Crítica Classic: O Enigma do Outro Mundo, de John Carpenter

Fala-se muito que John Carpenter é um dos expoentes do gênero terror. É verdade, mas muitos esquecem o lado sci-fi do velhinho; lembrem-se, por exemplo, de Starman – O Homem das Estrelas (1984) ou Memórias de um Homem Invisível (1992). O filme de Carpenter que, na minha simples opinião, reúne o melhor dos dois mundos é O Enigma do Outro Mundo (The Thing/EUA/1982), história eletrizante lançada no mesmo ano do ET de Spielberg, mas que introduz uma forma de vida extraterrestre bem mais assustadora, e interessante.

A Antártida, o continente gelado, é o lar de diversos e solitários centros de pesquisa científica. Em uma manhã, cientistas de um posto avançado dos Estados Unidos são surpreendidos com um helicóptero voando baixo e cujos ocupantes tentam desesparada e idiotamente matar um cachorro no meio da neve. Na tumulto, a aparentemente enlouquecida tripulação, que depois sabemos ser proveniente de uma base norueguesa, acaba sendo morta, e os americanos decidem dar abrigo ao cão. Grande erro.

O fato é que estamos em uma época sem Internet, comunicação quase impossível, e isolamento real. Ou seja, prato cheio para as mentes criativas desenvolverem histórias de medo e claustrofobia. A sacada: o grupo de cientistas se depara uma forma de vida alienígena que ao matar sua presa assume e mimetiza sua forma – daí é só um passo para uma reciclagem do conto “quem é o assassino?”, e a direção de Carpenter encima do roteiro de Bill Lancaster é de primeira. Antes de um terror com requintes de ficção científica, O Enigma do Outro Mundo é um filme de suspense calibrado, pois qualquer um daquele grupo pode esconder por baixo da carcaça humana um monstro horrendo e sanguinário.

Dizer que os efeitos visuais não envelheceram não é bem verdade. Naturalmente, as plateias de hoje entendem como senso comum que um filme de fantasia venha acompanhado de efeitos gerados por computador. Contudo, como já disse em outras ocasiões, penso que filmes que pretendem meter medo nas pessoas este artifício, o CGI, pode ser um pouco nocivo. Me parece que o terror palpável e real se esvai quando os atores estão atuando frente a uma tela verde… O que seria de O Exorcista sem os efeitos mecânicos? Carpenter contava com ajuda de alguns dos melhores profissionais na época para criar a ilusão do monstrengo, como o mago dos efeitos mecatrônicos Stan Winston e o diretor de fotografia Dean Cundey; e de fato, o que se vê na tela pode estar já meio datado, mas era o estado da arte em termos de animatrônicos e stop-motion em 1982. Ou seja, as várias formas que o ET carnívoro assume realmente metem medo e assutam.

Há um prequel já com data marcada para estrear, que promete contar o que aconteceu com a base de pesquisas dos noruegueses do começo do filme, passagem esta que não é explorada por Carpenter. Nada melhor do que se preparar para ver este novo filme nos cinemas curtindo a obra-prima do tecno-terror que é The Thing – O Enigma do Outro Mundo. Boa sessão nostálgica!

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 4

– Todas as imagens do filme são propriedade da Universal Pictures

*Trailer:

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2 Comentários para “Crítica Classic: O Enigma do Outro Mundo, de John Carpenter”

  1. Paulo Augusto disse:

    Muito boa lembrança! Recordo agora das “sessões da tarde” do SBT que vez ou outra reprisava o filme. Eu o revi anos atrás nas madrugadas do mesmo canal e continuei gostando. Você já deve saber mas há um jogo pra PC lançado em 2002 e com versões para PS2 e Xbox. É uma continuação do filme se passando 3 meses despois dele. Estilo horror de sobrevivência foi até bem avaliado em reveiws. O enredo trada da chegada de uma equipe de resgate que investiga a causa da morte dos pesquisadores. O desempenho do seu personagem afeta a confiança da equipe o que os deixa mais ou menos aptos a cooperar devido ao medo. Valeu pessoal! Abraço!

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