Crítica: Mientras Duermes, de Jaume Balagueró

Mientras DuermesHá alguns anos tive a oportunidade de ver um filme espanhol de terror em uma sessão de meia-noite de sábado, sozinho na sala de cinema. Na época (e ainda hoje, um pouco) tinha certo apreço por esse tipo de experiência. Ora, conhecia Almodóvar, alguma coisa de Luis Buñuel (espanhol, apesar de naturalizado mexicano), mas não me lembrava de nenhuma grande menção ao cine de terror daquele país.

O filme visto naquela noite solitária era A Sétima Vítima, bastante cultuado em festivais de cinema fantástico, mas completamente ignorado pelo público em geral, inclusive por alguns fãs de cinema de suspense/terror. O indivíduo responsável por aquela pérola, que não era grande coisa, mas também não deixava a desejar, era um diretor catalão chamado Jaume Balagueró. O interessante é que em 2007 Balagueró, em parceria com Paco Plaza, deu início àquela que pode vir a ser tornar a melhor série de terror para a tela grande já produzida (na minha singela opinião) – [REC].

Assim, foi a com alguma expectativa que fui ver o novo filme do diretor em questão – Mientras Duermes (Espanha/2011), suspense no qual o tema sobrenatural é deixado de lado para que as lentes sejam totalmente focadas na selvajaria que pode surgir de uma mente exclusivamente humana. Acompanhamos o dia a dia de César (Luis Tosar), porteiro de um prédio em Barcelona que esconde, por baixo de uma fantasia de gentileza e celeridade, não só uma obsessão por uma das moradoras do condomínio (Marta Etura, lindíssima), mas um caráter psicopata avolumado.

Mientras DuermesToda a narrativa é contada do ponto de vista de César, fato que não me agrada muito. Vejam, há uma tendência a se desenvolver uma empatia pelo, digamos assim, “vilão”. Mas é justamente aí, na brincadeira com os sentimentos conflitantes, que o roteiro de Alberto Marini acerta. Apesar da repulsa às atrocidades cometidas pelo protagonista, o espectador acaba por, em alguns momentos, torcer pelo desfecho favorável à barbaridade, e engatilhar esse paradoxo na platéia não é tão simples. Especialmente porque todos estamos bem acostumados com um cinema ocidental (diga-se de passagem, hollywoodiano) onde, na grande maioria das vezes, as atitudes dos personagens não se situam em regiões de matiz cinza.

Isso, contudo, não torna Mientras Duermes um bom filme. Falta o viço e a agilidade de [REC], bem como o despertar do medo puro e simples que os bons filmes de suspense/horror conseguem impor sem grandes dificuldades. Há uma ou outra boa sacada de roteiro, apesar de algumas atitudes do protagonista parecerem – infelizmente não consigo encontrar uma definição melhor – de uma galhofa sem tamanho (e pouco críveis também), quebrando toda aquela atmosfera de impotência e angústia que havia sido criada tão arduamente.

Nem tudo está perdido. O resultado final, principalmente pelo último quarto da película, é até razoável. Balagueró e seus consortes aos poucos estão ajudando a desenvolver uma cultura de cinema de terror off-trash fora do eixo anglo-saxão, e geralmente com boas e renovadas ideias. O terror ibérico merece uma conferida.

Notas (numa escala de 0 a 5):

– Imagem: 3

– Som: 3

– Geral: 3

*Trailer:

Texto originalmente publicado no site Cine Masmorra

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