Crítica: Homens de Preto 3, de Barry Sonnenfeld

Em 1997 Barry Sonnenfeld e Steven Spielberg se uniram para levar às telas uma desconhecida Graphic Novel da editora Malibu, resultando num dos filmes mais originais da década de 1990: Homens de Preto. O sucesso daquele filme reside essencialmente na novidade que se apresentava naquele momento; tínhamos extraterrestres diferentes, humor bem encaixado e ácido, efeitos visuais de primeiríssima qualidade e uma estrela carismática e em ascensão – Will Smith. Ou seja, muito dinheiro ganho e plateias satisfeitas.  Quinze anos após este feito, e depois de uma continuação bem meia-boca, chega aos cines Homens de Preto 3 (Men in Black 3/EUA/2012), uma tentativa de novamente levar os fãs da série ao cinema e criar um novo público para os filmes dos agentes J e K, mas que patina em um roteiro confuso e aparentemente desenvolvido de forma desleixada.

Ora, quando as primeiras sinopses da continuação começaram a sair boa parte do público sentiu que existia a possibilidade de um bom filme estar por vir, visto o desastre que foi Homens de Preto 2, lançado em 2002. Nesta nova aventura o agente J tem que viajar no tempo, para 1969, impedindo que um novo vilão – Boris O Animal (Jemaine Clement) – assassine o agente K (Tommy Lee Jones) e mude o curso da história. Ou seja, viagens no tempo, visual sessentista… Parecia que algo realmente divertido aconteceria, infelizmente, este não é o caso.

Apesar dos bons números de bilheteria que Homens de Preto 3 tem feito, além do bom boca-a-boca que tem se criado em torno do filme, há uma série de problemas. E acreditem, eu realmente vou ver esse tipo de filme de coração aberto, espero um passatempo no mínimo legal, mas não foi o que aconteceu. Assim, vamos enumerar os motivos do meu desgosto, e talvez alguns de vocês concordem comigo.

Primeiro, o que era original e engraçado em 97 parece ter perdido a força. A grande maioria das piadas e situações cômicas do filme não retira mais que sorrisos de canto de boca, claro sinal de que as pessoas estão cientes de que aquilo foi uma tentava de humor, querem rir, mas não conseguem achar graça no que está sendo visto. Não dá pra se surpreender com uma boa gargalhada quando junto da piada vem um letreiro florescente gigante escrito “ISTO É UMA PILHÉRIA – HORA DE DAR RISADA”. As melhores situações, como por exemplo, a famosa tela da agência onde a atividade terrestre de alienígenas-celebridade é monitorada, são apenas fatos requentados dos outros dois filmes.

No começo citei rapidamente os problemas de roteiro. Em filmes de fantasia, regras de funcionamento para aquele universo que está sendo apresentado são construídas e posteriormente desenvolvidas. Manter e respeitar essas regras, por mais absurdas que sejam, é essencial para que para que o público mergulhe e se interesse por aquele mundo, e se a todo momento você  inventa artifícios mirabolantes e malfeitos para permitir que os protagonistas subjuguem os desafios aos quais se propõem tudo fica fantástico demais; isto a todo momento nos lembra que estamos vendo um filme bobinho, e logo perde-se o interesse. Vejam (spoiler alert!), os caras possuem uma aeroporto de extraterrestres, uma alfândega para seres interplanetários, naves espaciais e o escambau, mas para colocar um artefato de defesa na órbita da Terra precisam da Apollo 11? Era só pedir uma carona prum ET daqueles e tudo estaria resolvido… Ou seja, regras esquecidas para prover uma maior dinâmica à história e incrementar a motivação dos personagens, mas que por outro lado os tornam uns idiotas…

Um aspecto que, de certa forma, também me incomodou foi a excessiva menção a eventos e costumes exclusivamente americanos. Bem, você pode dizer “mas é um filme americano!”, concordo, mas isso, além de afastar quem não conhece ou não se identifica com aqueles signos, também revela o pouco cuidado para tornar o filme palatável para espectadores internacionais; os quais, diga-se de passagem, são geralmente responsáveis por mais da metade de renda do que é produzido em Hollywood.

Mas, não posso deixar passar em branco a excelência de Sonnenfeld na condução das cenas de ação e na interação CGI/live-action. Além dos efeitos visuais computadorizados muito bem encaixados, obra da Industrial Light & Magic de George Lucas, vale ressaltar o trabalho do gênio dos animatrônicos e da maquiagem Rick Baker, que neste filme beira a perfeição.

Acredito que MIB3 funcione muito bem para um público infant-juvenil, mas como pipocão para um público mais velho talvez não seja tão interessante. Me digam nos comentários se estou sendo ranzinza demais…

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 2.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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2 Comentários para “Crítica: Homens de Preto 3, de Barry Sonnenfeld”

  1. Limao disse:

    Olá respeito sua crítica, porem vou deixar minha humilde opnião, a série mib, não deve ser levada tão a sério, pois desde o primeiro filme ultilizaram de um assunto “galhofa” com um roteiro escroto, mas temos que concordar muito bem dirigido.
    Quando mib foi anunciado quantos anos tinhamos na época? é necessário parar e pensar, talvez rever o primeiro filme nos dias de hoje para poder enxergar o que foi dito acima, “galhofa” com roteiro escroto porem bem dirigido, mas deixemos o filme 1 de lado pois apesar dos “pesares” friso as aspas, foi um filme genial com idéias muito boas e um bom diretor, sabe porque apenas citei o 1º filme? para que nós possamos pensar e talvez concordar, que todos nós fomos pegos pelo “monstro” da expectativa, alimentamos uma expectativa muito grande e nos iludimos, criando um outro filme na nossa cabeça, bom eu achei o filme bem ao estilo man in black, minha nota para toda trilogia 4, para o 3º filme nota 4 porque? é galhofa com um roteiro escroto…

  2. Acho que não tem como comparar o 1° filme com suas continuações, porque ele foi bem interessante e o desenho que veio em seguida foi bem mais gostoso como continuação do que o segundo filme.

    Este 3 eu assisti e o que me agradou foi a história, um enredo pra mim todo certinho e que fez a viagem temporal ser cuidadosamente feita. Coisas que em outros filmes fica sem sentido em algum ponto.

    Sobre o lance dos terráqueos não usarem tecnologia de ponta como super naves espaciais, eu vou da teoria do mundo de Stargate. Acredito que os Aliens que vieram como amigos a terra nos derem tecnologia para viver e nos proteger e não para nos matar. Assim como os Asgardianos fizeram com os Tau´ri. Sobre o caso do uso da Apollo 11 foi uma junção ao meu ver de um modo de acrescentar uma cena de relação com o K e J(quem assistiu entendeu) e por um lado um modo de fazer com que o objeto fosse ao espaço secretamente.

    O filme eu achei fraco, mas gostei do enredo e como ele se desenvolveu, eu daria uma nota 7,0.

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