Crítica de Sábado Especial: Resultados do Oscar 2010

SÉRIE OSCAR® 2010

Hoje daremos continuidade a uma discussão que começou no Fórum do Gaveteiro, iniciada pelo ilustre companheiro Flyfish. Mais um ano se passa para a mais famosa premiação cinematográfica, e em 2010 os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas buscaram fugir do lugar-comum que seria encher de estatuetas o filme com a maior bilheteria da história. A opção foi feita pela obra que apesar de maquiada por um tema bastante norte-americano, o belicismo e a corrente Guerra do Iraque, procura abordar fatos de caráter universal.

De fato, o Teatro Kodak em Los Angeles presenciou mais de uma cerimônia que já está desgastada. Avatar e Guerra ao Terror disputavam o centro das atenções; ambos são filmes medianos, porém, a película de Kathryn Bigelow apresenta carga dramática acentuada e é superior enquanto história sendo contada. Mas, a questão que permanece é, isso é suficiente para fazer um filme quase independente ser o maior vencedor numa premiação que avalia, acima de tudo, o desempenho de um projeto dentro da indústria cinematográfica? A meu ver, não. Avatar, apesar do roteiro fraco e diálogos banais, é espetáculo, e dos melhores. Quantos críticos e jornalistas não atentaram para o fato de James Cameron conseguir tirar de casa muita gente que não pisava num cinema há anos, além da maior bilheteria da história e do visual embasbacante. Não afirmo que os bichanos azuis causaram uma revolução cinematográfica como o fizeram Guerra das Estrelas ou o próprio Titanic, mas um filme que consegue trazer um sopro de vigor para uma indústria que agoniza frente ao levante da Internet e da pirataria não pode ser agraciado com apenas três prêmios, todos em categorias técnicas. Chamo a atenção, todavia, para os merecidos prêmios de som para Guerra ao Terror; o trabalho sonoro do filme é nada menos do que perfeito.

Fica também registrado o equívoco da Academia não considerando Bastardos Inglórios como forte candidato aos principais prêmios. O ótimo filme de Quentin Tarantino sobressaiu-se apenas na categoria de Melhor Ator Coadjuvante para Christoph Waltz. Os membros votantes, apesar do forte viés judeu, geralmente são conservadores, e o carimbo de Tarantino com certeza não se encaixa no que se acredita ser um filme de guerra corriqueiro. Por sinal, se Waltz não levasse a estatueta a credibilidade do Oscar® seria bastante arranhada; entre os concorrentes ao prêmio o único que poderia oferecer algum risco é Stanley Tucci, por Um Olhar do Paraíso, mas justiça foi feita.

Passeando por alguns filmes que correm por fora, é importante mencionar os prêmios de UP – Altas Aventuras, que além de se consagrar como melhor animação do ano (o que já é uma redundância em termos pixarianos) também amealhou a estatueta de melhor trilha sonora original.  A incansável Sandra Bullock, teve sua batalha de vários anos de canastrice em Hollywood recompensada pelo prêmio de melhor atriz pela atuação em Um Sonho Possível, mais um draminha mela-cueca que tem sido elogiado por parte da crítica.

Finalizando nossa rápida discussão, não podemos nos esquecer daquela categoria que o cinema nacional tantas vezes já almejou. Mais uma vez a Argentina se estabelece como o país que detém a produção cinematográfica mais proeminente da América Latina, tendo o filme O Segredo dos Seus Olhos, do experiente Juan José Campanella, vencido o embate para melhor filme em língua estrangeira. O mercado de cinema argentino pode servir de norte para a produção brasileira em termos de qualidade, uma vez que realização no Brasil ainda precisa galgar muitos degraus para atingir uma quantidade de predicados razoável. Bem, aguardemos o próximo ano para fazer nossas apostas, e até semana que vem!

*Imagens: Terra Cinema & DVD

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Sem comentários ainda para “Crítica de Sábado Especial: Resultados do Oscar 2010”

  1. Tarta disse:

    Boa critica Fábio, realmente foi uma premiação cheia de supresas esse ano.

  2. Júlia Veras disse:

    “Mas um filme que consegue trazer um sopro de vigor para uma indústria que agoniza frente ao levante da Internet e da pirataria não pode ser agraciado com apenas três prêmios, todos em categorias técnicas”.

    Fábio, dei uma viajada na tua colocação, já que, de fato, é no aspecto técnico que o filme se destaca – e somente nele. Concordo em relação ao fato de que ele levou um público imenso ao cinema e foi um marco na história do 3D no cinema, mas não acho que somente isso seria argumento para classificá-lo como melhor filme do ano. “Avatar” é tecnicamente muito bem feito, divertido e tudo mais, mas nada além disso.

    Como vc já cansou de ouvir de mim, na minha opinião, o injustiçado foi o “Bastardos…”. Dos listados, sem dúvidas, o melhor. Filmão.

    Beijos!

  3. Fábio disse:

    @Menina Veras Mangá: Concordo com você, mas a premiação americana leva muito em conta o desempenho do filme no mercado, ou seja, é meio que uma mescla entre o aspecto comercial e o artístico… Vendo por esse lado, Avatar poderia ter se dado melhor. bju!

    @Tarta: gostei da premiação de maquaigem para star trek, muito legal o filme!

  4. Júlia Veras disse:

    Baby, independente. Estruturalmente, “Avatar” é ruim que dói. Acho que foi o pior roteiro que vi em tempos. E olha que me diverti bastante vendo, e que tb gosto do irmão mais velho, “Titanic”, embora, obviamente, ache o oscar de melhor filme prá lá de injusto.

    Ainda bem que foi Mangá 😛

    Beijos.

  5. Fábio Nazaré disse:

    Acho melhor manter o mangá mesmo hahaha

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