Crítica: Xeque-Mate, de Paul McGuigan

Manter o público atento e sem se perder numa história cheia de reviravoltas e tramas elaboradas pode ser um trabalho penoso para diretores e roteiristas. As pessoas estão acostumadas a ver nos multiplexes filmes como a trilogia Senhor dos Anéis ou os longas de Michael Bay, carregados de efeitos visuais e que exigem pouco de quem os assiste. O início de Xeque-Mate (Lucky Number Slevin, EUA, 2006) é confuso e deixa muitas perguntas. É logo no começo que o espectador começa a interagir com o filme, tentando descobrir como consertar o quebra-cabeças, e o mais importante: as perguntas serão respondidas de forma inteligente?

Slevin Kelevra (Josh Hartnett) é confundido com um amigo, pelo simples fato de estar no apartamento dele. Acontece que este amigo deve consideráveis quantias de dinheiro a dois violentos bookies de Nova Iorque. A trama envolve ainda uma guerra particular entre dois gangsters, sendo um deles um rabino; além de outras histórias paralelas, todas elas interconectadas. Difícil? Sim, mas o diretor escocês Paul McGuigan consegue ligar as várias narrativas de forma inteligente e fazendo a platéia arrancar os cabelos se perguntando o que realmente está acontecendo. O roteiro fragmentado de Jason Smilovic contribui para o despertar da curiosidade, pedaços da trama são inseridos de forma aparentemente aleatória, mas que no final se amarram de maneira coerente. Algumas sutilezas adotadas pelo diretor também servem para dar dicas sobre a resolução do mistério; observe, por exemplo, como um artifício narrativo comum e pouco criativo que são os flashbacks em preto e branco de Kelevra parece algo normal, no entanto vão ser a linha divisória entre a forma de agir e o que realmente pensam ou pretendem os personagens. Dizer qualquer coisa mais sobre como se desenrola a película pode estragar as boas surpresas, e a intenção aqui não é adicionar spoilers. Xeque-Mate guarda algumas semelhanças com o ultra-elogiado filme coreano Old Boy (do diretor Park Chan-Wook), não pela temática, mas pela forma como implementa reviravoltas no curso da ação e pela maneira que indaga o público e faz com que este raciocine durante boa parte da projeção, algo bem raro para um filme proveniente de Hollywood.
O elenco tem um montante de estrelas considerável, tanto que um ator do primeiro escalão, como Stanley Tucci, fica relegado ao segundo plano. Morgan Freeman, que interpreta O Chefe, e Ben Kinsley (O Rabino) apresentam desempenhos satisfatórios, mas longe dos melhores momentos. Estão ainda no filme a pantera Lucy Liu, engraçadinha, e Bruce Willis, repetindo pela enésima vez o papel do justiceiro solitário (seja ele bandido ou policial).
Xeque-Mate é um bom filme de suspense com generosas doses de humor, que em alguns momentos se mesclam com pouco entrosamento, fato que não chega a atrapalhar o andar da película. Bem conduzido, é garantia de diversão.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 3

Som: 3

Geral: 3

*Imagens: The Movie Picture Database

**Trailer:

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1 Comentário para “Crítica: Xeque-Mate, de Paul McGuigan”

  1. Tarta disse:

    Realmente um filme muito bom. O espectador não consegue dar muito valor pelo começo do filme, mas o final é surpreendente.

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