Crítica: Viagem Fantástica, de Richard Fleischer

A crítica deste sábado poderia muito bem figurar na ótima seção “Desenterrando Tranqueiras” do Gaveteiro, o seu blog preferido! É provável também que os que tenham mais de 20 anos se lembrem das útimas reprises de Viagem Fantástica (Fantastic Voyage/EUA/1966) na Sessão da Tarde. Filme lançado dois anos antes daquela que é considerada a maior ficção científica de todos os tempos, 2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968), Viagem Fantástica apresenta um tipo de aventura diferente, e um pouco perturbadora.

Apesar de alguns estarem datados, os efeitos visuais são a grande atração. É tempo de Guerra Fria, e tanto os Estados Unidos como a União Soviética (apesar de os russos não serem citados diretamente) possuem programas de miniaturização com propósitos militares; entretanto, cientistas de ambos países apenas conseguem manter as coisas miniaturizadas por um determinado tempo, exatos 60 minutos. É nesse cenário que o pequisador Jan Benes, detentor do conhecimento de estender o tempo de miniaturização e que pretende vender a tecnologia para os americanos, sofre um atentado; o qual lhe causa um coágulo no cérebro inoperável. Então, para poder salvar o cientista e recuperar as importantes informações, uma equipe composta por um agente da CIA (Stephen Boyd), um navegador (William Redfield) e três neurocirurgiões (Raquel Welch, Donald Pleasence e Arthur Kennedy) embarca num submarino miniaturizado para, partindo da corrente sanguínea de Benes, destruir o coágulo. Obviamente, eles tem apenas uma hora para completar a missão.

É um caso típico de filme produzido especialmente para a exploração ao máximo dos efeitos visuais que podiam ser alcançados na época, e por que não, também aproveitar a beleza de Raquel Welch, sempre vestindo apertados trajes de mergulho. Os personagens são superficiais, e o filme acaba se tornando um passatempo simples, sem grandes pretensões além de mostrar cenas do interior do corpo humano, algumas bem realizadas, outras nem tanto; e oferecer alguns momentos didáticos, no estilo aula de ciências. Alguns observadores mais atentos identificarão alguns furos de roteiro vergonhosos, mas que não causam grandes estragos num filme que nada mais é do que uma diversão modesta. Porém, é justamente o roteiro que causa uma situação confusa para cinéfilos do mundo inteiro.

É o seguinte, muitos acreditam que Viagem Fantástica é uma adaptação para o cinema do famoso livro homônimo de Isaac Asimov; e causa estranheza quando o nome desse gênio da ficção científica não aparece nos créditos do filme. O que ocorreu na verdade é que Asimov foi contratado pela Batam Books para novelizar o roteiro de Harry Kleiner e Jerome Bixby; e acabou que livro foi lançado seis meses antes do filme, daí o embaraço. É meus caros, nem todas as grandes ideias em termos de sci-fi partiram do homem dos robôs; porém, entendidos afirmam que o livro é bem superior ao filme.Por sinal, o tema em questão é uma das poucas correntes da ficção que não me agradam; como dito no começo, pensar que alguém reduzido a tamanho microscópico está dentro de um outro ser vivo me causa bastante desconforto, e um pouco de náuseas também! Mesmo assim, o mote de Viagem Fantástica foi copiado à exaustão por diversos desenhos animados, e pelo menos um filme-paródia fez sucesso: Viagem Insólita, de 1987, com Martin Short, Dennis Quaid, Meg Ryan e dirigido pelo ótimo Joe Dante. O título em inglês, Innerspace, é um termo bastante repetido pelos personagens do filme de 1966.

Para os nostálgicos de plantão, uma notícia ruim: está prevista para 2010 uma refilmagem de Viagem Fantástica, hoje tido como um filme clássico. O fato é que alguém que entende de cinema, James Cameron, está na condução do projeto como produtor, e é bem provável que os efeitos visuais atualizados tragam uma nova perspectiva e uma aventura mais dinâmica. Afinal, estamos falando de alguém que nos brindou com alguns dos melhores filmes de ação das últimas duas décadas. Um diretor versado em filmes de fantasia já estava escalado, Roland Emmerich, e era um sonho antigo seu poder realizar este remake em particular; entretanto, divergências com Cameron quanto a utilização ou não do roteiro original de Kleiner e Bixby fizeram com que Emmerich desistisse do projeto para se dedicar à adaptação de uma outra conhecida obra de Asimov, Fundação.

Notas (numa escala de 0 a 5):

– Imagem: 3

– Som: 2

– Geral: 2.5

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