Crítica: Círculo de Fogo (2013), de Guillermo del Toro

rim225,000 tons of awesomeness! É muito fácil determinar uma linha autoral para a obra de Guillermo del Toro. Mesmo com início de carreira modesto, na qual se destacam Mutação (1997) e A Espinha do Diabo (2001), o diretor mexicano já dava sinais acerca do que gosta de ver na tela, e o que quer mostrar em termos de narrativa visual. Assim, é possível, através de seus filmes, descobrir toda uma história de referências que casam muito bem com as lembranças da geração que possui entre 20 e 40 anos. E com Círculo de Fogo (Pacific Rim/EUA/2013) não é diferente, e arrisco dizer que este é o mais pessoal dos trabalhos de del Toro.

A questão é que apesar da obsessão pela Guerra Civil espanhola, como pode ser visto no já citado A Espinha do Diabo e em O Labirinto do Fauno, del Toro possui uma bagagem de cultura pop invejável, bagagem esta fortemente visual. Em Círculo de Fogo, o diretor guia a plateia por esse caminho recheado de citações, fisgando-a não com uma grande história ou atores de primeira classe, mas com elementos que trazem à tona um passado recente de disseminação da rede televisiva por um país em desenvolvimento (no caso, o México). Disseminação que possibilitou que a minha, a sua, a nossa geração pudesse ver uma quantidade relevante de animações japonesas e de filmes e seriados que usavam e abusavam de efeitos visuais mecatrônicos incipientes e de monstros gigantes moldados a borracha e papelão.

Quem se importa com o mote filme B de monstros gigantes de outra dimensão saindo do fundo do mar e atacando cidades? O que realmente vale é a tensão, as cenas bem construídas, o sentido de urgência, e acima de tudo, os efeitos visuais de explodir a cabeça. Pacific Rim, além de visualmente impressionante, é um filme de conceitos. Muitos deles bem interessantes, como o procedimento protocolar chamado de “cumprimento neural”, através do qual é criada uma ponte entre os sistemas nervosos dos pilotos dos robôs gigantes que combatem os monstros (conhecidos como Kaijus). Particularmente, mantive um sorriso no rosto durante toda a projeção.

rim1Chama-me a atenção como del Toro sabe exatamente o que queremos ver na tela, parece até que somos nós, a público da sala de cinema, que estamos dirigindo o filme, há identificação imediata. Não há como não vibrar com um robô imenso usando um cargueiro como porrete para atingir um Kaiju, e tudo isso sem parecer trash, com um som fenomenal, e com uma clareza espantosa. Inclusive, muito da escala do filme é transmitida através do som, cada embate entre robôs e monstros realmente parece ser algo grandioso.

Infelizmente, o sucesso de um filme de Hollywood se mede muito por quanto dinheiro ele consegue fazer em solo americano. Tenho pena do público daquele país que não soube apreciar um filme tão legal e divertido… Fala-se muito do cinema de efeitos visuais que não tem alma, filmes a la Transformers que são nada mais do que duas horas de vazio cinematográfico. Círculo de Fogo não é perfeito, mas possui um espírito de nostalgia impagável. Aproveite.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 3.5

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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4 Comentários para “Crítica: Círculo de Fogo (2013), de Guillermo del Toro”

  1. Jonas Godoy disse:

    odeio filmes de animais e robôs gigantes. nada a declarar.

  2. Lars disse:

    Concordo plenamente! Adorei esse filme e todas as referencias que ele usou. Ótimo post!

  3. Diego Flyfish disse:

    De fato, acho injusto o filme não estar arrecadando tanto quanto o esperado. No entanto, achei um pouco decepcionante o fato de que todas as grandes batalhas terem sido a noite. Eu não sei se foi a projeção do cinema que fui ou eu que tenho algum problema para entender cenas de ação noturna… Sempre tenho a sensação que estou perdendo algo.

    Achei um bom filme, mas queria ver mais. Tanto que a melhor sequência, na minha opinião, foi aquelas cenas do início, com os flashbacks.

    Concluindo, o filme é bom, mas nesta categoria de filmes “descerebrados”, ainda fico com os Vingadores. Hehe

    Mas é infinitamente melhor que transformers!

  4. André disse:

    Vou assistir para ver… Valeu pela resenha!

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