pegue um copo da sua bebida preferida e desfrute:

Para começar a curtir o som dela, recomendo o álbum After Hours (1987), em que Aretha interpreta alguns grandes sucessos ao piano. Ideal para se ouvir acompanhado de um bom whisky.

A segunda indicação de hoje vem diretamente das Minas Gerais, embora tenha começado sua carreira artística no Rio de Janeiro, ainda nos anos 1960. Nascida na terra do samba e da bossa nova, Rosa Marya Colin (mais conhecida como Rosa Maria), no entanto, ganhou fama internacional como cantora de blues, spiritual, pop e, principalmente, jazz.

Seu maior sucesso veio nos anos 1980, quando interpretou uma versão de California Dreamin – do The Mamas and the Papas – para um comercial de televisão americana. A partir daí, ela não parou mais, e gravou versões de Elvis Presley, The Doors, Beatles e muitos mais. E é justamente essa fase, cantando clássicos em inglês, que venho lhes mostrar hoje. Confiram:

Esta belíssima interpretação de Summertime, transmitida pela TV Cultura, prova que existe sim música brasileira de qualidade na televisão, basta saber procurá-la. Ouça até o final e lamente por aqueles que acham a Maria Gadu o máximo:

Como recomendação da Rosa Maria, indico a coletânea feita pela Millenium em 2002, que reúne o melhor dessa fase internacional dela. Imperdível!

É isso aí, pessoal. Espero que tenham gostado das indicações deste mês, pensadas especialmente para quem quer fugir do carnaval em grande estilo.

Um grande abraço a todos, boas festas e até a próxima!

P.H.

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1 Comentário para “Gavestúdio: O charme e a voz das mulheres da música”

  1. Aretha Franklin tem uma voz realmente espetacular. Coisa para aquela lista seleta de dez ou quinze melhores de todos os tempos. Mas Rosa Maria foi realmente uma surpresa agradável. Desconhecia seu trabalho e gostei bastante. Quanto ao Carnaval, me lembro dos retiros musicais que fazíamos para escapar, à base de rock, da festa de momo… Bons tempos.

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