Crítica: O Bem Amado, de Guel Arraes

A releitura do famoso texto de Dias Gomes, O Bem Amado, vem bem a calhar com o conjunto da obra e a história do diretor recifense Guel Arraes. Conhecido por ser responsável por grande parte do non-sense e das sátiras do cinema e televisão brasileiros, como TV Pirata, Armação Ilimitada, e Lisbela e o Prisioneiro, Arraes carrega o sotaque da paródia no conto do Odorico Paraguaçu dos anos 2000. Bem vindo em ano eleitoreiro, são repetidas as gags ágeis tão características de outros filmes de Guel, mas O Bem Amado sofre com a longa duração e problemas técnicos recorrentes no cinema brasileiro.

Como todos sabem, toda a história é centrada nas manobras políticas amorais do prefeito da nano-cidade de Sucupira, Odorico Paraguaçu, com o intuito de inaugurar sua obra faraônica: um cemitério superfaturado. Um fato, contudo, impede a inauguração da cidade dos mortos com toda a pompa – a falta de defuntos; o que é atribuído pelo próprio Odorico aos “ótimos” sistemas de saúde e segurança da pobre Sucupira. Está estabecelecida então a oportunidade para que sejam mostradas de maneira paródica todas as artimanhas e canalhices praticadas por 90% das pessoas que se envolvem com a política, sejam elas de direita, esquerda, centro ou qualquer denominação idiota que se queira dar para tendências ideológicas ultrapassadas.

O que realmente diverte em O Bem Amado é a histrionice de Marco Nanini. O político cínico que gosta de falar bonito e errado para impressionar as massas está exagerado ao extremo, nos discursos tem-se a impressão que uma veia do pescoço de Nanini vai explodir; lembrando bastante alguns políticos brasileiros torpes e folclóricos. O interessante é que, apesar do exagero, o público reconhece e identifica os códigos que são mostrados, quem nunca ficou ao ponto de arrancar os cabelos com a canalhice de muitos dos nossos representantes? Mesmo quase completando 50 anos, a obra de Dias Gomes permanece intacta na maneira como alfineta a forma como o brasileiro encara sua responsabilidade política e social. Estamos em 2010, e os mesmos políticos populistas, infames e sem conteúdo estão pululando por aí e manobrando a opinião das massas muito tranquilamente.

As artimanhas de Nanini, entretanto, não conseguem levar o filme intacto até o final. A longa duração e um roteiro que encontra obstáculos de cadência, principalmente no último ato, ajudam a tornar o filme cansativo. O filme também padece de um problema que aparentemente nunca vai deixar de existir no cinema brasileiro; é impressionante que a principal produtora da fita, a Globo Filmes, não consiga propiciar uma edição de diálogos decente. Em diversas ocasiões temos a impressão de estamos diante de um filme chinês dublado em Miami.

O Bem Amado não chega a ser dinheiro mal investido, contudo. Rende umas boas gargalhadas, e, se você quiser ir um pouco mais fundo, pode servir como lembrete do passado de alguns indivíduos que vão aparecer no horário político este ano. Fato curioso é que o filme foi rodado na cidade de Marechal Deodoro, em Alagoas, estado famoso por parir algumas das piores espécies de políticos que este país já viu. Como complemento a esta crítica, sugiro dar uma conferida na entrevista que o Gaveteiro realizou com Bernardo e Daniel Valença, realizadores pernambucanos que visitaram o set de filmagens de O Bem Amado e contaram algumas histórias divertidas dos bastidores; o link para essa conversa está no final do post. Boa diversão, e consciência na hora de votar este ano!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 2

Geral: 2.5

*Imagens: Galeria Oficial de O Bem Amado

**Trailer:

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1 Comentário para “Crítica: O Bem Amado, de Guel Arraes”

  1. Betania disse:

    olá!!!
    Tenho q fazer um tabalho do livro O bem amado.Preciso de ajuda para uma analise critica se alguem puder me ajudar.

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