Gavestúdio: A alma de Coltrane e o novo Chorare

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Fala galera, tudo certo? Esta é mais uma edição da série “Músicos que você deveria conhecer”, que vou apresentar aqui no Gaveteiro. Para quem não se lembra, nesta série trarei algumas indicações de grandes artistas que ficaram um tanto apagados no tempo, mas que nos legaram obras fantásticas, que valem a pena serem resgatadas.

Decidi, ao menos provisoriamente, manter o formato original de indicações. Ou seja, o de apresentar dois artistas por edição – sendo um internacional e outro nacional – trazendo algumas de suas canções e indicando álbuns para quem quiser se aprofundar em suas obras.

Também buscarei ser o mais eclético possível, apresentando estilos dos mais diversos, mas sempre mantendo um nível que considero bom. O critério de seleção, como sempre, é a minha cabeça.

Bom, então chega de papo e vamos começar!

O primeiro artista de hoje é um cara muito conhecido pelos amantes do Jazz, mas pouco ouvido pelo público mais jovem, o que é uma pena, dado a consistência e grandiosidade de sua obra. Estou falando do brilhante John Coltrane (1926-1967), um dos músicos mais influentes do gênero e que foi, junto com o também genial Charlie Parker, considerado um dos saxofonistas mais revolucionários da história da música mundial.

John era entusiasta do movimento chamado “free-jazz”, que buscava romper as convenções de gêneros consagrados, como o bebop e o “cool jazz” (feito pelos brancos), e dar ênfase às quebras rítmicas, ao improviso e ao experimentalismo. Apesar de não ter sido criador desse movimento, suas composições foram de grande inspiração para os músicos dessa vertente.

[ATUALIZAÇÃO] Falha minha, galera: Como me foi apontado pelo meu amigo Juliano Ferreira, um profundo conhecedor de música, o Cool Jazz não era feito pelos brancos, mas sim pelo grande Miles Davis. O estilo que era feito pelos brancos é o Dixieland. Sobre o Free Jazz, sua característica principal era o experimentalismo e a improvisação coletiva. Embora esse estilo contasse com as quebras rítmicas que mencionei, isso não era uma novidade, uma vez que elas já estavam presentes na proposta do Bebop, não sendo, neste aspecto, um rompimento do Free jazz com esse gênero consagrado. Por fim, Juliano indica o álbum “Love Supreme”, do Coltrane, como sendo o seu mais representativo.

Muito obrigado pelas correções, Juliano. Um grande abraço!

Para quem tiver interesse em adentrar a obra do cara, sugiro começar pela deliciosa coletânea “The Very Best of John Coltrane”, lançada em 2000, e pelo maravilhoso álbum “Soultrane”, de 1958.

Voltando agora ao território tupiniquim, chegamos à Bahia, terra mais conhecida por sua forte cultura de origem africana, que se apresenta nos temperos apimentados, nos ritmos de batucada e nas formas de religião. Para muitos brasileiros, ela é terra do axé e de outros estilos bastante duvidosos. No entanto, a verdade é que a Bahia contribuiu e ainda contribui imensamente para a nossa música, sendo berço de grandes nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Raul Seixas e vários outros. Também foi nesse lugar extremamente subestimado que surgiu uma das bandas mais interessantes do cenário nacional: os Novos Baianos, que lhes trago hoje.

Mesclando com maestria diversos ritmos brasileiros como o choro, o baião e a bossa nova com o rock psicodélico, este grupo – que contou com o talentoso guitarrista Pepeu Gomes – fazia um som extremamente interessante, que mesmo décadas depois ainda consegue surpreender, de forma positiva, até o mais pessimista ouvinte da música nacional (sabe aquele cara chato, que tem por princípio que “música brasileira é ruim” sem nem se dar ao trabalho de conhecê-la um pouco mais a fundo? [Nota do Aiken: Tipo eu?] Pois é, esse aí).

Para dar uma idéia do que foi o som desses caras, deixo como indicação o mais-que-excelente álbum “Acabou Chorare” de 1972, eleito um dos maiores discos da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil. Sem mais.

É isso aí, pessoal. Não se esqueçam de deixar seus comentários aqui embaixo com críticas, elogios, sugestões e/ou impropérios. Se quiserem me indicar algum álbum interessante, que vocês acham que vale uma resenha, ficarei feliz em conhecê-lo.

No mais, um grande abraço e até a próxima!

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3 Comentários para “Gavestúdio: A alma de Coltrane e o novo Chorare”

  1. VAOCoR disse:

    Dois excelentes nomes da música, cada um em seu estilo, mesmo assim fenomenais. Sou muito mais chegado ao som do Coltrane, o jazz pra mim é o ponto máximo da música, mesmo eu tendo escutado mais Novos Baianos ultimamente. Tá ficando muito boa sua Gaveta aqui Pedrão! Continue o bom trabalho e com seu bom gosto musical.

  2. Pedro H. disse:

    Muito obrigado, meu amigo!

    Espero continuar trazendo ótimas indicações. Fico feliz que esteja curtindo.

    Abração!

  3. André disse:

    Mistério do Planeta é uma das músicas mais lindas que existem… A letra é uma poesia de ponta e o mais belo é a melodia… Muito foda.

    Gosto de “guitarrada” dos novos baianos.

    Curto muito essa galera, novos baianos, tom zé, etc.

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