Crítica: Super 8, de J. J. Abrams

O logotipo da Amblin Entertainment logo no começo de Super 8 (Super 8/EUA/2011) estabelece o tom do resto do filme. O novo longa de J. J. Abrams, sob a produção (eu poderia dizer até co-direção) de Steven Spielberg, reúne todos os elementos necessários para nos tomar pela mão e nos levar por um passeio nostálgico pelo mundo do cinema fantástico. Com claro foco em um público alvo que cresceu vendo os grandes épicos de Spielberg centrados em aventuras infantis e todo o mistério que envolve as situações extraordinárias vividas pelos pequenos, Super 8 ultrapassa a barreira do filme-homenagem para se tornar uma diversão completa por si só.

Fico triste. É melancólico entrar na sala de cinema e perceber que um filme tão legal tem sido tão pouco visto. Em todas as praças onde o filme estreou há relatos de sessões vazias, mas isso é algo compreensível. J. J. Abrams é um nome conhecido apenas em nichos específicos, e sem um elenco grandioso a marca Spielberg não consegue arrastar multidões aos multiplexes.
Dentre as milhões de produções às quais Spielberg empresta o nome, Super 8 é uma das poucas onde a mão do diretor está presente com nitidez. É verão de 1979 em uma pequena cidade do estado americano de Ohio, onde um grupo de pré-adolescentes se diverte produzindo um pequeno filme de zumbis usando uma câmera Super 8, para participarem de um festival de cinema. Em uma noite de filmagens, os garotos presenciam o descarrilamento de um trem da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos), fato que desencadeia uma série de acontecimentos estranhos na cidade e é o estopim da aventura no filme.
O que me deixa feliz é o esmero e carinho empregados em todos os aspectos da produção. O humor inocente e bem dosado, a reconstituição de uma cidade do interior americano nos anos 70, todo o clima de mistério que envolve os acontecimentos posteriores ao trem acidentado… Também, não esperava menos de J. J. Abrams, até hoje todos os filmes capitaneados pelo diretor vieram acompanhados com um selo de qualidade. E, além de despertar a saudade dos bons momentos da infância, Super 8 é também um filme de monstros, no melhor estilo Cloverfield.
Claro, sendo um filme com DNA spielberguiano, um pouco de dramas da infância não poderiam ser deixados de lado. O protagonista, Joe Lamb (Joel Courtney) tem a mãe morta em um acidente de trabalho, além de não possuir um bom relacionamento com o pai. Já Alice Dainard (Elle Fanning) sofre com um pai alcoólatra. Por falar nisso, a jovem Elle simplesmente chama toda a atenção para si quando está em cena, desempenhando um trabalho dos mais cativantes; algo muito diferente do que aconteceu com sua irmã mais velha Dakota Fanning em Guerra dos Mundos (2005).
Tecnicamente, o filme arranha a perfeição. Design de som e efeitos sonoros primorosos criam um sentimento de imersão raro, e são tão bem construídos que não parecem exagerados e opressivos como ocorre na maioria dos filmes de ação dos últimos 10 anos. Os efeitos visuais também são competentes, com apenas um deslize. Bem, não chamaria exatamente de deslize, mas talvez de falta de criatividade na concepção visual do monstrengo extraterrestre do filme; que de original ou diferente não tem nada.
Os Goonies, ET – O Extraterrestre, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, Conta Comigo, e tantos outros filmes que povoaram e ajudaram a formar nossas consciências cinematográficas estão um pouquinho representados em Super 8. Não se trata de cópia, nem de mais do mesmo… É tomar signos, símbolos e situações pelas quais temos boas lembranças e afeição para arquitetar algo novo e divertido. Fim da sessão, sorriso de orelha a orelha. Prestigiem!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 4.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Deixe um comentário, ou trackback para o seu site.

7 Comentários para “Crítica: Super 8, de J. J. Abrams”

  1. Ricardo Medeiros disse:

    Pow… muito boa a crítica. Certamente, a cada cena era uma volta a infância. E como vc disse, o filme lembra esses clássicos de aventura fantástica sem se tornar com isso uma cópia. O considero até melhor que que estes que vc citou. A única ressalva, mas que passa longe de ser um defeito (o monstro não é a coisa mais importante nesse filme), é o monstro pouco criativo.
    É um filme que nos deixa saudosos.

  2. SENPAI disse:

    Fabio vc e demais, te mandei uma pergunta pelo twitter, sobre o que vc achou de SUPER 8, eu esperava uma critica sua, mas isso foi melhor do que a encomenda, PARABENS MUITO BOM, e concordo com o RICARDO MEDEIROS, vc tbm mandou muito bem, um mega abraço pra todos fui…

  3. Burns disse:

    vi o filme ontem na companhia de minha esposa e mais 2 grandes amigos: @Bia e @TiagoVerde, e todos saimos da sessão com o sorriso bobo no rosto, por ter visto um cativante filme dea aventura, que apesar de algumas falhas sem importancia, nos transportou no tempo de uma maneira que só o olhar de Spielberg consegue fazer.

    Apesar dele estar apenas na produção do mesmo é impossivel não notar seu jeito de fazer cinema.

    Daria nota 5/5 fácil pro filme, e parabéns pela crítica Fabio, captou exatamente o que o filme transmite ao telespectador.

    • Fábio Nazaré disse:

      Fala Burns, ótimo comentário. Não dei 5/5 justamente por esses pequenos problemas, que esquecemos durante a projeção. Vi que boa parte das pessoas, na saída da sala, tinha esse sorriso bobo, bem legal!

  4. Diego Flyfish disse:

    Só agora assisti ao filme… Não diria que é um filmaço, mas é carregado de emoção e nostalgia mesmo. Me lembrou bastante Conta Comigo e Os Goonies, que é dada uma “missão” para os personagens e isso acaba ficando em segundo plano, mostrando os dilemas dos personagens.

    E conseguiu me fazer chorar duas vezes, tou evelhecendo e ficando mole. Hahaha

    Antigamente nem A Lista de Schindler conseguia isso.

    • Fábio Nazaré disse:

      A Lista de Schindler nunca foi parâmetro pra mim nesse sentido. A gente se emociona com aquilo com que se identifica realmente, que fez ou faz parte da nossa vida em algum momento, alguma situação que viveu parecida, etc…

Comenta aí, traça!

Powered by WordPress | Free T-Mobile phones at BestInCellPhones.com. | Thanks to Verizon Wireless, Facebook Games and The diet solution