Crítica: Soul Kitchen, de Fatih Akin

Ilustríssimos traças, ratos e baratas, hoje na Crítica de Sábado teremos uma resenha cuja autora é a fiel visitante do Gaveteiro Júlia Veras. A Júlia é jornalista, pernambucana de Recife, e frequentadora da Ilha do Retiro; ou seja, infelizmente é torcedora do Sport Club do Recife. Mas nem todo mundo é perfeito não é? Vai que é tua Veras!

Música, boa comida e dois dedos de non sense sempre podem fazer a vida muito mais  divertida. E é essa mistura que o espectador poderá encontrar em Soul Kitchen (2009), filme do diretor turco-germânico  Fatih Akin.  Uma coisa é fato: foi a primeira vez que ri de um filme alemão. O protagonista é o grego Zinos, imigrante que tem um restaurante de qualidade duvidosa – para dizer o mínimo – em um bairro do subúrbio em Hamburgo, na Alemanha. O estabelecimento, Soul Kitchen, foi assim batizado por conta da trilha sonora que embala o lugar.  A comida preparada por Zinos podem ser descrita como perfeita goroba, mas é apreciada pela sua clientela. Ele emprega um garçom que tem uma banda e sempre ensaia por lá, uma garçonete estilosa que sonha em ser artista plástica e ainda aluga um espaço para um marinheiro aposentado e rabugento que está sempre devendo o aluguel.<

Apesar de tudo, Zinos leva a vida numa boa. Mas quando sua namorada decide ir morar na China, a vida dele vai pro brejo de vez. O irmão, que é presidiário, pede para trabalhar de fachada no restaurante para conseguir benefícios na condicional.  Zinos contrata um novo e excêntrico cozinheiro que passa a preparar pratos sofisticados e “fazer comida com alma” no Soul Kitchen, mas que consegue ser um fracasso retumbante e esvazia as mesas do lugar. O grego também arruma uma baita dor nas costas que o impede de andar direito, e como se não bastasse, entra em cena um ex-colega de escola, hoje um corretor de imóveis mafioso, que se interessa em comprar a propriedade para demolir o local. Mas Zinos não quer se desfazer do lugar, que apesar de tudo, é a única coisa que ele tem. De repente, o que menos se espera acontece: o Soul Kitchen se torna um sucesso, referência de gastronomia e espaço para se dançar boa música. E é justamente quando tudo parece estar ótimo… que vai começar – adivinhem? – uma grande confusão!!!!!!!!!!!!

Não que “Soul Kitchen” seja nenhum primor de originalidade na sinopse, mas está longe de ser uma comédia qualquer.  Sem exceção, os atores têm ótimas interpretações, com destaque para o cozinheiro temperamental e especialista em manejar facas, que sempre toma a cena para si. Adam Bousdoukos, que interpreta Zinos tem uma cara engraçada só de existir e faz uma boa parceria com o ator que faz seu irmão, Moritz Bleibtreu. Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, o diretor Fatih Akin afirmou que sempre sonhou com a realização de uma obra unindo dois de seus atores favoritos, justamente Adam Bousdoukos e Moritz Bleibtreu. Mas, como eles tinham um tipo muito parecido, sempre tinha que optar por um ou por outro nos filmes. A solução encontrada por ele, então, foi escalá-los como irmãos. A inspiração para a obra veio do melhor amigo de Fatih Akin , que além de grego, era dono de restaurante. “Houve uma época da minha vida em que, quando não estava no restaurante dele, estava na balada”, comentou.

“Soul Kitchen” não parte para o humor besteirol, mas as situações são sempre as mais absurdas, de certa forma sendo até paródicas, ou seja, brincando com certos clichês típicos da comédia, e em menor grau, de filmes sobre gastronomia. Louquíssima a cena da sobremesa afrodisíaca (pode ser constrangedor ver com a sua família). Nada de grandes complexidades, a obra é perfeita para aquele dia em que aquilo o que você mais quer  da sua sessão de cinema – ou de vídeo – é diversão honesta, bons atores fazendo um mosaico de todo o tipo de gente e ótima trilha sonora de soul, que vai lhe render uma enorme vontade de sair para dançar. O filme lembra que a vida sempre vai ser bem melhor regada a boa música e que uma comidinha bem feita faz qualquer um mais feliz – principalmente, se for com a (ou as) pessoa (s) certa (s) do lado. Às vezes, diante de um grande problema, só resta a gente se divertir.

Por Júlia Veras

– Todas as cenas do filme são marca registrada de seus proprietários.

*Trailer:

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Sem comentários ainda para “Crítica: Soul Kitchen, de Fatih Akin”

  1. Anderson Borges disse:

    putz me convenceu a assistir hauhauhauha
    to rindo só de imaginar

  2. Júlia Veras disse:

    Vale a pena, Anderson. =)

    Agora, Fábio, é fato que o Leão do glorioso Sport mora no meu coraçãozinho, mas frequentadora é exagero, hahahaha. Sou uma torcedora mega-fuleira – só fui à Ilha uma única vez. Ao menos, foi para ver o Leão vencer o Náutico =P

  3. madinha disse:

    O filme me parece excelente, fiquei com vontade de assistir depois de ler, muito diferente do que se espera de um filme alemão.
    Julia você foi ótima na sua “estréia” espero que continue nos brindando com seu talento.

    Beijos

  4. Júlia Veras disse:

    Pôxa, que fofo Madinha =)

    Valeu!!!

    Beijos

  5. gabriel teixeira disse:

    nessa primeira foto, aquele no meio é o aiken rs

    • Aiken Frost disse:

      Hah! Parece mesmo, na época que eu tinha cabelo grande. Eu era até magro assim naquela época… =p

  6. Raphael Oliveira disse:

    Só de pelo fato de ser Rubro Negra me motivou…rsrs

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