Crítica: Top Gun – Ases Indomáveis, de Tony Scott

Três anos depois do relativo sucesso do vampirístico Fome de Viver (1983), o irmão do diretor Ridley Scott, Tony Scott, dirigiu aquele que até hoje é o maior sucesso de sua carreira, Top Gun – Ases Indomáveis (Top Gun, EUA, 1986). A presença de um astro em ascensão (Tom Cruise), junto com um casamento bem realizado de ação frenética com romance bobinho, tornam o filme diversão simples e garantida para quase qualquer tipo de gosto.

O filme mostra superficialmente a competição pelo primeiro lugar num curso de pilotagem voltado para a nata dos pilotos da Força Aérea Americana, onde maior atenção é dada ao personagem de Tom Cruise, cujo codinome é Maverick. A composição dos personagens é um desfile de chavões; além do mocinho, temos o antagonista chato (Val Kilmer), a instrutora bonita e que obviamente será o par romântico de alguém (Kelly McGillis), e o sidekick engraçadinho (Anthony Edwards, do seriado Plantão Médico). O elenco mais ou menos estrelado, que inclui ainda Meg Ryan e Tim Robbins (em pequenas participações), parece mais ou menos entrosado. A excessão é Val Kilmer, como sempre nos passando a impressão de que está deslocado ou pouco empenhado em trazer o espectador para a fantasia.

Talvez o maior motivo para que Top Gun seja bastante lembrado ainda hoje seja o caráter nostálgico que o filme exala. Um forte exemplo é a trilha sonora do filme, eternizada pelas baladas românticas da banda Berlin e pelos riffs oitentistas de Kenny Loggins. Outra, quem nunca foi a uma formatura onde Top Gun Anthem não fosse tocada? Essa música instrumental virou sinônimo brega de sucesso. Tecnicamente, o filme é muito bem realizado. Apesar de algumas sequências de ação aérea confusas, uma vez que a equipe de filmagem teve que obter tomadas de treinamentos reais com caças F-14 , ver potentes aviões de guerra fazendo manobras é eletrizante. De fato, depois de Ases Indomáveis, Tony Scott se especializou em produzir películas com elevados níveis de testosterona, abandonando o goticismo do início dos anos 80. Basta citar Dias de Trovão (1990) ou Inimigo do Estado (1998), bem como o ultra-mega-ótimo Maré Vermelha (1995). Cortes rápidos, máquinas possantes e muita ação estão presentes em todos estes filmes, o que aproxima o cinema de Scott do de Michael Bay. Não é uma novidade, uma vez que ambos diretores são cria do mundo da publicidade.

Em termos de roteiro, não há muito que discutir. Tudo é organizado de forma que o maior número de pessoas possa ser atraída ao cinema. Tom Cruise e o romance com uma mulher mais velha para agradar as moças, caças e mísseis rasgando a tela para que os rapazes não reclamem, e umas pitadas de humor para desopilar de vez em quando. Alguns pequenos problemas, entretanto, permeiam o filme. Cansa e parece infantil ver pela milésima vez o herói envolto com rastros deixados por um elemento paterno já ausente. Também fica difícil digerir que a excelência da Força Aérea Americana tenha sido formada na base do talento puro; a falta de uma maior abordagem acerca das dificuldades e percalços que envolvem a busca pelo conhecimento tanto técnico quanto prático deixa o filme extremamente raso.

Ah, mas e daí? O que importa é relembrar os bons momentos da Sessão da Tarde regadas a biscoito e vitamina de banana. Nada melhor do que um romancezinho só pra encher linguiça, e doses cavalares de caças atirando e entrando em Mach 1!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 3

*Imagens: FanPix

**Trailer:

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11 Comentários para “Crítica: Top Gun – Ases Indomáveis, de Tony Scott”

  1. Flyfish disse:

    Nunca gostei muito desse filme. Até vi recentemente para me lembrar melhor e me arrrependi! Acho que é filme pra sessão da tarde, na tv mesmo. Daqueles que você assiste enquanto tá no computador fazendo outras coisas.

  2. Anderson Borges disse:

    é, existem filmes piores que este…
    mas é um clássico

  3. Fábio Nazaré disse:

    A opinião de Tarantino:
    [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=vyN8VN4BSzM]

  4. Anderson Borges disse:

    XD

  5. X disse:

    Choro sempre que vejo esse filme =(

  6. Tarta disse:

    Um classico que não vale a pena ver de novo.

  7. Flyfish disse:

    “Um classico que não vale a pena ver de novo.”

    Hahaha melhor definição ever! rs

    Que filme é esse do Tarantino, Fábio? Lembro de ter visto algo no Tarantino’s Mind, mas não sabia em que filme era isso.

  8. Nancy disse:

    Nossa, Fabio, essa foi do fundao do bau hein? Trash! \o/ mas quando eu assisti (pirraia) me diverti pra caramba! ahahaha!

  9. Fábio Nazaré disse:

    @Flyfish: Pow fly, nem sei, valeuma investigação, hehe

    @Nancy: “Fazendo o futuro, sem esquecer do passado”, como diria um bom recitador de chavões, hehe

  10. […] como disse Fábio nessa crítica: Talvez o maior motivo para que Top Gun seja bastante lembrado ainda hoje seja o caráter […]

  11. Rafael disse:

    um dos melhores filmes que vi na vida!
    Até hoje as cenas aéreas são imbatíveis.
    Se perde um pouco no melodrama.

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