Crítica Classic: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan

A watchful protector. A dark knight. Um reboot da franquia de Batman nos cinemas era a única opção nos idos de 2005, quando Batman Begins estreou. A tarefa de conceder alguma credibilidade ao homem-morcego depois da galhofada de Joel Schumacher nos anos 90 ficou a cargo do diretor inglês Christopher Nolan, até então desconhecido do grande público. Aclamado por ambos crítica e público, Batman Begins abriu caminho para o filme que muitos consideram a melhor adaptação de quadrinhos já realizada até hoje: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight/EUA, Reino Unido/2008). Criterioso no sentido de mostrar um herói humanizado e adaptado às platéias do século XXI, Nolan entrega um conto de super-heróis dinâmico, consistente e bem afastado do rótulo de aventura adolescente que muito leigos atribuem às HQs.

Tudo parece estar em sintonia em O Cavaleiro das Trevas. Atuações sólidas, cenas de ação incríveis e uma Ghotam City com ares de cidade real. Bruce Wayne (Christian Bale) luta pela ascensão de uma figura que venha a combater os criminosos de Ghotam de forma legal, ao contrário de Batman, que faz usa justiça por conta própria. Ou seja, é necessário o surgimento de um elemento inspirador, personificado pelo promotor Harvey Dent, o “cavaleiro da luz” de Ghotam, magistralmente interpretado por Aaron Eckhart. Entretanto, o surgimento de um delinqüente incomum, imprevisível, e extremamente inteligente se revela um desafio tanto para Batman quanto para Dent. O Coringa (Heath Ledger) não quer poder nem  busca retorno financeiro na perversidade; como ele próprio se intitula, é um agente do caos.

Um filme que era relativamente esperado, e que meses antes do lançamento contou com maciças e bem elaboradas campanhas virais, ganhou atenção redobrada devido à morte prematura de Heath Ledger. Na época, a imprensa sensacionalista tentou criar elos entre a morte acidental do ator com a demência do Coringa vivido por Ledger, consistindo um fato carregado de vergonha alheia quando se fala na cobertura que foi dada ao lançamento. De fato, Ledger conseguiu dar vida a um personagem nefando, alucinado, astuto e assaz carismático, culminando no melhor vilão dos filmes de Batman. Mas ainda tenho dúvidas se Ledger realmente teria ganhado o prêmio da Academia de melhor ator coadjuvante se não tivesse falecido. Interessante, em praticamente todas as adaptações das histórias do homem-morcego os vilões são mais fascinantes ou mais carismáticos que o protagonista.

O roteiro de Christopher Nolan, Jonathan Nolan a David S. Goyer apresenta um Batman combatendo não arquiinimigos histriônicos e fantásticos, mas inserido num contexto muito mais próximo da realidade, O Cavaleiro das Trevas é quase um filme policial. É então dada a chance de um personagem longevo dos quadrinhos desempenhar um papel maduro no cinema, submetido a um roteiro circunspecto e que, de certa forma, conduziu um filme que não pode ser considerado um passatempo simples, como o são, por exemplo, os filmes do Homem-Aranha. A ascensão do segundo vilão do filme, o Duas-Caras, é arquitetada e implementada de maneira inteligente e calcada numa sucessão de fatos coerentes e que se encaixam de forma perfeita.

Comentar sobre a qualidade técnica do filme, considerando que o diretor chama-se Christopher Nolan, é ser redundante. As cenas de ação são contidas, e até certo ponto raras, mas quando surgem são de grande beleza e como poucas capazes de despertar a empolgação. Particularmente, a primeira aparição da bat-moto pode causar arrepios nos fãs canônicos.

De fato, The Dark Knight apresenta pouquíssimos e desprezíveis defeitos, estando bastante próximo da perfeição. A ótima cena final coroa um filme que diverte do começo ao fim, e que prova que os arrasa-quarteirões não precisam ser descerebrados para fazer muito dinheiro. O público quer ver ação, quer ver bons efeitos especiais; mas também quer sair do cinema com a sensação de que foram respeitados e que não precisaram desligar o cérebro. O(s) Batman(s) de Nolan nos entregam tudo isso, e com louvor.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 4.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

Deixe um comentário, ou trackback para o seu site.

3 Comentários para “Crítica Classic: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan”

  1. Anderson Borges disse:

    esse filme foi realmente muito bom, não me arrependo nem um pouco de te-lo visto no cinema

  2. Diego Flyfish disse:

    Também fui ver no cinema… O legal foi que eu não tava no hype e não fui esperando ver grande coisa.

    Isso só fez eu ter curtido ainda mais. Muito foda mesmo.

  3. Milton Rodrigues disse:

    Tbm acho esse filme muito bom. O estilo policial é perfeito para uma trama do batman!!

    O batman de Cristopher Nolan lembra muito o estilo Kelley Jones dos quadrinhos com rabiscos exagerados e sombrios. Perfeito!

Comenta aí, traça!

Powered by WordPress | Free T-Mobile phones at BestInCellPhones.com. | Thanks to Verizon Wireless, Facebook Games and The diet solution