Tomo da Traça: A Erva do Diabo

Olá leitores do Gaveteiro.

Inicio aqui minha participação no site, estreando com muita honra a ala das Traças, onde estarei junto com outros leitores assíduos, opinando sobre nossas conclusões e idéias das passadas horas no sofá, ônibus, carona, avião, montanha russa ou qualquer outro lugar propício ou não para a leitura.

Todos já ouvimos vezes na vida a expressão erva do diabo, isso é um fato. Ainda mais hoje em dia, onde o tema drogas está em alta. A maconha, como primeira droga ilícita popularizada e até com diversos veículos fazendo apologia sobre ela, é facilmente confundida com o tema deste livro. Mas não se engane, não há nada relacionado à maconha neste livro.

O livro foi escrito por Carlos Castaneda, na década de setenta. Estudante de Antropologia da universidade da California (UCLA) utilizando uma narrativa de diário, o livro tratava da sua busca por informações aprofundadas, para seu mestrado, sobre botões encontrados no cactus peote, chamado Mescalito (mescalina no Brasil), e o uso da mesma por índios mexicanos de forma ritualística tradicional.

O que foi um encontro descompromissado com um índio misterioso morador do Estado do Arizona, nos EUA, chamado Don Juan (não confundamos com o personagem fictício sedutor e de diversas versões literárias e hollywoodianas). O índio, a princípio, não lhe dá nada além de um olhar penetrante que faz Castaneda sentir-se um pequeno embrião a respeito do que sabe.

Sem desistir tão facilmente, Castaneda passa a freqüentar a casa de Don Juan, tornando-se um amigo do índio. Em algum tempo de convivência, Don Juan atribui-lhe a missão de ser seu aprendiz naquilo que os mexicanos chamam de Brujo (Bruxo), índios com o conhecimento do uso de plantas que os fazem adentrarem outros mundos, alterando suas percepções tornando-se capazes de ver, sentir e até realizar ações consideradas impossíveis pela mente cética científica moderna.

O livro fora escrito no auge da utilização das drogas, onde Timothy Leary, chamado de Guru do LSD, popularizava a utilização das drogas para desenvolvimento de uma nova visão e nova reestruturação da vida moderna, com um fim de alcançar uma melhor relação entre os seres humanos, com a finalidade de reduzir a parcela da natureza humana voltada para o conflito,  posteriormente gera guerras e por fim outras catástrofes horríveis, onde inocentes sofrem sem nem sequer saber o por quê. Apoiado por grandes celebridades da época (como os Beatles) Leary, em sua velhice, acabou por trair sua própria iniciativa, tornando-se um líder de atitudes deveras contraditórias com suas idéias.

Estudiosos da mesma área de Castaneda revogam a autenticidade do livro pela falta de provas concretas sobre seus relatos. De fato, Castaneda nunca se preocupou em comprovar nada, ao contrário, fora recluso durante toda a vida e jamais saiu em público ou dera entrevista em vídeo. A revista Times chegou a publicar uma mega edição na época que o livro estava no auge das vendas nos EUA.

De origem desconhecida, Castaneda é tratado pelos americanos como um colombiano que fora estudar na Califórnia, e a partir de então iniciou sua jornada pelo novo mundo visto pelos Yaqui. Porém, outros dizem ter sido brasileiro, parente por parte de pai de Oswaldo Aranha, que o mandara para estudar Belas Artes na Itália, mas Castaneda acabara se interessando mais pela parte teórica, principalmente sobre história, e decidira então fazer Antropologia nos EUA. Sua morte veio a público dois anos depois de ocorrer, em 1998.

Após A Erva do Diabo, Castaneda ainda escreveu mais cinco livros, e outros após a morte do índio Don Juan.

Muitos foram os eufóricos, que, após ler tais relatos, saíram em buscas por conhecimentos semelhantes ou iguais pelo mundo, porém poucos notam a importância e a divergência de realidades incutidas nos relatos de Castaneda.

Tanto povos indígenas, como civilizações antigas, tratam a realidade de forma diferente da mente moderna cética, onde aquilo que é tratado como existente é apenas o que pode ser segmentado e conceitualizado. Don Juan encara a vida de modo muito diferente, onde as respostas estão em símbolos, visões e sentidos incompreensíveis para uma pessoa sem o devido preparo. Não é uma banalização de tais efeitos, nem considerados “alucinógenos”, pois para ele, bem como para os praticantes dos rituais culturais de sua tribo, são mensagens muito importantes para o auto-conhecimento, revelando verdades do ser interior capazes de transtornar um praticante de forma irreversível, exigindo um respeito às forças que regem o mundo esquecidos pelas relações humanas geradas pela vida moderna.

Não quero me prolongar a dizer mais sobre o livro. Apenas recomendo-o e muito para aqueles que se interessam de forma abrangente sobre culturas, sem deixar o lado racional ou religioso, filtrando o que ler, bem como quero lembrar que não estou fazendo campanhas pró ou contra nada. Deixo para aqueles que gostam de pesquisar sobre os costumes e sobre história.

Boa leitura.

A ERVA DO DIABO
Autor: Carlos Castaneda
Editora: Nova Era
Número de Páginas: 320 p.

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Sem comentários ainda para “Tomo da Traça: A Erva do Diabo”

  1. Anderson disse:

    bem que o Lucas falou que vc escrevia bem ^^ confesso que estava curioso
    gostei da sua analise ^^

  2. Tarta disse:

    Maconha ? aiuhaiuhauiahuha

    Ae cara parabens pelo artigo, bem escrito mesmo e seja bem vindo.

  3. Hanjinn disse:

    Muito obrigado e espero que leiam!
    Até a próxima resenha!
    abs!

  4. Lucas disse:

    Bom, eu já tinha lido e já sabia que tava bom, agora só falta o Hanjinn me emprestar o livro =D

    Sexta que vem (ou a outra, ainda não sei) o tomo ganhará mais uma página.

    Espero que leiam também!

  5. Flyfish disse:

    Achei a temática do livro bem interessante.

    Como comentei contigo, eu acredito que as ervas indígenas (ou até algumas drogas que conhecemos) realmente tenham um significado além desse “viagem” banalizada por muitos de seus usuários…

    Muitos músicos, inclusive, falam que só conseguiram inspiração para compor grandes letras de músicas famosas depois de fumado um baseado…

    É um assunto delicado… Mas sei lá, acho que as drogas devem ter um potencial oculto que talvez só algumas tribos indígenas antigas tenham conseguido desvendar.

  6. Fábio disse:

    Ótimo texto, livro com uma tempatica bem interessante como disse o Flyfish. Apesar de um pouco fora do que é tratado no livro do Castaneda, lembrei de 2001: Uma Odisséia no Espaço. O final do filme era na época citado por muitos adebtos do uso do ácido lisérgico como o mais próximo que se pode chegar de uma viagem de LSD. Também já vi neguinho falando ultimamente que Avatar 3D fica bem mais interessante quando visto depois de um beck, hehehe

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