Crítica: Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón

A ficção científica sempre foi considerada um subgênero cinematográfico, ficando relegada nas premiações a quase sempre se sobressair nas categorias técnicas. No entanto, grandes catarses observadas no mundo do cinema podem ser creditadas a filmes de ficção científica; como Guerra nas Estrelas (1977), de George Lucas; e E.T. – O Extraterrestre (1982); de Steven Spielberg. Viagens no tempo, exploração espacial e vida extraterrestre, manipulação genética, robótica e futuro catastrófico são alguns dos temas que já foram espezinhados à exaustão, e a impressão que se tem é que tudo o que já podia ser tratado em termos de futurismo já o foi.

Então, é com entusiasmo que ficções cientificas inteligentes, como Filhos da Esperança (Children of Men, Reino Unido/EUA, 2006), são recebidas. Os fãs do gênero, que normalmente são um público carente de bons e criativos filmes como Blade Runner (1982), ou mais recentemente Matrix (1999); têm a oportunidade de conhecer o trabalho de Alfonso Cuarón, diretor advindo da boa safra de cineastas mexicanos recente, que também tem como expoentes Guillermo Del Toro e Alejandro González Iñárritu. É interessante notar a característica que une esses três diretores, particularmente Cuarón e Del Toro, que é o arrojo visual de seus filmes. Del Toro, que também dirigiu o divertido Hellboy (2004), obteve sucesso de crítica com o ótimo O Labirinto do Fauno, sem dúvida um dos melhores filmes de 2006. Mas é Alfonso Cuarón que parece manter uma trajetória mais segura e mais diversificada.

Cuarón talvez seja mais conhecido do público brasileiro por filmes como o infantil A Princesinha (1995) e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004), filme este considerado o melhor das adaptações da série de livros sobre o bruxo-aprendiz. Assim, fica clara a importância que Cuarón dá à imagem. E algumas das melhores seqüências de 2006 podem ser vistas em Filhos da Esperança. O filme é uma adaptação do livro homônimo de P. D. James e transcorre na Inglaterra do ano 2027, quando a humanidade atravessa um período com total ausência de natalidade; não há crianças e as pessoas mais novas tem 18 anos, nascidas no final da década de 2000. A possibilidade da extinção da vida humana instaurou caos ao redor do mundo; o Reino Unido encontra-se muito próximo de uma Guerra Civil, com imigrantes sendo tratados como animais e atentados terroristas cometidos por grupos guerrilheiros. Eis que neste ambiente confuso Theodore Faron, interpretado por Clive Owen, um inglês com passado ativista, é encarregado pelas circunstâncias a ajudar uma garota (Claire-Hope Ashitey) que milagrosamente conseguiu engravidar. O filme é conduzido com maestria, com momentos de tensão intensa e humor sutil bem distribuído durante o filme. É também um bom drama, apesar de em determinadas situações os roteiristas Alfonso Cuarón e Timothy Sexton não terem conseguido fugir dos lugares comuns do gênero. Quanto ao elenco principal Clive Owen está bem como sempre, não canso de repetir que ele é um dos grandes atores, se não o maior intérprete, de sua geração. Michael Cane, apesar do personagem óbvio e caricato, também apresenta desempenho consistente. A maior decepção é Julianne Moore, que desde Longe do Paraíso (2002) não tem um papel à sua altura.

Filhos da Esperança não é um filme perfeito, mas é uma ficção científica muitas vezes acima da média. Reflexo dum momento histórico em que não se sabe ao certo que caminhos o ser humano tomará, Cuarón apresenta um futuro desordenado, contudo de forma não usual. Uma película inteligente, emocionante e de certa forma original. Todavia, a pérola do filme é uma curta, porém belíssima seqüência de batalha que deixaria o diretor de fotografia de O Resgate do Soldado Ryan, Janusz Kaminski, boquiaberto. Genial.

Notas (numa escala de 0 a 5):
– Imagem: 5
– Som: 5
– Geral: 4

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8 Comentários para “Crítica: Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón”

  1. Raphael Redfield disse:

    Nossa eu já vi esse filme várias vezes, muito bom, mas nunca assisti inteiro infelizmente, nem sabia o nome, agora sei….rs…mas é bom realmente muito bom, aconselho que vejam.

    Quanto ao Cuaron, eu odeio ele, apesar de dizerem que o treceiro Harry Potter foi o melhor, isso é pros não fãs da série e sim pros fãs que só depois de verem os filmes começaram a ler, ele esfaqueou o livro, perdeu muito da sua essencia, tanto que nos outros filmes o Expecto patronum não é um luzinha e sim um animal, como no original, sem contar o lobisomem medonho que ele criou, parecia mais um cachorro pelado…rs

  2. Aiken Frost disse:

    Mesmo com esses pontos, ainda acho “O Prisioneiro de Azkhwhatever” o melhor da série dos filmes, e eu li os livros antes do segundo filme sair, inclusive. Acho o Cuarón fantástico.

    Mas po##@, Fábio! Você não falou da parada mais genial desse filme, que são aquelas sequências enormes e sem cortes! Sacanagem!

  3. Evilzin disse:

    Aquelas sequências em tomadas únicas são fabulosas mesmo!

  4. Raphael Redfield disse:

    A primeira vez que assisti esse filme pensei.
    Nossa acham que o bebe é Jesus, hauhauahuahuaha
    Mas até que o filme tem todo um lado assim bíblico, o final, a nevoa, o cara como salvador, to com vontade de ver de novo =D

  5. Flyfish disse:

    Nunca li nenhum Harry Potter, mas achei o terceiro filme realmente bom. Os dois primeiros foram uma merda, sendo fiéis ou não ao livro.

    Nunca tinha ouvido falar desse filme! Achei a crítica muito boa. Mais um para a minha listinha de filmes, gostei bastante da trama!

  6. Fábio disse:

    heheh Aiken, citei o plano-sequência foda no finalzinho da crítica. Muito fodas esses planos mesmo!

  7. Cristiane Nazaré disse:

    Ai, fabinhooo!!! Ótima crítica!!!! Resenha muito bem escritaaa!!!!
    Meus parabensss!!!

    Continue escrevendooo!!!
    bjssssssss

  8. DANIEL BRASIL disse:

    ACLAMAM E ELOGIAM TANTO ESTE FILME PELA HABILIDADE DO DIRETOR E PELAS EXCELENTES PERFORMANCES DOS ATORES EM MOSTRAR FIELMENTE UMA REALIDADE QUE PODE ESTAR CHEGANDO. APESAR DE TUDO, O FILME DEIXA DEIXOU DE SER UMA OBRA MÁXIMA E, SIMPLESMENTE POR TER PEGO VÁRIOS ELEMENTOS DE ZERO POPULATION GROWNT, FILME DE 1973, UM PREDECESSOR ORIGINAL E INJUSTIÇADO PELO CRÍTICA E PÚBLICO. E O PODER DE FOGO DESTE FILME CONTAVA COM ATORES DO PORTE DE OLIVER REED E GERALDINE CHAPLIN. ALFONSO CUARÓN INVERTEU OS PÓLOS, ENQUANTO EM Z.Y.P, A DISTOPIA GOVERNAMENTAL PROIBIU A GERAÇÃO DE CRIANÇAS, EM CHILDREN OF MEN, HÁ O FENÔMENO DA IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRIANÇAS. O FILME É VÁLIDO, PORÉM NÃO É UMA PREMISSA ORIGINAL. ÓBVIO QUE NÃO É COMO EQUILIBRIUM, UM HÍBRIDO DESCARADO DE 1984, FARENHEIT 451 E LOGAN´S RUN. NÃO É UM PRIMOR DE ORIGINALIDADE, MAS A CORAGEM DE MOSTRAR A REALIDADE NUA E CRUA SOMAM MUITOS PONTOS PARA CUARÓN. DANIEL

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