Crítica: O Parque dos Dinossauros, de Steven Spielberg

Poucas coisas podem ser comparadas à experiência de ter visto O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park, EUA, 1993) no cinema. O filme é todo envolto por um clima de fantasia e pitadas nostálgicas, uma vez que pode ser considerado um dos últimos exemplares do cinema que causa impacto, e que levava milhões de pessoas às salas de cinemas localizadas fora dos shoppings centers não só para assistir, mas para interagir, se assustar e se emocionar com que está sendo visto na telona.

Essa obra-prima de Steven Spielberg, baseada no romance do grande autor do tecno-thriller moderno Michael Crichton (falecido em 2008), chegou aos cinemas no início da década de 90, e consolidou o CGI como ferrramenta fundamental na criação de histórias fantásticas desde então. Spielberg discutia com Crichton o argumento da série “Plantão Médico”, quando o romancista revelou que estava trabalhando num novo livro cujo tema seria a volta dos dinossauros. Spielberg imediatamente se interessou pela história, e foi assim que começou o desenvolvimento de um dos maiores filmes já produzidos.
A fábula gira em torno de um parque temático que apresenta como atrações dinossauros, revividos a partir de procedimentos de clonagem e de conceitos bastante plausíveis para quem não é da área. Crichton aproveitou sua experiência como médico-pesquisador para inserir um cientificismo adequado ao expectador comum, apesar de guardar uma distância considerável da realidade. Outro grande acerto do autor é situar o mote e a ação em um parque temático, representando uma modernização do conceito de atração circense de King Kong. Três cientistas (Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum) são convidados pelo dono do parque em questão, John Hammond (Richard Attenborough), para um fim de semana de visitação e avaliação da atração turística. Hammond espera obter opiniões científicas favoráveis ao empreendimento, de forma a acalmar a fúria de seus investidores, os quais apresentam preocupação acerca da segurança que o parque oferece aos visitantes.
Dois elementos combinados tornam Jurassic Park um filme diferenciado. O primeiro, a mão de Spielberg. Poucas pessoas saberiam mesclar de forma tão pungente a aventura pela aventura com uma história bem contada; só o diretor de ET – O Extraterrestre e Tubarão o conseguiria. O segundo, o trabalho fenomenal da Industrial Light & Magic, empresa responsável pelos efeitos visuais. A intenção inicial era implementar os bichanos através de técnicas melhoradas de stop-motion; porém, a tecnologia de animação computadorizada desenvolvida especialmente para o filme apresentou resultados bem acima da expectativa, fazendo com que a abordagem primitiva fosse abandonada. Assim, combinando o uso de CGI com animais mecatrônicos em tamanho real, os especialistas em efeitos visuais conseguiram criar animais extintos em um nível de realidade espantoso, e que ajudam a contar a história, não sendo a razão única de ser do filme. Hoje, dá pra contar nos dedos os diretores que se arriscariam a mostrar seres orgânicos computadorizados em plena luz do dia, e os técnicos da ILM ajudaram Spielberg a fazer isso 16 anos atrás. Ainda, é essencial citar a trilha do maestro John Williams, música que imediatamente cria um elo entre as diversas passagens de adrenalina e contemplação e as impressões do público.
O Parque dos Dinossauros lembra cinema bem feito, a busca pela excelência, e  assiti-lo é  um daqueles  momentos que nos deixavam boquiabertos quando crianças. Ver um T-Rex rugindo na telona pela primeira vez, no melhor que a Skywalker Sound pode oferecer, não tem preço.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 4.5

*Imagens: The Movie Picture Database

**Trailer:

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Sem comentários ainda para “Crítica: O Parque dos Dinossauros, de Steven Spielberg”

  1. Flyfish disse:

    Realmente foi uma coisa de louco assistir esse filme no cinema… me lembro que me borrava de medo desse filme, me assustava muito nas cenas com aquele dinossauro que soltava lama e os raptors!

    Muito bom mesmo. Deu vontade de assistir de novo. Pena que as sequências estragam a fama do filme… Aquele terceiro então, que eu só vi mais recentemente, é um lixo total.

  2. Júlia Veras disse:

    Lembro de ter ficado particularmente impressionada com uma cena, que acho que é do segundo, quando um t rex come um semáforo. E na hora, minha mãe virou para mim e falou, tão impressionada quanto eu: “Pôxa, como será que eles fazem isso?”. Nunca esqueci da cara de criança que ela fez naquele momento. Acho que Jurassic Park 1 e 2 foram meus primeiros encantamentos diante do mundo dos efeitos especiais. Ah, depois de Branca de Neve, claro, por motivos já explicados. 😛

    =*

  3. Tarta disse:

    Putz classico mesmo, tb tive o prazer de assistilo no cinema.
    Me lembro muito bem, pq havia ganho uma cortesia pra assistir a esse filme. 🙂

    Condordo com o Fly o Lost World ai da pra encarar, mas o 3 é um lixo.

  4. Fábio Nazaré disse:

    O 3 é triste realmente…

    @Tarta: cortesia? tem q rolar umas pro gaveteiro, haha

  5. Burns disse:

    Esse filme marcou minha vida de ‘cinéfologica’, sim acabei de inventar esse termo rsrsrs.

    O mundo perdido eh até legalzinho, mas nada se compara ao primeiro. Eterno. Já o 3º sem comentários realmente rs

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