Crítica: X-Men – Primeira Classe, de Matthew Vaughn

Calma aí! Como assim X-Men – Primeira Classe (X-Men – First Class/EUA/2011) é o melhor filme de quadrinhos já feito? Tenho lido e escutado muitos críticos recitando tal despautério, colocando o filme do bom diretor Matthew Vaughn em um pedestal e venerando. Penso que talvez seja algum trauma com o filme mais recente da série dos mutantes dos quadrinhos – X-Men Origins: Wolverine – que de tão ruim dava ânsia. Primeira Classe não é maravilhoso, mas também está longe de ser ruim. O porquê da opinião, a meu ver, equivocada da crítica vocês vão conhecer agora.

Sempre que um filme de X-Men chega aos cinemas, nostálgicos em geral lembram-se do fatídico desenho que animou as manhãs de nossa geração na finada TV Colosso. De fato, era um ótimo desenho, e Primeira Classe tem um quê de cartoon, de sentimento de quadrinhos. Não por apresentar o fantástico de forma exagerada e caricata, mas por fugir da recente modinha de tornar todos os super-heróis humanos e cheios de nuances filosóficos. Ok, funcionou muito bem para o reboot de Christopher Nolan de Batman, mas foi um desastre com o Hulk de Ang Lee.
No caso específico do filme de origem que tratamos aqui, o tom de quadrinhos caiu muito bem, e tem agradado bastante os fãs. Inserida no universo cinematográfico criado por Bryan Singer ainda na década de 90, temos a primeira trupe de mutantes mocinhos, reunidas pelo recém-formado Charles Xavier (James McAvoy), justamente para combater as aspirações megalomaníacas de Sebastian Shaw (Kevin Bacon), em uma época em que os primeiros mutantes com poderes especiais começam a aparecer, ou seja, na década de 1960. Xavier conta com a ajuda de Erik Lehnsherr, para os mais íntimos Magneto (Michael Fassbender), de longe o personagem mais interessante do filme. Erik é alguém atormentado por um passado cruel em campos de concentração nazista, e todas as suas atitudes, sejam elas bárbaras ou não, se não são justificadas, podem ser compreendidas. E Fassbender, como grande ator que é, nos apresenta um Magneto cativante. Penso até que o diretor poderia ir um pouco mais além na maneira como esse protótipo de vilão é explorado, o ator alemão daria conta com tranquilidade.
Um roteiro bem amarrado tratando de conspirações envolvendo a crise dos mísseis da Baía dos Porcos durante a Guerra Fria torna Primeira Classe, além de uma película de ação que conta a origem de personagens carismáticos dos X-Men, um filme carregado de jogadas políticas, simples, mas raras em arrasa-quarteirões voltados para o público adolescente. Da mesma forma que as passagens históricas são casadas com maestria com a trama do filme em si, o roteiro tem furos imensos. Qualquer moviegoer mais atento vai constatar buracos descarados na história, revelando que em alguns detalhes mais simples não houve o mesmo esforço criativo que na concepção da história como um todo.
Isso torna X-Men – Primeira Classe um híbrido estranho. Sabemos que estamos vendo um filme legal, de um bom e cuidadoso diretor (afinal, é o cara que levou às telas Kick-Ass), mas que peca nos detalhes, justamente nos elementos que servem para dar sustentação e coesão à obra. Contribui para essa sensação o fato de os efeitos visuais terem ficado aquém das expectativas. Ora, um filme de ação desse porte, ainda mais o que marca a volta de Bryan Singer à série como produtor, deveria contar com um CGI mais bem trabalhado. A maioria das cenas de ação não empolga, e uma bem específica, parece muito com algo que seria feito em um filme de Bollywood, tamanha a tosquice. Naturalmente, os roteiristas fazem malabarismos desonestos para conseguir encaixar a diversidade de histórias dos mutantes em um único filme, ferindo tanto a cronologia da própria série como o que é mostrado nos quadrinhos há quase 40 anos; o que não é um problema tão grande se você considerar o filme como uma obra independente.
Por essas e outras que enxergo exagero na forma como X-Men – Primeira Classe está sendo encarado. Não passa pela minha cabeça dizer que este filme é melhor que as duas primeiras partes da série; estes, talvez, figurem entre as melhores adaptações de HQs já feitas. Então traça, vá ao cinema, mas sem grandes expectativas. Divirta-se com mais este bom filme dos mutantes da Marvel, mas que está longe, bem longe, da perfeição tão propalada.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 3

Som: 3

Geral: 3

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

Deixe um comentário, ou trackback para o seu site.

15 Comentários para “Crítica: X-Men – Primeira Classe, de Matthew Vaughn”

  1. neto disse:

    Fábio… cara… como e que vc deu nota 3 pra um filme desse -.-‘ imagino que vc deve ter dado nota 5 pro Superman Returns kkkkkk..

    Esse ai foi melhor filmes do X-man que eu ja assistir, superou até o cultuado X-man 2(que eu não vi nada de mais),a interpretação do Michael Fassbender como magneto foi insuperável,e o James McAvoy tornou o Xavier um cara mais engraçado e cativante, espero que eles fação uma continuação, mais com o ciclope e a tempestade já no grupo.

    • Fábio Nazaré disse:

      Fala Neto! Continuação não sei se terá, mas até que cabe hehe. Então cara, como eu disse na crítica, não vi motivo para tanto alarde. Achei o filme legal, divertido, mas não muito mais que isso…

  2. joNAS disse:

    Acho que todo mundo esta amando mais que o normal esse filme é pq quase todo mundo esperava um filme horrível (trauma de X-men: Wolverine).

    Eu gostei e muito da película…meu conhecimento por x-men se limita aos desenhos e filmes e creio que esse tipo de filme quanto mais noob vc for melhor =p

    Sou uma topeira pra conseguir criticar um filme como vc..sei la sou avoado ou não treinei meu cérebro pra isso =p, mas eu senti que o diretor quis fazer algo com muito carinho e com respeito aos fãs, mas tinha a Fox incomodando ou outras limitações por trás.

    A parte que eu mais gostei do filme foi quando o Xavier despertou as boas lembranças de Magneto, ambos escorrendo lágrimas me fez ver que até histórias de heróis podem ter momentos tocantes =)

    E devido ao sucesso do filme, não duvido que terá uma continuação abordando novos mutantes.

  3. Aiken Frost disse:

    Não havia sido dito que haveria continuações que se passariam na década de 70 e na de 80?

  4. Fábio Nazaré disse:

    Acho que o próximo filme da franquia deve ser “The Wolverine”, o qual existe até a possibilidade do José Padilha dirigir.

  5. henrique disse:

    O que vejo as pessoas elogiarem no filme é simplesmente ter sido uma surpresa bem agradável, ninguém esperava que o filme fosse assim sólido. Eu mesmo gostei tanto assim porque acho que faz tempo que não vejo um filme de ação simples e bom. Não é culpável então as pessoas sairem ressaltando os pontos positivos.

    Acho injusto avaliar o filme em comparação à outras avaliações. A maioria dos reviews mais negativos que estou vendo são justamente pessoas que viram pessoas que se surpreenderam e foram esperando uma coisa melhor do que é, e por isso acabam defendendo que “não é o que estão dizendo”. Ninguém tá errado, só que vocês não experienciaram a mesma surpresa.

    Ah, o CGI dá pra reconhecer em alguns momentos, tem furos de roteiro, mas tem que estar incrivelmente preocupado com isso pra se incomodar, né.

    • Fábio Nazaré disse:

      Hum, faz algum sentido. Sobre o CGI e os furos, não. Ter uma história coesa e efeitos razoavelmente bem construídos é o básico do básico para um filme desse calibre.

  6. […] Vídeo aula: Como fazer um podcast – Crítica de X-Men: First Class – Nerdrops #96, com participação do Diego […]

  7. E! disse:

    É divertidíssimo, dei boas risadas e vibrei em várias sequências empolgantes. Achei muito bom, apesar de também não ter visto toda essa genialidade que estão pintando por aí, como se fosse algo imperdível. Eu recomendo, é um ótimo blockbuster e entrete bastante, mas não é nada de outro mundo. Fui com grandes expectativas e não me surpreendeu (já esperava por isso). Ainda assim, digo que é o melhor da franquia X-Men.

    4/5.

  8. Bruno disse:

    Muito show esse filme tenho ele , X-MEN
    primeira classe !’-‘
    Eu gosteei

  9. silvia disse:

    como pode no início do X-men 3 Charles xavier aperece andando ao lado de magneto ambos com mais idade,e simplesmente no X-men primeira classe ele perde os seus movimentos das permas ainda jovem????eu gostaria d saber sim pois amo os X-men e não gostei d algumas explicações do ulti mo filme!!!

    • Diego Flyfish disse:

      Os filmes tem diversos furos de roteiro entre as continuações… Antes fosse apenas isso.

      O Dr Hank Macoy (Fera) aparece no X-Men 1 dando uma entrevista, ainda na forma humana (sendo que ele se transforma no first class)
      No Wolverine aparece a Rainha Branca ainda adolescente, e no First Class ela já estrá adulta.

      E mais um monte de coisa que não tou lembrando agora.

      • Maikon disse:

        Caro diego, concordo com o que vc disse sobre o xavier, tambem percebi esse erro… Porem quando vc fala sobre a rainha branca, o fato de ela ainda ser uma adolescente faz tdo sentido já que Wolwerine se passa antes do First Class

  10. Saulo Maciel disse:

    Essa franquia tem altos e baixos. Particularmente gostei muito dos dois primeiros filmes, num nível parecido, mas não gostei do terceiro.

    O Wolverine é péssimo, muito fraco mesmo, e o First Class me pareceu um filme interessante, boa diversão. Pelo que li em outras fontes, até a relação de Magneto com o Shaw foi distorcida, apresentada de uma maneira diferente dos quadrinhos (mas como não acompanho, fica difícil aprofundar a análise).

    Li tb na net que a continuação do First Class estava confirmada e que, para infelicidade geral, Wolverine 2 tb estaria a caminho… não vejo mais o q precisa ser falado sobre Wolverine, considerando o universo mutante a ser explorado. Melhor seria trabalhar a origem de Tempestade, por exemplo. Enfim…

    Abs

Comenta aí, traça!

Powered by WordPress | Free T-Mobile phones at BestInCellPhones.com. | Thanks to Verizon Wireless, Facebook Games and The diet solution