Crítica: O Livro de Eli, de Albert e Allen Hugues

Filmes sobre cenários pós-apocalípticos em geral são um exercício de criatividade. A galhofa, como em Zumbilândia, funciona bem; porém quando se tenta imprimir certo nível de realismo o trem pode desandar, e foi o que aconteceu com Eu Sou a Lenda, com Will Smith. Em O Livro de Eli (The Book of Eli/EUA/2010) o conto da humanidade devastada é apresentado sem nenhum grau de novidade e com um pé em um subtexto quase pueril; porém é uma história bem executada e sustentada nas ótimas atuações de Denzel Washington e Gary Oldman.

Após uma guerra que arrasou o planeta, inclusive deixando seqüelas ambientais severas, os poucos sobreviventes vivem em bandos tentando não sucumbir à selvageria total. De fato, uma dificuldade recorrente que me acomete neste tipo de filme é encarar um panorama onde praticamente todo e qualquer rastro da cultura humana tenha sido eliminado por uma hecatombe. Este, porém, constitui o cerne da fita, e aceitá-lo é o primeiro passo para adentrar na história. Assim, um andarilho (Denzel Washington), extremamente habilidoso na arte de matar e proteger-se da bestialidade dos outros sobreviventes, luta para atingir o objetivo de levar um livro raro e cobiçado para um local seguro. Em seu caminho, o andarilho se depara com Carnegie (Gary Oldman), líder de uma comunidade e cujos desejos incluem expandir seu poder político para territórios além da pequena vila maltrapilha que governa.

Todos sabemos desde o início que o livro que Eli (o andarilho em questão) leva consigo é um exemplar da Bíblia cristã. É aí onde reside o perigo da película; é muito fácil pender para um dramalhão religioso-ocidental cuja base seja um ícone cristão capaz de “salvar o mundo”. Felizmente, a impressão que fica é o filme dos irmãos Hugues apenas flerta com estes aspectos, talvez até para abarcar uma platéia norte-americana bastante afeita a temas religiosos dogmáticos. O foco está em cima da jornada e da disciplina de Eli em busca de seu desígnio, bem como no embate com Carnegie, o qual pretender exercer domínio sobre os ignorantes por meio da religião.

A truculência de um mundo inábil e sem recursos naturais rende ótimas cenas de ação, talvez as melhores vistas no cinema neste ano. As cenas de luta, nas quais Eli se defende em geral usando uma adaga, são tão bem elaboradas quanto violentas, claramente anunciando que em O Livro de Eli é um filme onde subterfúgios religiosos fáceis não são o centro. Acerca do elenco, Washington não hesita em atuar com o afinco de sempre. Contudo, não há como deixar de lado o bom e velho Gary Oldman. Por mais que seja o seu milésimo vilão, e bem parecido com os 999 anteriores, ver novamente Oldman berrando e praticando crueldades não tem preço, que o diga o colega Flyfish.

O último ato, porém, é transcorrido com certo sofrimento. Um epílogo que por diversas vezes é adiado acaba por desembocar numa situação bastante previsível, minando as boas surpresas que o roteiro vai deixando ao longo do filme. Ou seja, o filme poderia ter em torno de 20 minutos eliminados, sem ferir a coesão e qualidade da obra. Um mundo de clichês e chavões, apesar de não atrapalharem a diversão, podem não ser muito adequados para os mais exigentes.

De qualquer forma, fazia um bom tempo em que não via um filme de Denzel Washington no qual me divertisse, até mesmo chegando a gostar em algumas partes. Não chega a ser um Maré Vermelha, mas garante divertimento e entretém. Tudo o que um filme de ação deve fazer.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 3

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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5 Comentários para “Crítica: O Livro de Eli, de Albert e Allen Hugues”

  1. Tarta disse:

    Putz Nazareno arrebentou. To doido pra ver esse filme.

    Curto muito o Denzel Washington e esse filme me remete ao Clássico MAD MAX.

    Mas venhamos e convenhamos, seu nivel de escrita ta f… viu ?

    HECATOMBE bixo ?? ahiuahiuaah descobri o significado dessa palavra quando a escutei em um RAP, e essa é a segunda vez que vejo alguem usando.

  2. Manu Agra disse:

    Assisti essa semana esse filme no cinema! Mt bom =p Mas tem umas partes meio previsíveis mesmo. Realmente é divertido.. pessoal do cinema n parava de dar gargalhada atras de mim kkkk

  3. Manu Agra disse:

    E as cenas de ação são daquelas bem mentirosas mesmo, ainda mais dps do q vc descobre no final :S Mas são mt bem feitas ^^

  4. Fábio disse:

    @Tarta: hahaha, hecatombe! Boa palavra para uma cantada hehe

    @Manu: tem uma partes engraçadas. se eles exagerassem mais um pouquinho, ficava igual ao kill bill

  5. Tarta disse:

    Pois é uma palavra que do Grego que significa Sacrifio de Cem Bois e tendo o significado real de sacrificio de várias vítimas, hoje usado para catrastofes ou genocidios.

    Putz me senti o Aiken agora 🙁

    Pelo menos tem o que puxar do assunto quando a mina perguntar. WTF ? o.O

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