Crítica: Contra o Tempo, de Duncan Jones

Fiquei bastante surpreso ao assistir ao primeiro longa de Duncan Jones: Lunar. Este filme era uma ficção científica simples, mas muito bem articulada. Filho do cantor David Bowie, Duncan tem sua primeira grande chance no mainstream hollywoodiano com Contra o Tempo (Source Code/EUA, França/2011), mais uma incursão no gênero sci-fi. Confesso que não tinha esperanças de que o filme pudesse ser uma obra-prima, nem que seria ruim, na verdade não mantinha expectativas. Mas se não é perfeito, Contra o Tempo surpreende por ser uma ficção bem contada e que se afasta da banalização que o gênero sofre quando se quer adicionar uma dose grande ação em detrimento do pensar.

O piloto de helicópteros do exército americano Colter Stevens (Jake Gyllenhaal, o eterno Jimmy Bolha/Donnie Darko) acorda em um trem de passageiros com destino a Chicago. Logo percebe que, atônito, acabou por assumir a identidade de um homem desconhecido, um professor primário. Estarrecido pela situação, Colter não pode fazer muito, pois em 8 minutos uma bomba explode no trem e o soldado se vê agora em um tipo de cabine com controles e telas, por onde interage com outras pessoas aparentemente da Força Aérea, em especial a agente Goodwin (Vera Farmiga). Neste momento da trama estamos tão confusos quanto o próprio Colter, e o texto de Ben Ripley muito bem conduzido por Jones nos faz idealizar uma gama de situações pelas quais o protagonista possa estar passando, mas só quando o fim do filme se aproxima que vamos entender por completo a situação, e isto é muito bom.
Logo Colter, e a própria platéia, percebe que não está participando de um treinamento militar, uma vez que Goodwin consegue enviá-lo novamente ao cenário do trem, exatamente na mesma situação de momentos atrás, com o intuito de descobrir quem é o responsável pelo atentado terrorista. Não se trata de realidade virtual, tudo é muito real. A partir daí se desenvolve um thriller bastante envolvente, e que, acima de tudo, não deixa você inerte em momento algum.
Ora, histórias como essa já vimos algumas vezes. Quem não se lembra daquele filme da sessão da tarde onde o indivíduo sempre acorda no mesmo dia, ou quando o protagonista se vê no corpo de outra pessoa… O filme de Duncan Jones apenas se inspira nesses conceitos para criar um sci-fi com pitadas fortes de originalidade e um suspense bem interessante; inclusive adicionando temas científicos em voga – mas geralmente muito mal-explorados – como noções de mecânica quântica, sem pender para a idiotice da auto-ajuda.
Naturalmente, não se deseja apresentar um tratado de física, mas sim um filme divertido. Ou seja, há uma quantidade considerável de besteirol científico para justificar o que se vê na tela, mas que funciona bem em se tratando de um filme que se baseia em possibilidades, e não fatos. São abordadas também, mas de forma sutil, questões um tanto quanto raras em filmes de ação que pretendem ser um passatempo, como por exemplo, limites éticos da pesquisa científica. Ou seja, a velha pergunta que sempre permeia o subtexto batido da ciência no cinema é levantada, e ao mesmo tempo respondida: quantos têm que se sacrificar por um bem maior?
Ainda, há a necessidade de tornar o protagonista – a pessoa através da qual mergulhamos na história – alguém com quem nos possamos identificar. Poucas pessoas vão ao cinema para ver algo pesado, e às vezes até maçante, como por exemplo, 2001 – Uma Odisséia no Espaço, do mestre Stanley Kubrick. Dessa maneira, são inseridas no roteiro situações de conflitos amoroso e familiar com os quais Colter tem que lidar, o que soa como algo bem requentado, mas que não chega a atrapalhar o andamento do filme.
Duncan Jones é um nome a ser guardado. Não duvido que estejamos presenciando o surgimento de um grande diretor não só de ficções científicas, mas de grandes histórias. E percebam, não é fácil trazer este gênero para o grande público de forma ao mesmo tempo inteligente e divertida. E Jones, até o momento, o tem feito com louvor.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 4

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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30 Comentários para “Crítica: Contra o Tempo, de Duncan Jones”

  1. Lia disse:

    Adorei o filme! =D

  2. E! disse:

    3,5/5

    SPOILER:
    Gostaria que o filme tivesse acabado no quadro onde ele beija a moça e todos no trem estão rindo. Bonita cena.

    • Fábio Nazaré disse:

      Bem maneira mesmo, mas até que achei bem legal o que aconteceu depois também. Um pena que o filme tenha entrado em poucas salas, em poucas praças.

      • Rafael disse:

        Alguem pode me explicar o que acontece depois do beijo?
        Eu entendi que a capitã ‘matou’ ele no final… e depois ficou meio confuso. A 2ª vez que aparece o corpo dele bem no final, ele foi mantido ‘vivo’ ali pra continuar no codigo fonte ou o q?

        Ficou confuso pra mim.. gostaria que terminasse no beijo tb.

  3. jiu jitsu disse:

    Pois é final confuso mesmo, o que acontece, ele se torna outra pessoa ele se torna o misterioso professor primário, tipo ele continua no mundo real onde o pai dele vive? E quando reativarem o programa sera uma outra personalidade dentro ca mente do capitão? Filme doido, mas se me prendeu e me deixou confuso ta bom !

  4. Nicolas disse:

    Imaginem uma linha do tempo… qndo ele entra no source code e volto pro passado no corpo do sean é criada uma realidade alternativa e paralela, e quando ele morre essa realidade, ou dimensao, ela se acaba pois ela so existe porque ele ta lá.Quando a Goodwin mata ele antes de acabar o tempo daquela dimensao a dimensao continua a existir criando um novo “mundo” como ele diz no final do filme, onde ela vive no corpo do Sean mas com a mente do capitao Stevens! louco nao ?! rsrs

  5. Marcos disse:

    Sean morre no trem na REALIDADE 1, Capitão “morre” na REALIDADE 1, a capitã se fode na REALIDADE 1, Christina morre na REALIDADE 1. Ja na REALIDADE 2 (Codigo Fonte) ainda existem todos os personagens: Sean, Colter(Capitão), Christina, capitã, enfim todos… O detalhe eh q a “alma” do capitão esta agora comandando o corpo de Sean e TAMBEM seu proprio corpo q vai começar a passar pelo o sistema de codigo fonte como ele havia passado na REALIDADE 1, a diferença entre as duas “almas” na REALIDADE 2 eh que a q habita o corpo de Sean esta vivendo na REALIDADE 2 mas com a mentalidade da REALIDADE 1. Ja o conjunto corpo e “alma” do capitão na REALIDADE 2 passaria pelo mesmo processo (codigo fonte) e se descobrisse oq descobriu na REALIDADE 1, entao varias realidades poderão ser criadas, 3, 4, 5 ! EU intendi +- isso galera 😀

  6. Hosana Kelly disse:

    Cara “entendi” td q vc disse tu explico o filme interinho…kkk

  7. André disse:

    Na verdade tudo se resume a quando a Capitã mata o Capitão antes do tempo dele acabar no Código-Fonte o que faz com que ele não “morra” no trem e então aquela realidade na qual ele está seja “eterna” e o Capitão assuma o corpo do Sean pra sempre porque o tempo não acabou. Ou seja essa nova realidade tem todos os personagens do filme incluindo o Capitão que está lá no código-fonte pela metade como se tudo aquilo não tivesse acontecido.

    Por ai, é confuso mesmo.

    Mas eu só entendi porque o Marcos ali explicou kkk

  8. André disse:

    karaaaaaaa
    muito bommm
    vim loko procurar resposta sobreo final do filme
    to meio confuso
    mais espero que tenha outro exlicando melhor e tals
    e que tenha umfinal feliz tipo de verdade que aquela metade dele seila morre e ele só viva a vida do professor tipo na realidade e tmb que ele acabe com o progama militar tmb
    mais com amente do capitão dae seria um bom final maispoxavida

  9. luan disse:

    O inportante é que ele esta vivo : )

  10. felipe disse:

    AXO Q NAO E BEM ISSO ! NAO SAO DUAS REALIDADES !! NAO SAO DOIS MUNDO ! PQ NO FINAL ELA LE A MSG NO CELULAR ! COMO ELE MANDARIA UMA MSG DE UM MUNDO PARA OUTRO COM O CELULAR ! O FINAL FICOU MUITO CONFUSO ! :s

  11. paty * disse:

    CARACA…to meia confusa até agora 😛

  12. frango disse:

    puxaa…filmaço, mais chego no final fiko meio confuso mesmo.. como todos ae acharam. Maas ‘acho’ q deu a entender melhor com oq o andré ae disse…acabei de assistir aki, mais vou assistir mais umas vezes pra entender melhor =D.

  13. maisa disse:

    nossa , meu filme travou bem no fim qndo ele ia beijar ela , alguem pode me contar os detalhes do final? por favor.

  14. Daniel disse:

    rsrsrs
    Acabei de assistir ao filme e corri pra cá pra entender o final.
    O André mandou bem nas suas “realidades”. Mas a coisa complica, quando a capitã recebe a mensagem!
    O que acontece? As realidades se entrelaçam?

  15. Eu quero saber é: como ele vai controlar dois corpos na realidade 2?

  16. A realidade 1 continua existindo então? Se ele não tivesse morrido a realidade 2 não existiria, será? kkkkkk

  17. Kaiani disse:

    Filmão no inicio do filme era um cara no final saiu 1 e meio aoisjaoisjoajsa’

  18. Tavinho disse:

    Na verdade a mensagem q ela recebeu no final ja faz parte da realidade 2 onde esta a mente dele no corpo do cara pois quando ela recebeu a mensagem foi antes do acidente que o proprio acabou nao acotecendo, na realidade 1 ela ja tinha desligado a mente dele e tudo ja tinha acontecido, resumindo só estou querendo dizer que a mensagem q ela recebeu foi na realidade 2.

  19. bia disse:

    quem conhece um filme em que um homem casado pega um trem para ir ao trabalho, durante a viagem o trem vai para uma cidade do passado, os passageiros estão trajados com roupas de época e um senhor negro que trabalha no trem tem um relógio de bolso,nesta cidade acho que tem uma gráfica ou jornal que vai explodir e matar uma viuva ppela qual ele se apaixona, entre idas e vindas do presente ao passado, este senhor negro do trem diz a ele que terá de optar onde ficar, acho que foi assim, quem pode me dizer o nome deste filme?agradeço desde já.

  20. Vanessa Santana disse:

    Tudo se explica com a física quântica. Ela explica a dualidade da vida do capitão. Vejam este link:

    http://pt.wikibooks.org/wiki/F%C3%ADsica_quântica_para_crianças/O_que_é_f%C3%ADsica_quântica

    • Fábio Nazaré disse:

      O filme é uma ficção científica. Já a dualidade onda-partícula não tem nada a ver com isso…

  21. Bray disse:

    Existe a teoria que se viajarmos na velocidade da luz conseguiríamos ver o futuro, mas então td que vivemos até este exato momento momento já aconteceu se conseguirmos ir ao futuro viramos como estaríamos no futuro.. Esta máquina mostrou que ao invés de irmos ao futuro ela voltava ao passado e por ser diferente e imprevisível foi possível ter seguir uma realidade diferente em dois mundos paralelos.

  22. Leonardo disse:

    Acredito que entendi o filme, mas fiquei com uma duvida, se alguem aqui me da uma luz…rs
    Na realidade 1, capitão morre (quando a Capita desliga o aparelho), o primeiro ataque mata todos do trem, mas se evita o segundo ataque.
    Na realidade 2, Capitão/alma sobrevive no corpo do professor, se evita o ataque no trem, com isso nem precisando usar o source code pela equipe nessa nova realidade. E o corpo do capitão esta lá guardado pra ser usado.
    Bom, minha pergunta.
    Nessa mesma realidade 2 – tempos o capitao/alma dele no corpo do professor e o corpo capitao mantido vivo, isso né.
    Então teria duas “almas” do capitao na mesma realidade.
    Dai vem a outra pergunta, e a alma do professor? na realidade 1, morreu ok, e na realidade 2 o professor se ferrou, pelo visto. pois o capitao esta usando o corpo dele… pra onde foi a alma e linha de tempo de professor nessa nova realidade?

    • Veruska disse:

      Boa pergunta!!

      • Tairo disse:

        Marcos disse:
        06/08/2011 às 2:43

        Sean morre no trem na REALIDADE 1, Capitão “morre” na REALIDADE 1, a capitã se fode na REALIDADE 1, Christina morre na REALIDADE 1. Ja na REALIDADE 2 (Codigo Fonte) ainda existem todos os personagens: Sean, Colter(Capitão), Christina, capitã, enfim todos… O detalhe eh q a “alma” do capitão esta agora comandando o corpo de Sean e TAMBEM seu proprio corpo q vai começar a passar pelo o sistema de codigo fonte como ele havia passado na REALIDADE 1, a diferença entre as duas “almas” na REALIDADE 2 eh que a q habita o corpo de Sean esta vivendo na REALIDADE 2 mas com a mentalidade da REALIDADE 1. Ja o conjunto corpo e “alma” do capitão na REALIDADE 2 passaria pelo mesmo processo (codigo fonte) e se descobrisse oq descobriu na REALIDADE 1, entao varias realidades poderão ser criadas, 3, 4, 5 ! EU intendi +- isso galera 😀

        Perfeito Marcos, explicou o final certinho, o filme só deixou uma pergunta n respondida; Onde foi parar a alma do Professor na realidade 2?? ja que o capitão agora habita o corpo dele^?

  23. Debora disse:

    Continuo sem entender o final do filme…rsrs!!!Viu começou com uma pergunta e terminou com outra.KKK

  24. Celina disse:

    Alguém pode me explicar o final do filme? A mente do capitão vive no corpo de outra pessoa?

  25. MArk disse:

    Eu acredito que ele viaje no tempo em 3 realidades diferentes, “pulando” de uma a outra.

    Eu acho que existe a REALIDADE 3 onde ele assume o corpo do professor do final do 8 minuto pra frente, criando uma nova realidade do evento do momento da explosão pra frente, dali ele assume a realidade 3 (o corpo do Sean morre na realidade 1 ou 2 de qualquer maneira, pois não depende dele, não há o que fazer) por isso a pausa no momento da explosão, eu acho que foi pra reforçar esse momento.
    A realidade 3 na verdade, é a realidade que a vida DELE se resumirá dali pra frente e acabará afetando o destino de todos do final do 8 minuto pra frente, todos vão ser e existir nessa realidade pra “sempre”.
    Na realidade 2 ele esta “morto” (fisicamente) e vivo por 8 minutos que é tempo que o código fonte proporciona pra ele, ele descobre a bomba, mas todos morrem, inclusive ele (código fonte).
    Na realidade 1 ele esta “morto” (fisicamente) e esta vivo por apenas os 8 minutos que o código fonte proporciona pra ele, explodindo a bomba ou terminando os 8 minutos a realidade 1 acaba. (se ele não conseguir ir pra realidade 2).

    De qualquer modo as ações de uma realidade dependem da outra (1 > 2 > 3) no mundo dele, algumas ações dele pode afetar o destino de todos, mas o que mais é afetado no fim é ele mesmo, a realidade dele parte da 1 e so progridem se ELE “pular” de uma realidade a outra.

    (Desculpe é meio dificil de explicar por texto, talvez numa mesa de bar fosse mais fácil) Obs: Não estou também afirmando que estou certo, mesmo porque tudo são suposições mesmo pra física, é só minha opinião pessoal.

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