Tomo da Traça: A Guerra dos Tronos

Cof, cof… quanta poeira nisso aqui. Quanto tempo meus caros, desculpem-me pela falta de limpeza nos tomos. Enfim, pelo menos o livro de hoje é bom, muito bom. Particularmente não entendi por que demorou tanto para ser lançado aqui no Brasil. Talvez seja porque as editoras estavam brigando pra ver quem ia publicar. A Leya ganhou essa guerra, e publicou o primeiro dos livros das Crônicas de Gelo e Fogo*, de George R. R. Martin¹, A Guerra dos Tronos*.


No mundo de Westeros, mais especificamente nos Sete Reinos, as estações não tem data para começar nem terminar. Sendo assim, os verões podem durar uma década, e os invernos uma vida toda. A história começa durante um longo verão, e os mais otimistas acham que será o “eterno verão”, os mais realistas sabem que um grande verão precede um inverno maior ainda. Entre os últimos está Eddard “Ned” Stark, senhor de Winterfell e guardião do Norte, é uma pessoa extremamente honrada, justa, um cavaleiro medieval utópico, ou quase. Por ser um dos melhores amigos do rei, quando da morte de sua “Mão” (o segundo cargo de mais poder no reinado), o rei viaja ao Norte e convida Ned para ser sua nova “Mão”, e tudo estaria normal, não fosse pela suspeita da antiga “Mão” ter sido assassinada. Ned não poderia, depois disso, negar o convite, sua honra o obrigava a ir à corte investigar a morte da “Mão”. Na corte, uma de dar inveja ao próprio Luís XIV², ele ficará rodeado de inimigos, imerso em intrigas, em uma trama muito bem tecida, sem poder contar com ninguém, e jogando um jogo com o qual ele não está acostumado. E pra seu azar, na guerra dos tronos, ou você ganha, ou você morre.

Essa é a sinopse, com toques meus, encontrada na maioria dos lugares e no próprio livro. O problema dela é ser muito pobre para explicar a magnificência do livro de George Martin. Em seu livro ele cria diversos personagens riquíssimos, com seus diversos pontos de vista, fazendo com que aqui, a sinopse falhe miseravelmente duas vezes. Eddard Stark não é o personagem principal do livro, na verdade são vários os personagens principais. Segundo, ela deixa a impressão de que Ned é o bem que vai à corte combater o mal do reino, e não é isso. Para exemplificar, no livro os nomes dos capítulos têm os nomes dos personagens principais centrados nesses capítulos, também abordando outros personagens e interligando todos os capítulos entre si excelentemente. A sinopse erra também por passar a ideia de que o livro conta uma história sobre nobres e seus jogos de poder. Ela também sugere inimigos, talvez por ser só mal escrita, ou talvez pra desviar a atenção. Ela peca mais uma vez, por não mostrar que existe fantasia, fica parecendo só a Europa Medieval e suas disputas dinásticas, transformando-o num livro de ficção-histórico-fantástica (?), e não de fantasia. Contudo, também, não tenho capacidade de demonstrar a complexidade dessa obra de arte. Nas orelhas e contracapas do livro têm duas frases que chamam a atenção: “O melhor livro de fantasia desde que Bilbo encontrou o anel.” e, dito pela escritora das Brumas de Avalon³, “É, talvez, o melhor livro de fantasia já escrito.” Guardando exageros à parte e o fato de que a editora quer vender o livro, a obra é excelente, linda. Ela te fará rir e chorar, você amará e odiará os personagens, torcerá pelos seus favoritos e vai esperar ansiosamente pelo próximo capítulo que falará dele.

Sendo assim, sinto-me obrigado a falar de Jon Snow, bastardo de Ned, de Tyrion Lannister, um anão, coxo, com um olho de cada cor, uma boca maior que o corpo, e extremamente cativante. De Arya e Sansa, as filhas de Ned, de Bran e Robb, os herdeiros legítimos dele, e Catelyn, sua esposa. Também de Daenerys , a filha da tempestade, descendente do dragão. E muitos e muitos outros, que se juntam maravilhosamente nesse épico, cheio de intrigas, suspeitas e mistérios. Que, apesar disso, não é confuso, porém você nunca adivinharia que “ele” era o traidor, assim como nunca imaginaria o final. No meio de tantas dúvidas e incertezas, a única coisa clara é que o inverno está para chegar.

Jon Snow e seu lobo, Fantasma

*O livro foi lançado originalmente em 1996, sob o título A Game of Thrones, primeiro de sete livros da série A Song of Ice and Fire. Sobre a tradução do livro, ela não poderia ser melhor. Pelo simples fato de que o tradutor foi o primeiro que eu vi colocar uma nota admitindo que quase tudo com relação à tradução é discutível. Tendo assim meu eterno respeito.

¹George Raymond Richard Martin, nasceu no dia 20 de setembro de 1948, em Nova Jersey, nos E.U.A. Começou a escrever na década de 70, e desde então já se foram dezenas de livros, revistas, jogos de RPG e até séries de TV. Entre muitas outras coisas. Atualmente trabalha na produção do seriado A Game of Thrones, da HBO, que será, obviamente, uma adaptação de seu livro mais famoso. Além, é claro, de estar terminando seus livros.

²Luís XIV, o Rei Sol, conhecido por ter sido o maior déspota que o absolutismo conheceu. Uma das formas de conseguir todo esse poder foi pela corte, a maior e absurdamente mais complexa da Europa, como pode-se observar nos escrito de Saint Simon.

³Marion Zimmer Bradley

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1 Comentário para “Tomo da Traça: A Guerra dos Tronos”

  1. Gripka disse:

    “Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre.”

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