Crítica Classic: Viagem ao Mundo dos Sonhos, de Joe Dante

Apesar de pouco conhecido, é impossível negar que o cinema de Joe Dante seja autoral. As fantasias malucas, ingênuas, recheadas de humor non-sense e de efeitos visuais mecatrônicos se tornaram uma marca registrada do diretor, apadrinhado e influenciado por Steven Spielberg ainda no início da década de 1980. Viagem ao Mundo dos Sonhos (Explorers/EUA/1985) trilha por este mesmo caminho, mas ao contrário de outros filmes do diretor, como Gremlins (1984) ou Viagem Insólita (1987), é uma aventura genuinamente infantil, e quase tão boa e divertida quanto outro peixe graúdo daquele mesmo ano, Os Goonies (1985).

O fato é que se você tem menos de 20 anos é provável que nunca tenha ouvido falar de Explorers; reprisado à exaustão durante a Sessão da Tarde oitentista, atualmente o filme parece ter sido completamente esquecido pelos programadores dos canais de TV. O filme também é responsável por ter lançado dois astros mirins, Ethan Hawke e River Phoenix, dos quais apenas Hawke teve a possibilidade de desfrutar da fama hollywoodiana enquanto adulto; River Phoenix morreu de overdose em 1993. No filme, o personagem de Hawke, o menino Ben Crandall, começa a ter sonhos recorrentes com algo que se assemelha a uma placa de circuito impresso. Junto com mais dois amigos, Wolfgang (Phoenix) e Darren (Jason Presson), Crandall decide implementar o tal circuito, e o trio descobre que com ele é possível estabelecer as bases de uma nave espacial.

Claro, o mote totalmente surreal e incrível funciona apenas num filme direcionado para crianças, e é por mirar objetivamente no caráter imaginativo e onírico do mundo infantil que existe o acerto. O título em português, neste caso específico, apesar de longo e ordinário, diz muito mais sobre o filme do que a denominação americana. A forma como os garotos constroem a nave, batizada de Thunder Road, remete bastante às brincadeiras com bonecos, carrinhos e sucatas jogadas fora pelos pais, e foi justamente isso que chamou a minha atenção para o filme naquela época e que me fez guardar lembranças tão boas até hoje. Muito maneira a Thunder Road, formada por pedaços de televisão, uma máquina de lavar roupas, madeira, e ainda com um computador de bordo…

O que caracteriza o filme como uma legítima obra de Dante está no terço final do filme, quando os garotos entram em contato com uma raça extraterrestre. Apesar de ficar um pouco incomodado com o design dos ETs, dotados de ventosas, disformes e com o corpo constantemente besuntado, admito que os mecatrônicos e bonecos desenvolvidos pela Industrial Light & Magic eram bastante realistas para os padrões de 1985.

Não sei se o filme agradaria à platéia infantil atual, acostumada a diversões bem mais dinâmicas e coloridas, e juntando isso ao fato de não ter sido um grande sucesso de público como Os Goonies o foram pode-se ter encontrado a justificativa para a total exclusão do filme da grade de programação das emissoras, até mesmo dos canais pagos. Não importa, Viagem ao Mundo dos Sonhos já está disponível em mídias digitais, só esperando que a nostalgia bata à porta mais uma vez e a vontade de imaginar venha à tona. Boa sessão!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 3.5

Som: 3.5

Geral: 3.5

– Todas as imagens do filme são marca registrada de seus proprietários.

*Trailer:

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2 Comentários para “Crítica Classic: Viagem ao Mundo dos Sonhos, de Joe Dante”

  1. Rober magno disse:

    Caramba! Nem acredito no que li aqui! Obrigado por me fazer voltar algumas décadas!

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