Crítica: Prometheus, de Ridley Scott

Havia muita expectativa pelo retorno de Ridley Scott ao sci-fi, potencial este criado em sua grande parte pelos fãs da série Alien, que esperavam em Prometheus (EUA/2012) uma revolução neste gênero tão carente de bons representantes. Todo este falatório desembocou em uma enxurrada de críticas mornas (muitas delas negativas), e, a meu ver, bastante injustas com um filme que é bem melhor não só do que a maioria das ficções científicas que aportam nos cinemas vez ou outra, mas também do que grande parte do que se vê na tela grande.

No final do século XXI um grupo de pesquisadores, ante a descoberta de inscrições milenares em várias partes do mundo que apontam para a existência de uma civilização extraterrestre, parte em uma expedição a um sistema solar distante na esperança de encontrar tais seres. Há, ainda, a suspeita que os ETs possam ter alguma relação com o surgimento do ser humano sobre a Terra. Esta é a sinopse básica, e quem possui alguma familiaridade com a série dos ETs assassinos sabe que muita coisa dará errado.

Discordo de grande parte das críticas ranzinzas que vêm acusando o roteirista Damon Lindelof e Ridley Scott de terem realizado propaganda enganosa. Ora, em nenhum momento, nenhuma peça de divulgação do filme dava a entender que teríamos algo que mudaria o curso da história cinematográfica. Grande parte das reclamações reside também na forma como os personagens do filme, cientistas de renome, interagem com os objetos de estudo, de forma aparentemente displicente. Ora, as análises partem quase que exclusivamente de pessoas que nunca tiveram um mínimo de contato com o processo científico. Antes de profissionais, aquelas pessoas envolvidas na maior descoberta da humanidade também são seres humanos, e estão passíveis de erros. Lembrem-se, por exemplo, do número de mortes que ocorreram durante o programa Apollo mesmo antes de a primeira nave sair do chão, devido ao descuidado e falta de atenção de engenheiros?

São estas quebras de protocolo que levam à derrocada da equipe da Prometheus. Há, todavia, uma série de acontecimentos que empobrecem o filme, principalmente em termos de narrativa. Quantas vezes já não vimos o roteirista apresentar um elemento ou fato, claramente sem objetivo algum num primeiro momento, mas que se revelará importante no futuro? É, e isso ocorre com frequência no filme de Scott, chegando a ser um pouco irritante. Vários aspectos bem recorrentes na literatura de ficção científica também são esmiuçados, como por exemplo, como se deu a origem da vida inteligente na Terra, como chegamos aqui, de onde viemos, motivações pouco claras de androides… A diferença é que Ridley Scott sabe como contar uma história conhecida de maneira original, desenvolvendo um ambiente tão estranho e claustrofóbico quanto o de Alien – O Oitavo Passageiro (1979), mas bem mais focado na investigação e nas questões filosóficas que a existência de civilizações inteligentes trazem para a humanidade.

Um dos grandes pontos de discórdia é que Lindelof, em um rompante Lost, prefere apresentar uma série de acontecimentos sem dar respostas fáceis. Assim como ocorre com o famoso seriado, a discussão permeia os momentos posteriores a uma sessão de Prometheus. A falta de resposta para muitas das teses levantadas pode até ser uma estratégia de marketing, mas só o fato de provocar a curiosidade e a vontade de buscar respostas através do debate já é algo bastante animador.

Com design de produção impressionante, o filme conta ainda com uma das cenas mais incríveis que o sub-gênero space-horror já viu, aquela na qual a Dra. Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) realiza uma auto-cirurgia. Mais agoniante impossível… Não vejo motivos para a birra com Prometheus. Longe da perfeição, mas ainda sim instigante, o filme é diversão inteligente. Fãs de ficção não podem deixar de ver na tela grande.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 3.9

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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10 Comentários para “Crítica: Prometheus, de Ridley Scott”

  1. Oliver Perez disse:

    Muita boa esta crítica ás criticas dos críticos, quem não se ligou no filme reclamou e caçou pêlo em ovo e no segundo seguinte esqueceu o filme. Já a galera que se ligou saiu do cinema com uma boa porção de teorias do que poderia ter acontecido até os eventos que culminariam no engenheiro morto de LV-426. Quem se ligou mesmo sabe que Prometheus é difícil de captar 100% da história visto que falta uma lacuna gigante que responderiam as perguntas não só de Prometheus mas também em um próximo filme. Mas há o problema do longa não ir lá muito bem e não justificar para os estúdios um sequência matando inclusive este filme que ficará em aberto.

    • Fábio Nazaré disse:

      É verdade. Mas será que nós gostaríamos de ver tudo respondido, tintin por tintin? Eu tenho uma certa curiosidade…

  2. ### pequenos spoilers no meu comentário ###

    Estava curioso para saber sua opinião. Fui ver o filme com média expectativa. Nem tinha procurado saber muito sobre o filme, acho que só tinha visto um trailer na sessão dos vingadores mesmo.

    Vou te falar que o filme me surpreendeu muito e também não entendi a chuva de críticas negativas. Até falar que o filme não supriu a expectativa de muita gente, eu entendo. Mas dizer, como vi por aí, que a obra merece uma nota abaixo de 5/10, me parece exagero.

    Adorei a expandida que o filme deu ao universo da série e todas as perguntas que ele nos faz questionar… Coisa que vi que muita gente não gostou, pois queriam respostas e não perguntas, comparando o filme à série LOST (que mais confunde do que esclarece).

    Mesmo sendo do mesmo roteirista, não sei se a comparação cabe perfeitamente em Prometheus. Estamos diante de uma ficção científica, o que é diferente de LOST (uma série focada em mistérios). As perguntas levantadas pelo filme não necessitam de uma resposta do diretor ou do roteirista, cabe a nós mesmos tentar achá-las.

    Você falou da crítica recorrente do público quanto ao tal biólogo “brincando” com o “bichinho”. Apesar de ter sido uma idiotice do cara, em nenhum momento isso me pareceu irreal como andam falando… Essas coisas acontecem, lembrando que o cara não estava em um abiente controlado para agir com calma. Ele estava perdido, em uma caverna alienígena e desesperado por saber que havia vida no local. Aquilo que ele fez me pareceu mais uma reação ao seu nervosismo do que pura igenuidade.

    Até a maquiagem do Guy Pearce que vi o pessoal do Rapaduracast falando que estava mal feita, que aquilo não parecia uma pessoa velha e tal, não me incomodou no contexto do filme, pois não sabemos o que o tal Weyland andou fazendo para prolongar sua vida e ter aquela aparência é algo aceitável, pensando dessa forma.

    Enfim, adorei o filme e até me tornei fã da série (ou melhor, do primeiro), que antes eu achava apenas legal. Pena que muita gente não gostou, pois queria que gerasse um hype legal.

  3. Cara e sou louco por Sci-fy, e pra mim um filme assim tem que ter diversos aspectos importantes.

    Vou listar.

    1° Gerar dúvidas o tempo todo. Acredito que o lance de ficção seja tentar entender aquilo e não saber, olhar e olhar e fica esquentando a cabeça. Tentando achar sentido.

    2° Enredo: O que eu mais avalio, eu fui assistir um filme de 2 hora e não percebi a hora passar! Isso me deixa muito alegre, pois eu só sugeri que estava na metade quando digamos eles saíram da pirâmide. Mas ele como um todo foi show! O que me deixou desgostoso foi descobrir que não é o mesmo planeta encontrado no 1° filme.

    3° O Final. Quando termina, eu tenho que sentir vontade de continuar sentado e ver o que acontece depois e em Prometheus isso aconteceu, fico pensando desde ontem quando fui ver em 3D, para onde a Dra Shaw foi no final, se ela chegou onde queria.

    4° Comparação com outros. Com relação a série como um todo, ´ pra mim foi um filme que pode se encaixar perfeitamente, se conectou de formo autônoma a série, sem que parecesse que os filmes antigos fossem antigos e sim continuações. O que não aconteceu com Star Wars no nova trilogia.

    5° Por fim análise para o tema: Em questão de ficção científica esse filme se encaixa perfeitamente no gênero que eu amo, tem tudo aquilo que eu prezo e espero de uma ficção, ser emergido em um universo diferente do nosso de como que você sinta a diferença em tudo.

    Eu sai do cinema já esperando o Box com os 5 filmes, DVD Duplo + CD Extras pra comprar, querendo pagar o preço que for por isso!

  4. Igor disse:

    Vou assistir essa semana!

  5. Igor disse:

    Pow, gostei do filme… Valeu o ingresso! Nota 3,5/5,0.

  6. Neto disse:

    De 0 a 10 dou 8, e olhe que me doi dar essa nota já que fã do ridley scott, a continuação já está para vim por ai.

  7. Neto disse:

    *correção 8,5.

  8. Ricardo Medeiros disse:

    Estava com grande expectativa em relação ao filme. Tinha gostado muito do trailer e achado o enredo bastante interessante. Geralmente quando isso acontece, vem decepção por ai. Para minha surpresa, não foi o que ocorreu. Tive minhas expectativas satisfeitas com essa ambiciosa obra de ficção científica. Já que praticamente todos os críticos o compararam com Alien, também o farei. Na minha modesta opinião, Prometheus supera seu antecessor (ou seria sucessor? hehehe) em todos os aspectos. A atmosfera de tensão é mantida e em alguns momentos aumentada – a cena da auto-cirurgia já entrou pra história do cinema. O enredo aborda temas de grande interesse pra o ser humano, como a origem e o sentido da vida, de maneira bastante coerente e criativa, levando a reflexão em alguns momentos, como raramente se vê no cinema. E esse tipo de questão é praticamente inexistente no filme Alien, que não passa de um bom filme de suspense. Até a protagonista do filme atual é melhor, a personagem de Noomi Rapace se mostra muito mais humana e carismática do que a de Sigourney Weaver. Sem dúvida, para mim, um dos melhores filmes de ficção científica já feitos. Como indagou meu amigo e crítico de cinema Fábio Nazaré, “Quantos filmes geram tantos debates hoje em dia?”. Poucos é a resposta. E Prometheus alcançou essa realização. Não entendo o porque de uma recepção tão negativa da crítica. Acho que esperavam que o filme respondesse a todas as perguntas da humanidade e explcasse qual o sentido da vida. O filme deixou questões em aberto, é verdade, mas respondeu outras tantas satisfatoriamente, e ainda deu margem para uma já aguardada sequência. De 0 a 10, uma valorosa nota 8.

  9. Ricardo Medeiros disse:

    Ah, não posso deixar de elogiar (mais uma vez) a grande crítica do nosso amigo Fábio. A única que eu li até agora que faz justiça a qualidade do filme.

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