Tomo da Traça: Um Estudo em Vermelho

Todo mundo já ouviu falar de Sherlock Holmes. Foram mais de 100 (isso mesmo, cem) filmes com o personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle. Em dezembro, estreará Sherlock Holmes 2 (da nova geração, claro). Um dos livros mais traduzidos de todos os tempos, definitivamente um dos maiores clássicos da literatura mundial. Quantos de vocês já leram um de seus livros? Em uma recente conversa com nosso querido Flyfish, falávamos justamente sobre isso. Eu mesmo, tinha lido somente quatro livros que saíram pela Martin Claret, daqueles de bolso. Porém, nunca tinha lido a primeira história, Um Estudo em Vermelho, que agora apresento a vocês!

As aventuras (exceto 4 de 60) de nosso herói são recordadas por seu grande amigo Dr. Watson, que aparece em todas as histórias escritas por Doyle. No primeiro dos quatro romances, Watson conta sua breve passagem pelo exército, e, estando de volta a Londres, a busca por  um “quarto confortável por um preço razoável”. Ele acaba por descobrir seu futuro companheiro de aventuras, Holmes, que estava procurando a mesma coisa. E assim começa uma das maiores parcerias de todos os tempos, no número 221b, da Baker Street.

Logo ao se conhecerem, as duas mais brilhantes habilidades de Holmes são apresentadas: observação e dedução (ou indução, talvez). E logo ali o livro te prende, ou prenderia, se você estivesse lendo sem saber a história, ou as qualidades do arrogante protagonista. Uma pessoa extremamente fechada, que prefere a excitação mental a qualquer outra coisa, e faz de tudo para conseguí-la. E, na ausência de casos extremamente complicados, que nem mesmo a Scotland Yard consegue resolver, ele, inclusive, usa drogas (como a cocaína). Contudo, com o decorrer dos romances e contos, Watson, que, como o Dr. indica é médico, consegue convencê-lo a largar as drogas.

Uma breve sinopse poderia ser: o incansável Lestrade, ao se deparar com um homicídio que não conseguia resolver com seus companheiros da Scotland Yard, vai procurar o amador Sherlock Holmes (a quem se refere como “detetive consultor”, posteriormente). Ele rapidamente resolve o caso, mas é bem engraçado como Lestrade e seus companheiros erram fragorosamente em cada parte da investigação. Ao final, obviamente, o assassino é revelado por Holmes. Abismados, pedem a Sherlock para lhes contar como desvendou o caso. Com seu poder de observação sobrenatural e seu conhecimento absurdo sobre tudo que pode ajudar num caso de polícia (e nas raras vezes que ele não sabe, Watson sabe), juntos lhe deram margem para deduzir quase tudo.

Gostei muito do livro, e não é à toa que fez tanto sucesso em sua época, e faz até hoje. Não é perfeito, sempre acho que tem coisa muito forçada e que as deduções são muito mais induzidas que outra coisa. Mas, é um clássico, e quem gosta de romances policiais não pode perder. Ele foca muito mais a criminalística forense do que a psicológica, como no caso de Agatha Christie (que eu não suporto). Desse estilo, meu livro favorito é: A Lista dos Sete, de Mark Frost, um grande tributo a Holmes e Doyle. Alex Kava também é bom. Dos famosos antigos, como Allan Poe e Auguste Dupin, eu nunca li. O atual mestre dos casos impossíveis é Robert Langdon, apesar de ser um mero professor universitário. Anjos e Demônios é o melhor, Código Da Vinci é fraco e o Símbolo Perdido – que já apareceu aqui no Tomo – peca muito no fim, mas 97% do livro é inacreditavelmente excelente, melhor inclusive que o primeiro. As histórias de Holmes são curtas, inclusive os romances, o que faz com que elas sejam bem mais objetivas, sem as várias mudanças, reviravoltas e revelações espaçadas como nos livros de Brown.

Algumas curiosidades: vários lugares importantes na história de Holmes são hoje pontos turísticos, como o 221b, que abriga um museu dedicado ao maior detetive fictício de todos os tempos, ou as cataratas Reichenbach, onde Sherlock teria “morrido”. A frase: “Elementar, meu caro Watson.” nunca apareceu em nenhuma das 60 histórias originais, em algumas traduções e adaptações sim, e no primeiro filme com som de Holmes (dos mais de 100!), e daí em diante centenas de vezes.

Alguma sugestão para um próximo Tomo? Só colocar aí nos comentários, juntamente com suas impressões, comentários e críticas!

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3 Comentários para “Tomo da Traça: Um Estudo em Vermelho”

  1. Raphael Redfield disse:

    Poxa sempre tive vontade de ler, fica na minha lista de 1001 livros para ler antes de morrer. Não sabia desse passado obscuro do Holmes, muito bacana isso, não sei o porque o Batman me recorda o Holmes, como detetive claro.

    Bacana, agora fiquei com vontade de ler, vou procurar pra comprar…rs

    Poxa não acredito que a frase não esta em nenhum livro, eu gosto tanto dela..rs

  2. Hatake Diogo disse:

    Eu lembro quando em Wishbone, seriado antiigo que passava na Tv Cultura onde um cachorro era o personagem principal que gostava de literatura, num dos episódios abordam o ”redundante” O Cão dos Baskerville.
    Tenho a coleção completa dos livros da Melhoramentos, e em busca do tomo único com tudo escrito pelo Conan Doyle sobre, dentre os autores atuais que já escreveram usando o personagem temos Neil Gaiman, autor de Sandman e 1602.

    Muito bom o texto, excetuando uns erros de escrita ou concordância.

    Abraço

    • Lucas disse:

      Não sei por que diabos não escrevi no post, mas existe uma edição da Wordsworth Editions com todos os textos originais, que eu lembro que comprei na saraiva por não mais que 30 reais.
      Existem dezenas de autores atuais que usam ou usaram o personagem, dentre eles até Jô Soares, hahaha. Mas interessante você citar o Neil, que é uma figura conhecida lá fora por seus livros de fantasia, que aqui no brasil são uma fortuna, e que aqui é mais conhecido por Stardust, por causa do filme.

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