Crítica: Robin Hood, de Ridley Scott

A insistência de Ridley Scott em filmar aventuras épicas o tornou bastante competente no assunto. Depois do ótimo 1942, Gladiador e Cruzada, o diretor inglês sabe mostrar na tela conflitos armados do ponto de vista dos soldados como poucos, mesmo quando o resultado é um filme chato (Falcão Negro em Perigo). Em Robin Hood (EUA, Reino Unido/2010) não é diferente, a milésima versão para o cinema do mito popular inglês é divertida e aqui Scott tenta apresentar em pouco mais de duas horas uma das variantes para o surgimento da mitologia saxã do bom ladrão um pouco menos fantasiosa, mas ainda assim impregnada pelo chamado heróico convencional.

Robin Longstride (Russell Crowe) é um dos arqueiros do exército do Rei Ricardo Coração de Leão, o qual morre numa das ofensivas bélicas durante o retorno à Inglaterra depois da investida no Oriente Médio. Até então, Robin é apenas mais um soldado cujo único objetivo é cuidar de si próprio e permanecer vivo, propósito bastante altruísta quando se vive no século XIII na Europa, onde quem não é um assassino, ladrão ou estuprador pode ser considerado um cidadão de bem.

O desejo de poder sem conteúdo e as manobras de governantes absolutistas contra a massa populacional extremamente pobre favorecem o aparecimento de alguém que personifica essa revolta popular, e todo o jogo político que acontece no meio do caminho é mostrado com clareza e dinamismo pelo roteiro de Brian Helgland, adaptando um fato pseudo-histórico para ser mostrado num filme de verão americano, ou seja, limando as partes tediosas.

Mas, do meio para o final, Robin assume o caráter heróico convencional de maneira bastante repentina. Crowe, com sua eterna expressão de cansaço, não ajuda na transição, e o filme pula de um conto quase histórico para uma apressada cruzada heróica recheada de diálogos que emanam vergonha-alheia, no estilo “I’ve got a bad feeling about this…”. Este percalço, todavia, não atrapalha a diversão, especialmente quando se espera um passatempo para o sábado à tarde. Apesar dessa citada quebra no ritmo, o filme é diligente e as já esperadas cenas de batalha corpo-a-corpo são bem filmadas – a marca registrada de Ridley Scott está lá – a sequência do mundaréu de flechas voando sobre o exército inimigo. Ainda, Scott sempre consegue trazer também um elenco de peso para atuar nos papéis de apoio, como William Hurt, Danny Houston, Cate Blanchett e Max von Sydow, o que é sempre uma atração à parte. Bem, nem tudo nas cenas de ação é perfeito, a cena onde Marion, a personagem de Cate Blanchett, lidera meninos montados em pôneis contra o exército francês se aproxima do ridículo.

Fora isso, é um filme épico de Ridley Scott característico. O indivíduo comum ou que pouco se importa com um escopo mais elevado se levanta contra um ser opressor mais poderoso para se tornar um herói que gosta de fazer discursos edificantes. Mas, isso não impede que se deixe a sessão com sentimento de dinheiro e tempo bem investidos. Bom fim de semana para as traças cinéfilas!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 3.5

Geral: 4

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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Sem comentários ainda para “Crítica: Robin Hood, de Ridley Scott”

  1. Marley Veras disse:

    “…mesmo quando o resultado é um filme chato (Falcão Negro em Perigo)”

    Fala sério…… Falcão negro em perigo é um filme chato?! Então não sei mais o que é chato e divertido! = (

  2. Tarta disse:

    Bom tb acho Falcão Negro em Perigo um filme meio chato.

    Ainda não assisti o novo filme do Robin Hood mas pelo que li em criticas anteriores eu entendi que a historia se passa antes daquele filme do Robin Hood onde o ator era o Kevin Costner(Acho q é assim).

    Achei bem interessante esse contexto do filme pois pouco se mostra sobre a historia antes daquilo mostrado no filme anterior.

    Como não assisti ainda não posso dizer se realmente o filme é fraco ou se o nosso amigo Nazareno é um herege desgraçado.

    Abraços

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