Tomo da Traça: O Guia do Mochileiro das Galáxias

No meu primeiro post eu disse que um dos motivos para eu ter escolhido O Nome do Vento como o livro da minha primeira resenha aqui, no Gaveteiro, foi porque ele era um dos melhores livros – na minha opinião – que a Sextante já publicou. Quem leu provavelmente achou que era algo avulso, colocado só pra contar mais um motivo, afinal eu não teria muitos além de “porque eu gostei” e  “porque eu quero”, e também para enrolar. Talvez tenha sido, talvez não. Quem sabe? Deus sabe. Se ele existir. Quem sabe se ele existe? Provavelmente o homem que rege o universo. O Anderson sabe. Porém, para o meu crédito, eu realmente já li muitos outros livros publicados pela Sextante, e agora falarei de uma série inacreditável, inconcebível, maravilhosa, explicativa, sarcástica, satírica e – PRINCIPALMENTE – inefável. Entenderam? Tenho o enorme prazer de lhes apresentar O Guia do Mochileiro das Galáxias, do meu autor e pessoa favorita, Douglas Adams.

Primeiramente, se vocês viram o filme e não gostaram, não tomem o livro pelo filme, é completamente diferente. Segundamente, não tem segundamente, até porque essa palavra não existe.

Não entre em pânico.

A primeira coisa a dizer dessa trilogia de 4 ou 5 livros (dependendo do seu ponto de vista, que é à vista de um determinado ponto) é que, como a maioria dos filmes e livros de ficção científica, ela parodia a nossa sociedade. A Folha de São Paulo diria que Douglas Adams ridiculariza a nossa sociedade, eu digo que não, digo que ele mostra como ela é ridícula. Juntamente com isso lhes apresento, para quem já não conhece, o conceito da batalha das palavras, que me permito chamar de A Grande Guerra das palavras, pois é muito mais do que só uma batalha.

Pois bem, hoje, quando entrei na sala, estava escrito no quadro algo muito perto de “…você tem que escrever de uma forma que sua máxima pareça a verdade..” tinha pouca coisa antes e pouca coisa depois disso. A turma que estava tendo aula antes da minha era uma de comunicação social. Infelizmente não disponho de linhas, mas resumindo, o que é a verdade? É aí que aquela frase de que “quem tem boca vai a Roma” entra, falando de forma um pouco mais erudita, a boa retórica ajuda-nos a conseguir muitas coisas. E ajuda também a pessoas, que são – na minha opinião – pérfidas e vis a dominarem o mundo. “Lucas, você vai vir pra cima da gente com conceitos marxistas de dominação ideológica?” Não, só estou tentando explicar o que eu acho ser o foco principal do livro, discutir a nossa sociedade, só que para discuti-la precisamos usar de palavras, e precisamos antes discutir sobre o uso dessas palavras.

Ridicularizar seria tornar ridículo, e Douglas Adams não faz isso, ele não precisa, a nossa sociedade é ridícula, e por meio de alienígenas que não conseguem entender como nós conseguimos viver numa sociedade assim, ele procura mostrar o quão ridícula ela é. Isso é muitíssimo interessante, porque nós que vivemos nessa sociedade não conseguimos pensar um outro tipo de sociedade, só ela pode existir, todas as outras são reduzidas a morar em cavernas e viver de caça.

O primeiro livro dessa trilogia de quatro livros que, por mero acaso, são cinco, dá nome a série O Guia do Mochileiro das Galáxias* ( À Boleia pela Galáxia, em Portugal -lol-) e apresenta o nosso protagonista, Arthur Dent além de seus inestimáveis companheiros, Zaphod Beeblebrox, Trillian e Ford Prefect. Arthur é um inglês típico, daqueles que gosta de chá, e tem um azar, digamos, atípico. Não pela Terra ter sido destruída para a, supostamente, construção de uma via hiperespacial intergaláctica. Se fosse por isso todos os moradores da Terra seriam azarados, e pelo contrário, o Arthur seria um felizardo, pois graças ao seu amigos Ford Prefect, um alienígena, ele consegue pegar carona em uma nave espacial e começa a viajar pelo universo, o certo seria universos, galáxias, planetas, realidades, dimensões e probabilidades. Provavelmente algo mais que eu esqueci. Suas buscas não são completamente sem sentido, eles estão buscando a pergunta pra resposta da pergunta sobre a vida, o universo e tudo o mais. Amo-te muito, Adams, beijo na sua alma. Sacaram o ridículo, o do contra? Eles não estão buscando uma resposta, mas sim uma pergunta. A Resposta é 42.

As aventuras continuam em O Restaurante no Fim do Universo*, que de todos os cinco livros é o mais genial, vide o capítulo sobre a conjugação de verbos nos novos tempos, que é brilhante. O terceiro livro da trilogia, que não é o último,  A Vida, o Universo e Tudo o Mais* fala disso, da vida, do universo e de tudo o mais. No quarto livro, Até mais, e Obrigado pelos Peixes!* a Terra volta misteriosamente a existir, mas com um grande mistério, os golfinhos sumiram. Nossos protagonista conhece o amor com Fenchurch, e novamente, Adams cria um capítulo absurdo de engraçado, agora tratando sobre a vida sexual de Arthur. O quinto livro, Praticamente Inofensiva*, gera polêmica se ele seria mesmo o quinto livro da trilogia ou se seria separado, os que dizem que é separado argumentam, por exemplo, as datas de lançamentos, onde os quatro primeiro foram lançados em curtos espaços de tempo, e o quinto somente oito anos depois do quarto. Os livros surgiram de uma série de rádio, transmitida pela primeira vez pela Rádio 4, da BBC. Há também um sexto livro, And Another Thing…, escrito pelo autor da série Artemis Fowl, Eoin Colfer, postumamente. Mark Lawson, em uma resenha para o The Guardian disse que é “a melhor imitação literária póstuma que eu já li” e “uma adaptação perfeitamente calculada”.

Douglas Noël Adams nasceu em 1952, em Cambridge, Inglaterra. Estudou em Essex, pra onde se mudou ainda novo, e no St John’s College, em Cambridge, onde se formou em Literatura inglesa e posteriormente se tornou mestre. Amigos do autor diriam que ele era um ateísta radical, e talvez realmente o fosse, visto que Richard Dawkins, o maior dos ateístas radicais, fanáticos, dedicou seu livro The Delusion of God, a ele. Adams ganhou muitos prêmios, inclusive foi o autor mais novo a ganhar um deles, vendeu mais de 15 milhões de livros e possui outras obras além do Mochileiro. Ao tempo de sua morte, em 2001, ele morava na Califórnia com sua esposa e filha, infelizmente morreu novo, de ataque cardíaco.

Ah, quase esqueci do Marvin, o robô com emoções humanas e um cérebro maior que o universo e que graças aos nossos aventureiros é várias e várias e muitas vezes mais velho que o próprio universo, e que também é  o personagem mais legal da história.

Desculpem-me pelo incomodo.

*The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy 1979, The Restaurant at the End of the Universe 1980, Life, the Universe and Everything 1982, So Long, and Thanks for All the Fish 1984 e Mostly Harmless 1992

E mais uma coisa… Os quatro primeiros livros foram publicados originalmente no Brasil pela Brasiliense, após a estréia do filme eles foram retraduzidos e republicados pela Sextante, que posteriormente também publicou o quinto livro.

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Sem comentários ainda para “Tomo da Traça: O Guia do Mochileiro das Galáxias”

  1. Diego Flyfish disse:

    Criando coragem pra ler. Parece ser muito divertido pelo o que todo mundo fala… Vou aproveitar que meu irmão tá pensando em comprar e roubar dele. =D

    Gostei do texto, se inspirou mesmo na loucura (ou sanidade rs) do autor, hein? rs

  2. Fábio Nazaré disse:

    Mês passado tava vendo o box com os livros… 100 pila, axo q ta um preço razoável

  3. Vivi disse:

    Depois de ler a resenha, senti vontade de ler tb… Resta agora juntar os trocados p/ comprar…rsrs

  4. Anderson Borges disse:

    Po muito boa a resenha mesmo, Douglas Adams é irado
    os livros separados custam cerca de 20$ tem na maioria das livrarias

  5. Lucas disse:

    AhuAhuaHuHAU, amei a imagem, foi o Diego que escolheu?
    Esses livros são muito bons, vale a pena ler, é absurdamente engraçado.

    • Diego Flyfish disse:

      Fui eu sim! xD

      Acho que essa é a mais óbvia pro tema. Sempre que alguém fala de mochileiro tem esse robozinho. rs

      Esse é o tal Marvin?

      • Lucas disse:

        pow, nem sei te dizer se é o marvin, dependeria da escala aí da imagem, mas pelo tamanho da cabeça, muito desproporcional ao corpo, acho que não. no livro o marvin tem estatura humana

  6. Manu Agra disse:

    Ta na promoção no submarino a coleção completa com os 5 livros, ta ai o link pra quem quiser ver! Tá 49,90 e com frete grátis! To pensando em comprar pra mim… =p

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