Crítica: Monstros, de Gareth Edwards

COBERTURA DO FESTIVAL DO RIO 2010

MOSTRA EXPECTATIVA 2010

De uns tempos para cá houve algumas tentativas frustradas de retomar a era dos filmes de monstros, sepultada pelo Godzilla (1998) de Roland Emmerich. Exemplos elegantes e de qualidade surgiram, como Cloverfield – O Monstro (2008) e O Hospedeiro (2006); caracterizando um movimento que se revelou apenas fogo de palha. Monstros (Monsters/Reino Unido/2010) tenta pegar carona no sucesso destes dois filmes, mas poderia facilmente figurar naquela antiga série que de vez em quando surgia no Cinema em Casa do SBT, a Semana dos Monstros. Quem via aqueles filmes toscos até a alma, sabe muito bem do que estou falando.

A introdução é até interessante. Seis anos atrás, a Agência Espacial Americana descobriu evidências de vida no Sistema Solar, enviando uma sonda para coleta de dados e material possivelmente biológico. Na reentrada da sonda na atmosfera terrestre ocorre um acidente, exatamente sobre o México, e o material angariado se espalha por uma região que abrange a parte norte do México e o sul dos Estados Unidos. Pouco tempo depois novas formas de vida começam a aparecer, monstros gigantes que são combatidos pelos exércitos dos dois países e seguem temporadas de reprodução e migração bem específicas. Neste cenário, os protagonistas são o repórter fotográfico Andrew Kaulder (Scoot McNairy), e uma menina, que entendemos ser uma patricinha, Samantha Wynden (Whitney Able). Samantha, filha do dono da revista para a qual Kaulder trabalha, está na América Central; e o fotógrafo, trabalhando na documentação dos ataques dos bichanos, fica incumbido de trazer a garota sã e salva para os Esteites, passando, obviamente, pela zona de quarentena estabelecida na região onde os monstros habitam. Bem, só com essa descrição já dá para ter uma idéia do que vai acontecer…

Então minhas caras traças, mesmo com a falta de filmes de criaturas, não consigo entender a reação de boa parte da crítica estrangeira para com Monstros. Bastante elogiado, o filme tem problemas importantes, que abrangem tanto aspectos técnicos (essenciais quando se quer criar uma situação realista) quanto a escolha de elenco. Vejam, não estaríamos lidando com defeitos se o diretor aceitasse que está nos apresentando um passatempo típico da finada sessão do canal do Silvio Santos, ou seja, admitir e explorar o fato de que é uma produção com poucos recursos e fraca em termos de história. Todos nós riríamos e estaríamos satisfeitos. O que destrói a experiência é que todos os envolvidos parecem levar o filme muito a sério, aí meus caros, o que deveria ser tosco e virar cool acaba sendo ruim apenas.

Mas, vamos destrinchar esses defeitos. Primeiro, eu esperava ver efeitos visuais decentes. Não falo apenas de presenciar criaturas que parecem de verdade, mas de ver algo original, um design legal dos bichos. Distrito 9 e O Hospedeiro conseguiram fazer coisas muito boas com orçamentos modestos, mas o que se vê em Monstros não desperta a curiosidade em momento algum. Boa parte do filme é perdida com um desenvolvimento muito mal feito dos personagens principais, e começamos a nos perguntar onde raios estão os monstros do título criativo. Os bichos aparecem lá pela metade da projeção, e o diretor opta por repetir a velha máxima de quem tem pouco dinheiro para fazer seus filmes: criar a tensão mostrando muito pouco dos animais extraterrenos.

Acontece que Gareth Edwards não é Steven Spielberg. Todas as cenas que deveriam ser tensas são muito sem graça, os monstros sempre aparecem escondidos no escuro e não causam medo. E quando temos a oportunidade de realmente vê-los é uma decepção só, a criatividade decidiu não aparecer por aqui.  Ainda, o estilo pseudo-documental, com a câmera na mão, parece um artifício requentado e forçado demais. O roteiro vai se desenvolvendo aos trancos e barrancos, sem nenhuma química entre o casal principal, até que na sequência final somos brindados com uma cena na qual seria impossível carregar mais ainda o nível de vergonha alheia.

Os risos da platéia quando as luzes se acendem não é por que há algo engraçado. A tosquice enrustida é tanta que não há outra coisa a fazer, se não ceder ao riso involuntário. Bem, este é o primeiro texto da cobertura do Gaveteiro do Festival do Rio 2010, o maior festival de cinema do país. Fiquem ligados no blog, e não deixem de conferir as críticas de outros filmes que estão participando das mostras, resenhas estas que serão publicadas nos fins de semana vindouros. Também não deixem de dar uma olhada no restante do site, que este mês está recheado de mídias relacionadas com o mundo extraterrestre. Um bom fim de semana!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 2.5

Som: 2

Geral: 2.5

*Imagens: Rotten Tomatoes, Site Oficial do Festival do Rio

**Trailer:

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2 Comentários para “Crítica: Monstros, de Gareth Edwards”

  1. Alexandre Skywalker disse:

    Eu gostei bastante deste filme,principalmente pela método de não mostrar os monstros,e ainda por cima eu adorei os personagens,uma patricinha e um fotografo que só se importa com ela pois vai perder o emprego se não voltar com ela viva…O final foi bom…Pelo menos para mim.
    OBS:Eu gosto de filmes que ninguem gosta

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