Crítica Classic: Contato, de Robert Zemeckis

I’d say if it is just us… seems like an awful waste of space.Se você não ficou boquiaberto ao ver pela primeira vez a abertura de Contato (Contact/1997/EUA), meu caro, sinto informá-lo que você não pode ser chamado de cinéfilo. Apesar de ser considerado o primo pobre entre os filmes dirigidos por Robert Zemeckis, Contato talvez seja o filme deste diretor que mais exija a capacidade de concentração e puxe pelo pensar. As questões filosóficas postas pelo falecido astrônomo Carl Sagan, autor do best-seller no qual o longa se baseia, apesar de não irem fundo na polêmica dualidade ciência/fé, chamam a atenção para estes aspectos da vida humana; claro, jogando com chavões aqui e ali, mas nunca sem esquecer a tensão e as reviravoltas “explosão de cérebro” tão características dos bons filmes de ficção científica.

Usarei aqui um artifício implementado por Flyfish em seu Desenterrando Tranqueiras sobre a série Máquina Mortífera. Para tornar a leitura mais agradável, você pode escutar o ótimo tema principal do filme clicando no player acima; cuja composição é do maestro Alan Silvestri, colaborador frequente de Zemeckis. Ellie Arroway (Jodie Foster) é uma astrônoma/engenheira (crianças, por favor, não confundam astronomia com astrologia!) cujo foco das pesquisas, e de certa forma de sua vida, é a busca por ondas eletromagnéticas provenientes de mundos extraterrestres. Após uma sucessão de fracassos e financiamentos cortados o grupo de Ellie consegue identificar o que aparenta ser um sinal genuinamente extraterrestre; dando início a uma história de recheada tensão, jogadas científicas, extremismos religiosos e brigas pela detenção do poder da informação.

Contato, por razões pessoais, está entre as minhas três ficções científicas prediletas. O primeiro motivo está no fato de que foi a primeira vez que vi no cinema cientistas e pesquisadores serem tratados de forma coerente e com o pé no chão, mesmo estando inseridos numa situação fantástica. Outra, gosto muito de Jodie Foster, grande atriz que está meio afastada das produções mais recentes, e que imprime imponência na criação da cientista cética Ellie. Mathew McConaughey, nos tempos em que fazia filmes decentes, também não compromete. Estão ainda no elenco Tom Skerritt e John Hurt, ambos de Alien – O 8o Passageiro.

O tema central do filme é, de fato, como as pessoas lidam com a descrença religiosa advinda, em teoria, pelas descobertas científicas e avanços tecnológicos, e como os extremismos religiosos são tão nocivos quanto a mistura entre ciência, política e a falta de escrúpulos no lidar com o conhecimento. Dito isto, rotular Contato como um filme de ficção-científica é minimizar a experiência. Poucos diretores conseguiriam mesclar a apresentação conceitos científicos e filosóficos simples com um bom drama com a propriedade de Zemeckis. Claro, ele está alicerçado pela mente do grande gênio que foi Carl Sagan, mas a marca de Zemeckis permeia toda a projeção.

Gostaria de dar atenção especial aos efeitos visuais, simplesmente algo fenomenal. A abertura do filme, citada no início deste texto, esté sem dúvida entre os melhores inícios que Hollywood já foi capaz de produzir. À primeira vista pode parecer um preciosismo ou uma rebolada da equipe de efeitos especiais, mas o que é apresentado (de forma sutil, é claro) serve para preparar o espectador para uma questão crucial da trama do filme. Ainda, incrivelmente elegante é o design da máquina mostrada na metade final do filme, e a construção da tensão e do suspense pré-ápice depende bastante da veracidade do bólido.

Contato é, acima de tudo, um arrasa-quarteirões. E o fato de um filme milionário instigar o debate sobre questões da condição humana é sempre bom. Seja você cético ou não, sacerdote da ciência ou estudioso da fé, o que importa é ter em mente o quão danosos são os extremismos; e mais, ciência e religião são aspectos do conhecimento humano mutuamente excludentes, mas isso não significa que não possam coexistir entre os preceitos de cada um. Não deixe de ver, ou rever, este ótimo filme de Robert Zemeckis.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 4

*Imagens: The Movie Picture Database

**Trailer:

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2 Comentários para “Crítica Classic: Contato, de Robert Zemeckis”

  1. Este filme é demais! Emociona e nos faz refletir sobre questões importantíssimas como se existe vida em outros planetas, e qual seria a reação da humanidade se fizesse contato com outra civilização. O FILME É UMA OBRA PRIMA…

  2. Juan Rossi disse:

    O filme de Zemeckis conjuntamente a Sagan, nos envolve por completo, enternece, fazendo-nos repensar nossas vidas regadas a fio de cotidianeidade aborrecida, dando ainda uma lufada de reviravolta na difícil equação de se ter fé ou ser racionalmente cientifíco. Imagens estupidamente bem equacionadas junto a efeitos magistrais e planos de câmera ótimos num crescente emocional conferem a esta pequena obra-prima – junto à surpreendente atuação, sobretudo ao final, da atriz Foster – veracidade e impacto. Merece ser revisitada ainda neste século de Interestelar e Gravidade, inferiores certamente a esta película!

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