Crítica: As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne, de Steven Spielberg

Muitos podem estranhar que um diretor do calibre de Steven Spielberg possa estar envolvido com um filme de animação. Entretanto, não se pode esquecer que tio Spielberg já atuou como produtor de uma miríade de produções animadas, tanto para a televisão como para o cinema. Entre elas podemos citar A Casa Monstro, Fievel – Um Conto Americano, Em Busca do Vale Encantado, Freakazoid ou Pinky & Cérebro, estes dois últimos para a telinha.

Ou seja, só faltava um passo para uma direção. E, de fato, uma adaptação como As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne (The Adventures of Tintin/EUA, Nova Zelândia/2011) requer não só um diretor de primeira, mas também um produtor de peso. Temos então a segunda parceria entre Peter Jackson e Spielberg (a primeira foi em Um Olhar do Paraíso), e você pode estufar o peito e dizer: “Ora, não tem como esse pessoal junto fazer algo ruim!”. Bem, é só lembrar que o resultado de Um Olhar do Paraíso foi bem aquém do que se poderia esperar de tal sociedade…

Tenho que dizer, no entanto, que Spielberg e Jackson acertaram a mão em Tintin. Em cada frame é possível perceber o cuidado e carinho com que a adaptação foi encarada, uma vez que o personagem criado pelo cartunista belga Georges Rémi, ou Hergé, conta com uma legião de fãs em todo o mundo. A questão é: como recriar aquele universo dos quadrinhos clássicos com visual tão peculiar e recheado de histórias fantásticas (mas ao mesmo tempo, com um pé fincado na realidade) sem cair na caricatura? A tecnologia de animação por captura de movimentos e expressões (ou mocap) tão empregada sem sucesso por Robert Zemeckis em seus últimos filmes surge como uma solução…

O repórter investigativo Tintin (Jamie Bell), acompanhado de seu fiel amigo canino Milú e do Capitão Haddock (Andy Serkis), embarcam, literalmente, em uma busca por um tesouro que uma vez pertenceu a um antepassado do Capitão. Para atingir este objetivo, o trio enfrenta o sinistro Mr. Sakharine (Daniel Craig). Tem-se, dessa forma, uma aventura infanto-juvenil bem comum, mas que funciona bem para qualquer público que esteja em busca de amenidades. O filme é divertido e o roteiro de Edgar Wright e Steven Moffat nos apresenta um Tintin bastante perspicaz. Ou seja, apesar de não ser um produto de cinema autoral, é um filme que une o melhor do mundo Spielberg – Jackson. Não posso deixar de afirmar, mais uma vez, o quão acho interessante a capacidade do diretor de transitar entre narrativas simples, voltadas para um público familiar (O Parque dos Dinossauros, Indiana Jones e a Última Cruzada, Hook…), e dramas dos mais densos (A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan…); Spielberg é um contador de histórias nato…

Não se pode falar do filme sem mencionar o trabalho da Weta Digital, que conseguiu trazer a um patamar mais elevado uma técnica fadada ao fracasso depois das tentativas de Zemeckis de implementar o método. Porém, deixar de reconhecer os méritos do diretor de De Volta para o Futuro, que tanto lutou para que o mocap fosse disseminado, é um erro. Mesmo ainda não atingindo a idealidade, os efeitos em 3D, além de muito bem construídos, foram bem empregados na trama. E não compro essa ideia de que os efeitos em terceira dimensão atuais são feitos apenas para dar a impressão de profundidade; ora, se é 3D tem que ter objetos voando para fora da tela, o meu reflexo tem que atuar… E Tintin possui um ou outro efeito dessa estirpe que termina por fazer valer o ingresso mais caro.

Recomendo que se vá ao cinema sem grandes expectativas. Tintin é uma aventura familiar que cumpre seu papel de entreter. Então, relaxe, curta a ótima trilha de John Williams, e deixe a criança que passava muitas manhãs assistindo à TV Cultura tomar conta de você!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 3

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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7 Comentários para “Crítica: As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne, de Steven Spielberg”

  1. ouvinte novo disse:

    As criticas voltaram…É um sinal de que a volta do podcast esta perto??Abraços e força ao gaveteiro.

  2. Raphael Oliveira disse:

    Isso fez parte da minha infância…preciso urgentemente assistir esse filme. Confio no Nazareno e sei que não vou me arrepender!

    Tipo a regra dos 15 anos não se aplica né Fábio?

  3. Leonardo Kakazu disse:

    vale lembrar também que Spielberg teve participação como produtor do grande desenho animado Aniamiacs.

  4. Saulo Maciel disse:

    Cara, gostei muito de “Um Olhar do Paraíso”, arrecadações à parte… achei um filmão, bem profundo e com mensagens sutis. Recomendo!

    “As Aventuras de Tintim” está na fila… tô devendo assistir vários bons filmes em cartaz… rs.

    Abs

  5. fabi disse:

    filme chato paka

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