Crítica: Uma Noite Fora de Série, de Shawn Levy

De uns tempos para cá bastante gente de Hollywood tem feito a transferência do cinema para a televisão, aproveitando o boom criativo que a tela pequena americana vem experimentando. Mas, em Uma Noite Fora de Série (Date Night/EUA/2010), uma dupla consagrada da TV americana faz o caminho que seria o natural alguns anos atrás, ou seja, iniciam uma carreira no cinema após relativo sucesso televisivo.

Falamos de Steve Carell e Tina Fey. Carell, apesar de já ter estabelecido uma sólida carreira no cinema, ainda é bastante lembrado pela versão americana do seriado The Office. Já Tina Fey não é conhecida do grande público, do brasileiro principalmente. Porém, quem acompanhou o humorístico Saturday Night Live durante os nos 2000 conhece bem atriz, que despontou no cenário cômico nova-iorquino como roteirista deste programa; sempre bolando e implementando bons esquetes.

Os dois estão no filme de Shawn Levy, o qual tem sido apontado por uma parte da crítica americana como o ponto de estabelecimento de um novo rumo da comédia cinematográfica americana, orientação que já vem sendo tomada há alguns anos quando filmes como O Virgem de 40 Anos ou Superbad surgiram. Phil Foster (Carell) e Clair Foster (Fey) formam um casal de classe média que vive nos arredores de Manhattan, e passam por um momento de estagnação do casamento, no qual a necessidade de estar sempre conquistando o marido/esposa ou a euforia da paixão simplesmente deixam de existir; ou perdem o sentido, diante das obrigações com trabalho e filhos pequenos. Ou seja, a velha história da rotina casamenteira.

Na tentativa de proporcionar uma noite diferente para Clair, Phil decide levá-la a um restaurante da moda sem fazer reserva; obviamente uma idéia estúpida de acordo com as centenas de personagens de filmes que já tentaram fazer isso outras vezes. Uma atitude errada no restaurante, entretanto, faz com que o casal passe a ser perseguido por uma dupla de bandidos, rendendo pano para uma madrugada inteira de escapadas pastelonas. De fato, Uma Noite Fora de Série me lembra bastante alguns filmes cuja temática é bem parecida, como Uma Noite de Aventuras (1987), onde toda a ação transcorre durante uma noite.

Num ambiente saturado de comédias insossas, quase sempre paródias ou de cunho puramente romântico, não é de se estranhar que um filme estrelado por atores conhecidos pelo talento de arrancar risadas chame a atenção. É verdade, há alguns momentos bem engraçados, como algumas boas sacadas de Fey em algo que ela sabe fazer muito bem, analisar e exagerar estereótipos sociais. Contudo, os roteiristas não decidem qual filme querem contar: uma história com humor adulto e piadas que realmente deixariam adolescentes com um sorrido amarelo, ou uma aventura bobinha no estilo sessão da tarde, onde as coisas se resolvem da noite para o dia. A dificuldade de casar estas duas vertentes atrapalha um pouco a identificação do público para com o filme, e dilui um pouco o poder do humor. Este detalhe não torna o filme ruim, todavia.

Date Night é um encontro de pesos pesados da comédia americana, mas poderia ser melhor. Mas, ainda está bem acima da média, e pode funcionar como um passatempo de um domingo à tarde. Ah, e avisando às traças, ratos e baratas cinéfilos que nos próximos sábados estarei ausente por motivos acadêmicos, mas nada temam, a coluna continuará de pé com uma novidade. Até a próxima!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 3.5

Som: 3.5

Geral: 3.5

*Imagens: Twentieth Century Fox

**Trailer:

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Sem comentários ainda para “Crítica: Uma Noite Fora de Série, de Shawn Levy”

  1. Anderson Borges disse:

    parece bom o filme vou dar uma olhada =D

  2. Diego Flyfish disse:

    Andei ouvindo falar bem desse filme. Uma tia minha foi ver e adorou… Se ela não tivesse me indicado 2012 esses dias, eu até botaria fé! rs

    Mas fiquei curioso. Gosto de comédias que me fazem rir (a maioria não anda fazendo isso ultimamente… ¬¬).

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