Tomo da Traça: Steelheart, de Brandon Sanderson

SteelheartImagine um planeta Terra no qual seres humanos normais subitamente se descobrem possuidores de superpoderes como o dos personagens de quadrinhos. Capazes de feitos incríveis de força, velocidade e resistência, habilidades mentais ou ilusórias, controle de energia ou da escuridão… Uma proposta bem comum em histórias de super-heróis. No entanto, imagine que absolutamente todas essas pessoas são seres humanos horríveis. Mesquinhos, cruéis, egoístas, simplesmente sem qualquer moralidade ou ética que os impeça de usar os seus poderes para propósitos destrutivos. Esse é o cenário de Steelheart, novo livro de Brandon Sanderson.

Sanderson é um dos meus autores favoritos e eu já escrevi sobre ele aqui no passado. Previamente conhecido por seus livros de fantasia sombria e mais adulta, Steelheart representa uma nova investida em direção ao público jovem e sua primeira novela voltada para o gênero dos super-heróis. E ele definitivamente se mostra tão à vontade nessas paragens quanto em seu estilo urban-dark-fantasy tradicional.

Nessa história, nós acompanhamos a vida de David, um rapaz cujo pai foi assassinado pelo “Super-homem” desse universo, o épico (como são chamados os supers) que dá nome ao livro. Steelheart é incrivelmente forte, voa, dispara rajadas de energia pelas mãos e é completamente invulnerável a qualquer tipo de violência. No entanto, no dia em que seu pai foi morto, David viu Steelheart sangrar. Armado com esse conhecimento, ele vai em busca dos Reckoners, um grupo de humanos normais que jurou assassinar todo e qualquer épico do planeta.

Aqui não existem heróis. Mesmo os protagonistas apresentam falhas de caráter e não podem ser facilmente descritos em suas motivações, uma das grandes características que tornam Brandon Sanderson tão aclamado. Apesar de ser mais leve do que outras de suas obras, em especial quando comparado com os livros da série Mistborn que eu eventualmente trarei para esta coluna, Steelheart ainda apresenta maturidade na representação da violência e da moralidade (ou falta dela) de seus personagens. As reviravoltas do roteiro, outra característica do autor, também estão presentes em menor intensidade.

David se mostra um personagem falho, mas ainda assim compreensível. O cenário de Newcago, a Chicago dominada por Steelheart e seus asseclas, é interessante e bem pensado além de gerar questionamentos interessantes para as sequências. Aliás, sequências já anunciadas, começando com Firefight em 2014. Minha única reclamação é com relação aos personagens secundários, um tanto bidimensionais e clichês.

Acredito que o maior ponto positivo do livro é a apresentação de um cenário exótico, que distorce o que normalmente esperamos de uma história de super-humanos. Ao invés de um presente cheio de esperança e maravilhas, somos jogados em um futuro pós-apocalíptico em que o próprio governo dos Estados Unidos se rende ao épicos e toda ordem social é desintegrada.

Tenho que admitir que é difícil ser imparcial com um livro de Brandon Sanderson, considerando que eu o considero o meu autor favorito inclusive quando comparado a grandes nomes como George Martin ou Tolkien. Steelheart definitivamente não é sua melhor obra e o fato de ser voltado para um público mais jovem definitivamente cobra um preço em qualidade e profundidade. No entanto, se você gosta de quadrinhos ou histórias com super-humanos, vale muito à pena conferir Steelheart.

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6 Comentários para “Tomo da Traça: Steelheart, de Brandon Sanderson”

  1. Sergio disse:

    Aiken, esse livro ja saiu em português?

  2. Olá Aiken,

    Excelente a sua resenha.
    Me animou a ler os três primeiros livros da série Mistborn to próprio Sanderson que tenho aqui paradas (li as primeiras página e gostei muito, mas sabe como é, prioridades … ).

    Se puder deixar minha dica leia: a série Ender’s Game ( O jogo do exterminador no Brasil ), de Orson Scott Card. Vai sair um filme do primeiro livro no final desse ano e vai valer a pena ler antes.
    O primeiro livro desta séria é um marco em histórias de ficção-científica com pano de fundo Militar. Os outros livros da série, são cinco no total (fora os spin-offs), fogem do estilo mas também são muito bons e trazem argumentos muito coerentes (apesar de todo o fundo de fantasia ).
    Abraços e aguardo cada vez mais resenhas …

    Outra coisa quando sai um Gavestática ?

    • Aiken Frost disse:

      Cara, leia Mistborn sim. Pra mim são, até hoje, os melhores livros que li.

      Quanto à série Ender’s Game, eu me interessei bastante pelo pouco que ouvi falar até hoje. O problema é conseguir enfiar mais livro na fila que já está gigantesca… Sério, acho que tem livro que eu peguei cinco anos atrás que eu ainda não li. =p

      O sobre o próximo Gavestática, se eu não estiver enganado, deve sair dia 29.

  3. Leonardo Santos Corrêa disse:

    Parece um bom livro,mas não achei uma versão traduzida dele,ela existe?

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