Gavestúdio: Explorações, descobertas e afins

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Salve traças, tracinhas e trações! Bem-vindos à primeira edição de 2014 da série “Músicos que você deveria conhecer”, que está trazendo algumas descobertas interessantes que fiz recentemente. É, meus amigos, o ano mal começou e parece que muita coisa já aconteceu comigo, especialmente em termos de música. Então resolvi que hoje vou falar um pouco sobre isso.

Como estou de férias, tenho a impressão que faz bem mais de um mês desde nosso último encontro, no qual indiquei algumas músicas natalinas para alegrar suas comemorações de fim de ano. De lá para cá, posso dizer que, apenas nesse breve intervalo, conheci mais artistas do que em quase todo o ano passado (e olha que ano passado eu conheci muita coisa). Como? Bem, junte um tédio monumental a um bom acervo musical para ser explorado, mais algumas boas indicações de amigos, e inevitavelmente você acaba conhecendo um monte de coisas interessantes.

Felizmente, como eu já disse aqui em outro post, eu tenho a sorte de ter uma mãe com ótimo gosto musical e uma coleção invejável de discos. Aproveitando minha temporada de férias na casa da família, resolvi dar uma explorada neste vasto universo empoeirado das estantes onde estão guardados os cds dela, para conhecer um pouco mais de jazz, tango, samba, reggae e mpb, que ela adora. Dediquei algum tempo a organizar todo o acervo, porque o armário estava uma imensa bagunça. Enquanto fazia isso, aproveitei para dar uma vasculhada nesse material, tentando ouvir ao menos um cd novo por dia. O resultado dessa experiência? Explosões mentais múltiplas (e um armário de cds todo organizado). Por mais otimista que eu estivesse com relação ao que iria encontrar, minhas expectativas foram superadas de longe e acabei descobrindo coisas fantásticas, que jamais imaginei que ouviria.

Além disso, também foi graças a várias indicações de amigos meus, sobre “bandas que eu deveria conhecer”, que posso dizer que há muitos anos eu não descobria tanta coisa fascinante, em tão pouco tempo, quanto neste último mês. Foi um verdadeiro retiro musical, no qual fui “bombardeado” com todo tipo de artistas e estilos (para se ter uma ideia, enquanto escrevia este texto escutei um “ao vivo” do Reginaldo Rossi e os dois primeiros álbuns da Norah Jones). Agora, nada mais justo do que trazer algumas dessas pérolas para mostrar a vocês.

A primeira indicação de hoje me foi sugerida pelo meu amigo Lauro Bastos, que vocês devem conhecer de alguns gavestáticas que ele participou aqui no site. Devo confessar que estava um tanto cético quando ele me falou acerca de uma banda de metal progressivo sueca chamada Pain of Salvation, famosa por seus vários álbuns conceituais, nos quais os caras misturam blues, jazz, folk e mais um monte de gêneros para compor uma história ou conceito que serão contados ao longo do disco. Admito que nunca fui um grande fã de Prog Metal, à exceção do Rush, que é uma das minhas bandas preferidas. Quando fui escutar o PoS, entretanto, minha cabeça explodiu (e voltou e explodiu de novo). Que som interessante! Que álbuns sensacionais!

Em meio a uma discografia repleta de grandiosidades musicais, existe um álbum deles, em particular, chamado Be, de 2004, cuja proposta é nada menos do que percorrer os recônditos da existência humana, abordando temas como fé, adoração, questionamentos, dinheiro, vazio interior e muito mais. Em um certo sentido, pode-se dizer que esta é a versão prog metal para o Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. Para se ter uma ideia, uma das muitas curiosidades por trás desse disco (Be) é que a banda chegou a criar uma linha de telefone de verdade, para que os fãs pudessem ligar e “deixar uma mensagem para Deus”. Ao ligar para o número, os fãs não ouviam nada além do silêncio, mas tudo o que diziam era gravado. A partir de uma compilação de diversas mensagens recebidas, de otimismo, esperança ou desespero profundo, a música Vocari Dei, presente no Be, foi composta.

Se isto não for uma obra prima, então eu não sei mais o que é:

O álbum faz uma mistura muito bem dosada de diversos estilos, como o folk, o blues, música instrumental em piano e muito mais, o que torna a experiência de sua audição algo extremamente heterogêneo, embora muito coeso, que faz cada faixa ser única e, ao mesmo tempo, parte de um todo que funciona como um relógio.

Para quem se interessar, além do Be, recomendo os álbuns The Perfect Element Part 1 (2001) e Remedy Lane (2002).

A seguir, uma das descobertas que fiz nas estantes empoeiradas do armário da minha mãe, que conta com um farto material de música brasileira: O disco Músicas para tocar em elevador(1997), do Jorge Ben Jor. Um álbum tão interessante que vale a pena por si só.

Nesse trabalho, Jorge revisita algumas de suas próprias composições, regravando-as com a parceria de nomes de peso, como o Barão Vermelho, Skank, Nação Zumbi, Fernanda Abreu, Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso e muitos outros. Cada canção tem um toque particular dos artistas convidados, o que torna o álbum uma verdadeira aula sobre o som de cada um deles. Em suma, Músicas para tocar em elevador é como um grande caldeirão, onde se encontram misturados diversos estilos em timbres brilhantes. Imperdível:

Faixa com o Barão Vermelho:

Especial destaque para os bons arranjos, letras bem construídas e uma combinação de instrumentos que funcionou muito bem em todo o disco. A seguir, uma parceria com o Funk N Lata:

É isso aí pessoal. Essa minha recente experiência só confirma o que eu já havia dito aqui antes: Existe um mundo fascinante escondido nos discos que nossos pais ouviam. Cabe a você decidir se vai deixar seu preconceito de lado e conhecê-lo ou se vai morrer achando que seus pais não tinham bom gosto musical (se for o caso). Espero que tenham gostado.

Um grande abraço e até a próxima!

P.H.

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4 Comentários para “Gavestúdio: Explorações, descobertas e afins”

  1. Muito interessante, Pedro. Como já falamos pelo Facebook, acho “Be” um disco relevante não apenas para o prog metal, como para o heavy metal como um todo. Um disco que estaria em minha lista de 10 ou 15 melhores de todos os tempos, certamente. Quanto à sua experiência com os discos de sua mãe, acredito que ter essa oportunidade seja algo realmente fantástico. Lamento profundamente o fato de ter sido criado longe do meu pai e que sua namorada na época da morte tenha dado fim aos discos que reuniu em vida. Lembro-me de, ainda criança, ouvir, junto dele, Nat King Cole, Louis Armstrong e Serge Gainsbourg. Hoje, posso apenas imaginar o que mais havia naquela pilha de vinis.

  2. Jean Marinho disse:

    Gostei bastantes das musicas, o chato é que é uma pena muitas bandas boas não terem midia

  3. Pedro H. disse:

    Pois é Marcos, essa experiência foi muito boa tanto para descobrir sons novos, quanto para descobrir mais sobre minha própria mãe. É legal ver que nós temos tantos gostos em comum, quando eu sempre achara o contrário. Você pode não ter tido essa sorte, mas ao menos ele te colocava pra ouvir música boa quando era criança, coisa que comigo aconteceu muito pouco (por isso eu achei que minha mãe tinha gostos tão diferentes dos meus).

    E Jean, realmente, isto é algo que me incomoda bastante também. Por isso o intuito desta coluna é dar um pouco de destaque para esses grandes artistas, que infelizmente não têm lugar na grande mídia. Eu tento, dentro das minhas limitações, levá-los ao maior público que puder 🙂

    • É interessante, isso, de redescobrir essas pessoas tão próximas, e às vezes, tão distante de nós. Somos de outra geração, mas o que é imortal perpassa os anos. Música boa, literatura boa, cinema bom, não tem idade. Nós, às vezes, pensamos gostar de algo diferente por que não tivemos tempo ou maturidade para ouvir aquilo que eles gostam. Quando isso tudo casa, vemos que não tem como não gostar.

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