Crítica: O Besouro Verde, de Michel Gondry

Conhecido por filmes bastante inteligentes, como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), o diretor francês Michel Gondry aporta nos cinemas neste ano com um filme um tanto quanto diferente do resto de sua filmografia. Falamos de O Besouro Verde (The Green Hornet/EUA/2011), adaptação desnutrida de um conhecido herói do rádio americano que nem o elenco competente e de certa forma famoso consegue alavancar. O filme de Gondry peca pela falta de viço e por ser mais do mesmo, espantando inclusive seus fãs fiéis que esperavam da adaptação algo além de uma aventura comum e bobinha de super-heróis (ou heróis, basicamente), mesmo quando o marketing da fita apontava claramente para uma adaptação convencional e bem centrada na aura do personagem nostálgico.

Britt Reid (Seth Rogen) é o filho bon-vivant do dono do jornal californiano O Sentinela Diário, interpretado por Tom Wilkinson, e é elevado à categoria de editor do jornal após a morte de seu pai. Mimado, e após uma noite de bebedeira junto com o competente ex-funcionário de seu pai, Kato (Jay Chou), Britt tem a brilhante idéia de sair à noite mascarado impedindo assaltos, no melhor estilo Kick-Ass. Sim pequena traça, junto com o side-kick Kato nosso protagonista se tornará O Besouro Verde. Herói caricato cujo fiel ajudante está mais para protagonista. Em sua jornada apalharmada de justiça, Besouro e Kato se depararão com Bloodnofsky (Christoph Waltz), criminoso-chefe da delinqüência em Los Angeles.

Acontece que Seth Rogen, aquele que deveria ser o responsável por prender a atenção do publico durante a projeção, parece não estar à vontade no papel. Rogen ficou conhecido devido a participações em importantes filmes do que se convencionou chamar de nova comédia americana; filmes mais escrachados, com grande teor de politicamente incorreto, mas sem escorregar para o exagero, o non-sense, e a idiotice das mais recentes comédias pastelão. Em O Besouro Verde, aventura focada no público adolescente, Rogen perde o seu mojo.

Britt Reid não tem carisma e sofre com falta de catarse que transforma o homem convencional no super-herói, daquilo que separa alguém que apenas tem os recursos para combater o crime (afinal, o cara é trilhardário) daquele que possui a gana para realmente fazê-lo. O próprio Kato, além de mais eficiente em termos combativos, também o é na relação com a plateia. Até o personagem de Christoph Waltz, mesmo sendo uma cópia mal-feita do Coronel Hans Landa (de Bastardos Inglórios), consegue estabelecer uma relação de empatia mais forte com o espectador. E assim o filme acaba não engrenando.

Com exceção de uma ótima sequência de perseguição de carros, os bons efeitos visuais não contribuem para criar nenhuma cena de ação mais impactante ou divertida. Concordo que existe a intenção de se apresentar o personagem neste primeiro momento para explorar histórias mais envolventes em continuações, mas nem por isso o filme precisa ser arrastado ou ser regado a piadas tão bobas. Ainda, enquanto desconstrução satírica do mundo dos heróis mascarados, Besouro situa-se numa região bem aquém do padrão de qualidade estabelecido por Kick-Ass.

Há ganchos para muitas continuações, e é bem provável que elas realmente aconteçam; contudo, espera-se que haja um pouco mais de cuidado tanto na construção do roteiro quanto na condução das atuações.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 3

Geral: 2.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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1 Comentário para “Crítica: O Besouro Verde, de Michel Gondry”

  1. xao disse:

    Eu gostei do filme!

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