Crítica: UP – Altas Aventuras, de Pete Docter

Quando assisti Procurando Nemo (2003) no cinema caiu a ficha de que estava vendo algo que só poderia ter saído da mente de gênios. Apesar de já ter adquirido o status de chavão, afirmar que a Pixar Animation Studios é sinônimo de excelência em entretenimento nunca é demais. Wall-E (2008), e particularmente os Incríveis (2004), deixaram a sensação de que o talento, a criatividade, e o respeito à inteligência dos espectadores eram características que os responsáveis pela Pixar prezavam, e bastante. A dúvida depois da obra-prima que foi Wall-E era quando a Pixar viria com seu primeiro fracasso de crítica, por isso, até a estreia de UP – Altas Aventuras (EUA/2009), o receio dominava parte dos fãs e do público antenado. O medo, ainda bem, era infundado.

Surgida da divisão de animação da Lucasfilm e atualmente propriedade da Disney, a Pixar tornou-se a empresa bem sucedida que é hoje nas mãos de Steve Jobs; e desde o primeiro grande filme do estúdio, Toy Story (1995), o abajour saltitante vem emplacando sucesso atrás de sucesso. UP, apesar de não emparelhar com as grandes animações da Pixar, está longe de ser um filme menor. A história conta as aventuras do vovô Carl Fredricksen, no Brasil dublado pelo cearense Chico Anysio, que iça sua casa com balões de festa para uma viagem à América do Sul. Acidentalmente, ele acaba trazendo consigo o gordinho escoteiro Russell. Uma curiosidade é que o filho de Chico Anysio, Nizo Neto, que é um dublador veterano, também empresta sua voz para a versão brasileira, dublando o cachorrinho Dug.

O primeiro ato do filme, que mostra a infância e crescimento de Carl, é simplesmente genial. Emociona como poucos filmes de gente em carne e osso conseguem fazer hoje em dia, entretanto, após esse primeiro contato, a linha narrativa adotada pelo diretor Pete Docter nunca se desvia de um caminho reto, alternando momentos de ação aventuresca com situações engraçadas, sem surpreender o público em nenhuma situação. Entretanto, isso não significa que estamos diante de um defeito. Em nenhum momento nossa capacidade de compreender o filme é subestimada, e o roteiro de Bob Peterson e Pete Docter vai se desenrolando tranquilamente, afimando e construindo sua mensagem de esperança sem afobação ou viés didático, ao contrário do que víamos no final de cada episódio de He-Man, por exemplo. Ou seja, absorvemos as intenções dos roteiristas, refletimos após a sessão, e vamos para casa com a sensação de que ganhamos alguma coisa por esse tempinho dispendido na sala de cinema.

A imagem, grande trunfo das animações da Pixar, continua impecável. Apesar do caráter multicor de muitos dos cenários e objetos dispostos em cena, a platéia não sente a sensação de cansaço ou de stress visual, um problema recorrente nos desenhos da Dreamworks. Ainda, aproveito que estamos tratando do aspecto imagem para puxar um assunto que estive pensando por esses dias, e tem a ver com algumas das atitudes que os executivos de indústria cinematográfica tem tomado para tentar sair da maré de excassez de público da sétima arte. O filme da Pixar foi lançando em algumas salas do país com a recém-introduzida tecnologia 3D, citada na crítica anterior sobre A Lenda de Beowulf, onde o espectador assiste o filme usando óculos com lentes polarizadas. De fato, é interessante a percepção de profundidade criada pela tecnologia, porém, além dos cinemas estarem cobrando mais caro por sessões desse tipo, depois de alguns minutos de projeção tudo aquilo acaba deixando de ser novidade. Além do mais, é meio desapontador que existam poucas e empolgantes sequências de objetos saltando da tela e fazendo a gente tomar sustos, como há naquelas atrações de parques temáticos, onde a sala de exibição é especialmente projetada para a visualização em três dimensões. Me pergunto se essa nova onda, batizada pelos marqueteiros de Real-D, realmente vingará.

Uma outra dúvida, levantada ainda durante a projeção de UP, foi sobre a possibilidadede de inserção de legendas em exibições 3D. O trailer do novo filme de James Cameron, Avatar, está sendo mostrado antes de UP, e com legendas! Alguns críticos afirmavam que somente projeções dubladas poderiam acontecer, devido a restrições tecnol, deixando a tecnologia Real-D meio que relegada ao nicho das películas infantis. Aparentemente, as legendas em português mostradas na prévia de Avatar foram inseridas pelo próprio estúdio, não tendo sido realizada a legendagem em cor branca que normalmente vemos aqui no país. De qualquer maneira, a relevância da plataforma de exibição de UP – Altas Aventuras é mínima, seja ela qual for, é cinemão. Não deixe de ver: PPQ – Padrão Pixar de Qualidade!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4.5

Som: 4.5

Geral: 4.5

*O filme foi visto no Cinemark Botafogo (Sala Real-D), Botafogo Praia Shopping, Praia de Botafogo, 400, Piso 8, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ.

**Imagens: Rotten Tomatoes

***Trailer:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Deixe um comentário, ou trackback para o seu site.

2 Comentários para “Crítica: UP – Altas Aventuras, de Pete Docter”

  1. *C. Maciel disse:

    Ahhh, eu assisti UP e adorei! É um filme ótimo de assistir e diverte muito! xD
    Tipo… só achei meio triste em algumas partes, mas isso mostra que, como foi citado na crítica, “o filme emociona como poucos filmes de gente em carne e osso conseguem fazer hoje em dia”. Muito boa (a crítica) por sinal! xD

  2. Fábio disse:

    C. Maciel, obg pelas palavras! Os próximos lançamentos na Pixar são Toy Story 3 e Carros 2, porém antes vai ter o relançamento de Toy Story 1 e 2 nos cinemas, em 3D.

Comenta aí, traça!

Powered by WordPress | Free T-Mobile phones at BestInCellPhones.com. | Thanks to Verizon Wireless, Facebook Games and The diet solution