Crítica: Transformers – A Vingança dos Derrotados, de Michael Bay

A primeira palavra que me veio a mente, ainda durante a projeção de Transformers – A Vingança dos Derrotados (Transformers – Revenge of the Fallen/EUA/2009), é “exagero”. Já na metade do filme estava cansado dos efeitos visuais, do som, da história previsível, das idiotices do personagem de Shia LaBeouf… Enfim, o novo filho de Michael Bay parece não ser um produto recomendado para maiores de 12 anos.

Advindo do mundo da publicidade e dos videoclipes, Michael Bay tem um estilo muito peculiar de filmar: cortes rápidos, câmera sempre em suportes e ação frenética. Gosto de compará-lo a um clone mal desenvolvido de Steven Spielberg (que por sinal empresta o nome à produção executiva do filme); Bay sabe filmar, tem demonstrado certo tino para cenas de ação, porém, ao contrário do mestre do cinema para as massas, os roteiros que decide transpor para a telona são fracos e muito frequentemente infantis.

A primeira adaptação da linha de action figures e desenhos animados da Hasbro, em 2007, parecia trazer consigo um diretor um pouco mais ambicioso. O filme tinha efeitos visuais legais, design de som eficiente e algumas boas piadas, tudo na dose certa para uma sessão de cinema despretensiosa. Parecia que o diretor de Bad Boys estava aprendendo, ficando mais maduro; porém foi só um alarme falso.

Desde a estréia do filme parece haver um embate entre aqueles que defendem que uma adaptação como essa tem sua razão de existir unicamente nas cenas de morfagem (Power Rangers?), e entre aqueles que necessitam de um pouco mais. Eu me encaixo na segunda orda. Nesta continuação, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) sai de casa para iniciar os estudos universitários (sabe-se lá em que curso), enquanto tenta manter o namoro com Mikaela (Megan Fox, extremamente voluptuosa!) e salvar o mundo junto com o robô bonzinho Optimus Prime de mais uma tentativa dos Decepticons de aniquilar o planeta; apenas uma pequena variação da história do primeiro filme. Como de praxe num filme de ação, os vários esteriótipos de personagens estão presentes, incluindo um elevado número de alivios cômicos, como a dupla de robôs engraçadinhos Skids e Mudflap e os papéis de John Turturro e Ramon Rodriguez, que entretanto, não funcionam de maneira eficiente. 

O que deveria ser o trunfo do filme, os efeitos visuais, não correspondem as expectativas. As transformações e as cenas de luta ficaram pouco nítidas, a satisfação visual que era proporcionada pelas mutações do filme de 2007 não foi repetida. O design de som, porém, continua impecável. Minha grande experiência cinematográfica, em termos sonoros, foi a primeira adaptação há dois anos; quem tiver a oportunidade de assitir o filme numa sala com sistema de som acima da média, até mesmo num bom home theater, poderá escutar cada pequeno detalhe das transformações dos robôs, cada engrenagem e parafuso encaixando nos lugares certos… Há todavia, como já citado, o bombardeio incessante de imagem e som, banalizando a nossa experiência enquanto platéia e tornando o filma cansativo.

Transformers, como uma adaptação de um elemento presente na infância de boa parte da platéia, não pode ser apenas um espetáculo de sensações visuais e sonoras. Deve, acima de tudo, divertir; e Michael Bay joga fora uma boa oportunidade de nos entregar um filme realmente legal.

Notas (numa escala de 0 a 5):

– Imagem: 4

– Som: 5 (sala com certificado THX)

– Geral: 2.5

*O filme foi visto no Unibanco Arteplex, sala 6 (THX Certified), Praia de Botafogo, 316, Botafogo, Rio de Janeiro.

**Imagens: www.rottentomatoes.com

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7 Comentários para “Crítica: Transformers – A Vingança dos Derrotados, de Michael Bay”

  1. Raphael Redfield disse:

    Fábio desculpa, mas eu discordo de você, achei o segundo filme bem melhor que o primeiro e acho que o diretor fez um ótimo trabalho.
    O primeiro eu nunca consegui assistir inteiro, sempre desencanava uma hora ou outra, já o segundo teve lances mais envolventes.
    Um dos problemas que vejo nesses filmes é que na transformação, você não consegui visualizar absolutamente quase nada, enquanto no desenhos, seja Transformers ou o Beast Wars ( tem gente que não sabe que é um Transformes com animais..rs ), você pode observar para onde vão as coisas, eu achei que o filme peca um pouco nisso, são muitos detalhes e assim como o primeiro as lutas algumas vezes se tornam confusas.
    Só que depois desse filme, não consigo imaginar um terceiro, não sei muito sobre o universo Transformers, por isso não vejo que futuro poderá levar.

  2. Fábio disse:

    opa redfield, pq desculpas? ehhe. As pessoas tem opiniões diferentes… Bem, acho que haverá outros filmes, a franquia é uma mina de ouro!

  3. Igor disse:

    Faço das palavras do Fábio as minhas. Desliguei o cerebro para ver “mais do mesmo”.

  4. Raphael Omena disse:

    Ah! Quem foi pra ver um filme com certeza se arrependeu! Eu fui pra ver uma demonstração bruta de efeitos visuais e, principalmente, sonoros. É um overload tão grande de informações puramente sensoriais que mal dá pra refletir, só reagir. Fico impressionado que Fábio tenha conseguido prestar mais atenção. Eu saí satisfeito! hehehe. Mas confesso que o primeiro filme foi mais impressionante na época (e mais “filme” também).

  5. Flyfish disse:

    Já tinha comentado em outra ocasião. Eu nunca fui fã de transformers (nem conhecia o desenho), mas achei que o primeiro filme seria algo mais sério. Pelo próprio trailer dava a entender isso… Me decepcionei porque esperava algo meio “Exterminador do Futuro”.

    Gosto de efeitos especiais, mas já não costumo ir ao cinema só por isso.

  6. Din disse:

    Concordo com a crítica, fiquei cansado e me decepcionei com o filme, o primeiro foi bem melhor !!!

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