Gavestúdio: Nossos ídolos ainda são os mesmos…

Salve traças, tracinhas e trações! Bem-vindos a mais uma edição da série “Músicos que você deveria conhecer”, que hoje já começa com uma pergunta: O que os seus pais ouviam quando tinham a sua idade?

disco-vinil

Eu comecei a me perguntar isso quando, alguns anos atrás, minha avó me surpreendeu ao me dar um magnífico disco de vinil do Queen, uma de minhas bandas preferidas. Até então, eu sequer tinha uma vitrola e nem imaginava que me tornaria um ávido colecionador de vinis. O que me chamou a atenção, no entanto, foi quando ela disse que aquele disco havia pertencido à minha mãe quando ela tinha a minha idade (mais ou menos 19 anos na época) e que, mais que isso, havia muitos outros discos dela abandonados há muito tempo na velha garagem da casa da minha avó. Não perdi tempo e corri para lá! Quando cheguei, fiquei maravilhado. Não deu outra: acabei herdando toda a coleção de minha mãe, que minha avó detestava e que, se eu não pegasse, ela ia mandar para o lixo maravilhas como Beatles, Chico Buarque, Caetano Veloso, Bruce Springsteen, Cazuza e muitos outros. E foi nesse dia que minha cabeça se abriu e eu passei a entender melhor o som que a dona Cláudia curtia quando era mais jovem (especialmente antes de eu nascer).

Até então, eu sempre achei que minha mãe só ouvia coisas como Cássia Eller, Araketu e Zeca Pagodinho, pois é o que eu me lembro de ter escutado com grande frequência na infância, quando ela colocava para tocar os cd’s dessa galera no carro e no som lá de casa. Hoje percebo que, no fim das contas, não somos tão diferentes quanto eu supunha, já que eu curto quase tudo que ela adorava quando tinha a minha idade. Minha mãe curtia Queen, cara!

Deixo então, como recomendação a cada um de vocês, uma pesquisa nos discos preferidos de seus pais, especialmente os mais antigos. Tenho certeza de que vocês vão encontrar muita coisa boa e se surpreender positivamente. Depois desse breve histórico de um episódio da minha vida que foi marcante para mim, vocês já devem imaginar que as recomendações de hoje serão sobre artistas que nossos pais provavelmente curtiram na juventude e para os quais nós torcemos o nariz, considerando ingenuamente como “música de velho”. Veremos porque essas obras sobreviveram por tanto tempo e como ainda são melhores que mais de 90% do que é feito atualmente.

A primeira indicação do dia é um “senhor” pianista e compositor de imenso carisma e talento, que já se embrenhou pelos caminhos tortuosos do rock, do pop, do blues e do jazz, percorrendo uma famosa estrada de tijolos amarelos, onde os cães da sociedade ladram. Ele é conhecido por muitos nomes: O homem-foguete, o mago do Pinball, Bennie and the Jets e outros. Direto da Inglaterra para o mundo, senhoras e senhores, não deixem o sol se por sobre sir Elton John:

E para quem acha que esse tiozão só compôs coisas românticas e melosas, esta próxima canção é um tapa na cara. Com uma temática extremamente densa (e tensa), e uma execução brilhante, John assume o eu-lírico de um veterano de guerra deprimido pela perda de seus melhores amigos, que se torna um alcóolatra ao voltar para casa e ainda é considerado “louco” por seus conterrâneos (confiram a letra na íntegra na descrição do vídeo):

E esse é o porquê de chamarem isso de blues.

Gostaram? Se quiserem conhecer mais da vasta obra do Elton, deixo como sugestão o excelente álbum “Goodbye Yellow Brick Road”, de 1973, e a sensacional coletânea “Greatest Hits 1970 – 2002”.

O segundo sujeito de hoje cai como uma luva ao tema deste post. Ele é um famoso rapaz latino-americano, cheio de saudades e sonhos, que nos ensinou que precisamos todos rejuvenescer:

As composições de Belchior (outro cara que conheci através de minha mãe) são repletas de referências literárias e musicais, como no trecho: “Nunca mais meu pai falou ‘She’s leaving home’ e meteu o pé na estrada, ‘Like a Rolling Stone’” (referências a uma canção dos Beatles e a uma do Bob Dylan, respectivamente). De grande inteligência e cultura – e uma dose de pessimismo – elas nos instigam a nunca abandonar essa busca e energia que temos na juventude.

Também é dele a famosa canção “Como nossos pais” – regravada depois pela Elis Regina – da qual retirei, de um dos versos, o título deste post.

Para quem se interessar, indico os álbuns “Alucinação”, de 1976 , e “Um concerto a Palo Seco”, de 1996 (uma releitura feita por ele mesmo de seus clássicos do passado, de onde saíram as versões das canções apresentadas acima).

Nada mal para músicas “de velho”, hein?

E como neste mês é aniversário da minha mãe, que nasceu no dia dos professores (15/10), dedico este post à minha maior professora: A dona Cláudia, de quem herdei, entre outras coisas, o bom gosto musical. Um grande beijo para ela e um grande abraço para vocês.

 P.H.

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1 Comentário para “Gavestúdio: Nossos ídolos ainda são os mesmos…”

  1. Ulisses Dias disse:

    Cara, que legal esse post! Eu tava zapeando pela internet e acabei parando aqui. Gostei muito! Eu realmente esperava que minha mãe me surpreendesse positivamente assim. Anyway, eu e meus colegas gravamos um podcast sobre esse assunto essa semana, que pode te interessar ouvir. O Link é http://apenas1cast.blogspot.com.br/2016/01/o-som-que-nossos-pais-curtiam-34.html#more . Abraços

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