Crítica: The Walking Dead – Primeira Temporada

Pequenas traças, hoje temos uma crítica um pouco diferente, trataremos de um enlatado televisivo. E este enlatado é nada mais nada menos do que aquele que foi um dos principais eventos televisivos norte-americanos em 2010: The Walking Dead, o seriado que surgiu a partir de uma famosa série de quadrinhos e chamou a atenção dos fãs de zumbis do mundo todo; parte pelo investimento pesado em marketing, parte pela qualidade da série, a qual de fato não apresenta nada de novo, mas que teve uma primeira temporada curta e até bem divertida.

Apesar do elenco praticamente todo desconhecido, consequentemente sem forte apelo comercial, The Walking Dead se apóia em dois fortes pilares. O primeiro, a produção executiva de Frank Darabont, um bom diretor reconhecido por satisfazer muitos fãs de Stephen King com boas adaptações de obras desse escritor, como Um Sonho de Liberdade (1994) ou O Nevoeiro (2007). Uma história em quadrinhos de sucesso também serviu de suporte para o desenvolvimento do seriado. Contudo, por não estar familiarizado com a mídia impressa, apenas os aspectos que são mostrados na telinha serão abordados aqui.

O começo do seriado é muito semelhante ao início de um filme de zumbis bastante conhecido, talvez aquele que esteja mais enfatizado na mente do espectador mais jovem: Extermínio, de Danny Boyle. Após uma abordagem mal sucedida a um suspeito de um crime, o oficial de polícia Rick Grimes (Andrew Lincoln) é ferido, entrando num processo de coma. O protagonista acorda, tempos depois, em um mundo (ou pelo menos o estado americano no qual ele vive – a Geórgia) tomado por zumbis. Começamos a acompanhar, então, a luta de Grimes para reencontrar sua família, bem como a rotina de um grupo de sobreviventes nos arredores de Atlanta para não virar lanche de mortos-vivos.

Confesso que esse início totalmente chupado de Extermínio me deixou com um pé atrás com a série, inicialmente. Já deve estar claro neste ponto, se você não acompanhou o seriado, que não há nada de novo em The Walking Dead. Não há nada de inovador nem de extraordinário na série, como tentavam dar a entender, por exemplo, as inserções publicitárias no canal por assinatura Fox, canal este que transmitiu a primeira temporada no Brasil. O que, a meu ver, torna este seriado de zumbis em algo a ser assistido é o empenho com que todos os aspectos da produção são tratados; e quando eu digo todos são todos mesmo. Houve um claro cuidado na seleção de elenco, atores bons, todavia pouco conhecidos, que conseguem transmitir um senso de urgência necessário quando se tem uma temporada tão curta (sete episódios apenas); e tentam tornar tudo aquilo bem real e palpável, mesmo quando os diálogos mais piegas possíveis estão sendo recitados.

Por sinal, o aspecto “realidade” é uma busca incessante aqui. O próprio Frank Darabont, bastante experiente em termos de terror, afirma que apresentar uma história fantástica e assustadora transita muito pela forma como ela é apresentada ao espectador. Quanto mais você insere elementos de realidade e tenta passar aquele conto com características próximas do rotineiro, mais o espectador mergulhará na história. Nesse quesito, não só o roteiro atua na criação do universo desejado pelos criadores (roteiro comum e previsível, mas bem desenvolvido), mas também tudo o que envolve a inventividade daquele mundo estranho. Me refiro aos cuidados com certos aspectos técnicos, como por exemplo, o ambiente desolado das ruas de Atlanta vazias; ou o fenomenal, repito, fenomenal trabalho de maquiagem e animatrônicos. Não lembro de ter visto, em termos televisivos, um cuidado e um esmero tão grandes na concepção de zumbis críveis.

Claro, há alguns problemas. Quem já não se encheu da modinha de tentar explicar tudo o que antes era sobrenatural por meios científicos? Mas isso é irrelevante, se você gosta de terror, provavelmente se sentirá à vontade com The Walking Dead, e a primeira temporada curta funcionou bem, cortando o blá-blá-blá e indo direto ao ponto. Aguardando a segunda temporada.

*Imagens: Site Oficial da Série

**Trailer:

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2 Comentários para “Crítica: The Walking Dead – Primeira Temporada”

  1. Aiken Frost disse:

    “Claro, há alguns problemas. Quem já não se encheu da modinha de tentar explicar tudo o que antes era sobrenatural por meios científicos?”

    Então você vai gostar muito dos quadrinhos. Toda aquela parte relativa ao CCD que aparece na série é inexistente no original. Até onde eu lí a históría, pra lá do número 40, eles ainda não haviam explicado o que tinha causado a volta dos mortos.

    A série é ótima, mas os quadrinhos são melhores ainda.

    • Fábio Nazaré disse:

      Xii, pra eu chegar nos quadrinhos vai demorar ainda. Mas bom saber que neles a história está se desenvolvendo com mais calma, na TV tudo é muito rápido

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