Crítica: Fuga de Nova York, de John Carpenter

John Carpenter é um cineasta mais do que subestimado. Dá pra contar nos dedos de uma mão os diretores que conseguem se estabelecer como artistas autorais, terem apelo comercial, e ainda conseguirem uma legião de fãs ensandecidos. Os filmes de Carpenter não são exatamente bons, mas abordam uma linha que vai da ficção científica/fantasia, como Starman – O Homem das Estrelas (1984) e Memórias de um Homem Invisível (1992), ao terror trash/non-sense de Christine – O Carro Assassino (1983) e Fantasmas de Marte (2001). Fuga de Nova York (John Carpenter’s Escape From New York/EUA/1981) ocupa uma posição de destaque na filmografia do velhinho, destacando-se como um filme de ação cult por apresentar uma realidade alternativa quase apocalíptica.

No filme, que se passa no ano de 1997, as altas taxas de criminalidade no final dos anos 80 levaram o governo americano a simplesmente cercar a ilha de Manhattan com um muro de 15 metros de altura e tornar o principal bairro de Nova Iorque uma imensa prisão. Os degenerados são simplesmente jogados lá dentro; não havendo guardas dentro do perímetro cercado, a polícia apenas monitora os arredores da ilha matando quem tenta escapar. O que parece uma premissa incrivelmente surreal e totalmente absurda é a Disneylândia dos amantes dos filmes de fantasia de baixo orçamento. Sem nenhuma explicação além desta que foi dada, o espectador já imagina o ambiente inóspito e tomado pela selvageria que assola a mega prisão de segurança máxima.

Snake Plissken (Kurt Russel, ator-fetiche de Carpenter), um ex-militar criminoso que está prestes a aumentar a população carcerária, tem a missão de resgatar o presidente americano que está preso por grupos rebeldes no interior da ilha. Premissa mais ilógica e clichê impossível. Ainda assim, Fuga de Nova York funciona como uma boa introdução à obra de Carpenter, justamente por não ir fundo no terror mais explícito e exagerado de A Coisa (1982) ou A Beira da Loucura (1992), nem ser bobinho como Starman. Ou seja, é um meio termo entre a bizarrice e o convencional.

Ainda assim, mesmo com um elenco recheado de lendas hollywoodianas, uma característica bem simbólica dos filmes de Carpenter impera: a canastrice. Lee Van Cleef (de Três Homens em Conflito), Ernest Borgnine, Donald Pleasence, Harry Dean Staton e Isaac Hayes (o chef das primeiras temporadas de South Park) parecem estar se divertindo bastante em papéis que fogem tão bruscamente da realidade. O filme encontra-se, porém, bastante datado. As cenas de ação são lentas e algumas delas chegam a ser engraçadas, dada a magnitude da tosquice dos efeitos visuais pré-CGI. A caracterização das ruas arrasadas e destruídas da Manhattan fictícia, contudo, é uma boa surpresa. Lembra bastante a sensação, obviamente guardadas as devidas proporções, de caminhar pela periferia de uma grande cidade brasileira durante a madrugada.

Fuga de Nova York é um filme rústico, abarrotado de lugares comuns e não resistiu à passagem do tempo. Mas e daí, é uma história tão incoerente que chega a divertir e desperta gargalhadas de tão trash. Não sejamos tão xiitas! Bom feriadão!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 3

Som: 2.5

Geral: 2.5

*Imagens: The Movie Picture Database

**Trailer:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Deixe um comentário, ou trackback para o seu site.

10 Comentários para “Crítica: Fuga de Nova York, de John Carpenter”

  1. Tarta disse:

    Realmente um filme das antrolas, bom mas prefiro não assistir de novo pra ele não perder conceito. 😀

    @ Fábio Quando vc cita, Kurt Russel, ator-fetiche de Carpenter. Seria algo como Tim Burton e Johnny Deep.

    o Tim faz papeis pensando no Johnny. Por falar nisso falta uma critica ou analise do novo Alice no País das Maravilhas.

  2. Aiken Frost disse:

    Cara, eu adoro esse filme! Aliás, meu avatar no Orkut é esse poster desde que eu tenho conta lá, isso na época que precisava ser convivavo ainda, hehehe.

    Ótima crítica, cara!

    • Fábio disse:

      É meu vei, e haverá uma refilmagem em breve.

      • Tarta disse:

        A refilmagem eu não perco

      • Aiken Frost disse:

        Rapaz… Não sei se eu quero ver essa refilmagem não. Parte do clima do filme era a tosquice da década em que ele foi feito, aquelas músicas com sintetizador até na alma, a Guerra Fria… Não vai ser a mesma coisa. =(

        Mas eu vou acabar vendo, nem que seja pra criticar.

  3. Fábio disse:

    rapaz é verdade, esqueci de mencionar os sintetizadores de carpenter, hhehye

  4. Me lembrei de dois exelentes filmes dele, mas pouco comentados que é o “Eles Vivem” e “A beira da loucura”, com seus elemntos trashs e clichês John carpenter consegue nos entreter muito bem.

Comenta aí, traça!

Powered by WordPress | Free T-Mobile phones at BestInCellPhones.com. | Thanks to Verizon Wireless, Facebook Games and The diet solution