Tomo da Traça: Hard Magic, de Larry Correia

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Quando eu leio um livro qualquer, eu tenho o costume de, mesmo que inconscientemente, compará-lo às obras dos meus autores favoritos. Acredito que com a grande maioria das pessoas seja assim também. Acho que quase ninguém consegue ler um livro com temática medieval hoje em dia sem traçar paralelos com Tolkien, George Martin ou Bernard Cornwell, por exemplo. No meu caso, tudo que leio termina sendo inevitavelmente comparado com as obras de Brandon Sanderson e Jim Butcher. Esses dois autores são, para mim, o ápice da escrita dinâmica, sem enrolações ou falta de propósito, capazes de fazer histórias empolgantes, profundas e bem trabalhadas simultaneamente. Com Larry Correia, acredito ter encontrado o terceiro autor contra o qual comparar minhas leituras de agora em diante.

Hard Magic, primeiro livro da série Grimnoir Chronicles, é um livro que trata de pessoas com super-poders. Eu sei, eu sei… Minha crítica anterior também falava desse tema. Mas o que eu posso fazer se eu estou “no clima” para histórias de supers nos últimos tempos? De qualquer forma, essa história é única o suficiente para deixar marcado suas características.

Não diferente de histórias de super-humanos, Hard Magic se passa em uma versão do nosso planeta Terra. No entanto, aqui a história volta no tempo para a América pós-Primeira Guerra Mundial da década de 30 e já nos apresenta um panorama bem diferente devido a influência dos super-seres. Em primeiro lugar, os poderes são considerados magia e as pessoas que os possuem, feiticeiros. Alguns possuem acesso a disciplinas específicas, como os protagonistas Jake Sullivan, que controla a gravidade, e Faye Vierra, que se teletransporta. Existem aqueles que podem literalmente conjurar feitiços através de símbolos. A “Guerra Para Findar Todas as Guerras”, travada contra o kaiser alemão e seu exército de zumbis, terminou com o disparo do Raio da Paz e vários países se encontram guarnecidos pelas poderosas torres de defesa de Tesla.

Hard Magic começa em um clima extremamente noir, como não poderia deixar de ser com esse nome e época em que se passa. O fato de Jake Sullivan começar como um detetive ajudando a capturar criminosos poderosos, o surgimento de uma femme fatale que possui ligação com o passado de Jake e todo o ambiente construído em volta deles torna a identificação com esse estilo completamente inegável.

Em certa parte da história, no entanto, o clima toma um rumo muito mais pulp. Não que eu esteja reclamando. Ambos estilos estão entre os meus favoritos, Correia consegue construir a história e os mistérios em torno dos poderes e do vilão de forma excelente. Em uma das minhas partes favoritas do livro, nós damos uma pequena espiada na razão para o surgimento dos super-poderes entre humanos e as motivações de Okubo Tokugawa, o de fato líder japonês e antagonista. Assim como Mistborn, de Brandon Sanderson, fica claro que esses mistérios referente ao Poder e os motivos de sua existência serão o foco dos livros seguintes e que os problemas deste primeiro livro são apenas a ponta do iceberg.

Outro ponto interessante a ser ressaltado é a forma como Correia ligou a nossa história com o surgimento dos super-humanos, abrindo cada capítulo com uma citação de personalidades de nossa história, como Einstein e Roosevelt, relacionada a eventos e fatos únicos proporcionados pela existência desses poderes.

Infelizmente, Hard Magic não possui edição em português e é provável que não tenha por um longo tempo. No entanto, para aqueles que possuem a facilidade com o inglês e se interessem por super-heróis, histórias noir e pulp (por mais contraditório que isso pareça), a parte um das Grimnoir Chronicles é uma excelente pedida.

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