Crítica: Babel, de Alejandro González Iñárritu

Foi comentado anteriormente sobre o sucesso que alguns diretores mexicanos têm obtido no mercado cinematográfico americano, sem dúvida a grande vitrine para qualquer cineasta que aspire algum reconhecimento. Talvez o fato responsável pelo grande número de mexicanos reconhecidos por seus talentos como contadores de histórias seja a proximidade geográfica entre Estados Unidos e México. Muitos podem recorrer ao lugar comum de que vivemos num mundo em que as telecomunicações possibilitam a circulação das informações quase que de forma instantânea, e que as barreiras geográficas e étnicas não importam mais; mas é justamente este o tema em primeiro plano dos filmes de Alejandro González Iñárritu, diretor de Babel (Babel/França, EUA, México/2006); um dos filmes queridinhos da crítica americana no ano de 2006.

Iñárritu alcançou reconhecimento mundial na ocasião da indicação ao Oscar de Melhor Filme Falado em Língua Estrangeira para Amores Brutos; e assim como neste filme e em seu trabalho anterior, 21 Gramas, há a temática da conexão entre os personagens. Ações de alguns personagens influenciam a vida de estranhos, podendo até criar elos fortes entre pessoas tão distintas; como ocorre com os personagens de Naomi Watts, Sean Penn e Benicio Del Toro em 21 Gramas. Esta é uma marca registrada da parceria antiga entre Iñárritu e seu ótimo roteirista Guillermo Arriaga, porém em Babel a presença do fio que liga os acontecimentos é mais sutil, entretanto continua a existir.
Considero a película a junção de três média-metragens, cujos episódios apresentam uma ligação clara e bem definida, mas que não é importante para a mensagem que Iñárritu e Arriaga pretendem transmitir. Somos apresentados a um casal de turistas americanos no Marrocos (Brad Pitt e Cate Blanchett), que vive um momento difícil no casamento; bem como a uma família de pastores marroquinos. As outras duas histórias transcorrem no Japão e Estados Unidos/México. No Japão, o espectador acompanha o dia de uma garota surda-muda e seus conflitos (Rinko Kikuchi); já na América é tratado o tema da imigração América Latina-EUA, personificada por uma babá mexicana (Adriana Barraza, que recentemente esteve no terror spaghetti de Sam Raimi “Arraste-me Para o Inferno”) que cuida de um casal de crianças estadunidense, mas precisa ir México para participar do casamento do filho.
Com personagens de etnias tão diversas e pelo título do filme fica fácil compreender a bandeira levantada por diretor e roteirista: o ataque ao preconceito e intolerância. Praticamente todos os problemas no filme decorrem de uma suposta tentativa de assassinato da personagem de Cate Blanchett, e que os Estados Unidos consideram um atentado terrorista. O bom roteiro de Arriaga foca nos dramas pessoais de cada um de seus personagens, que apesar de serem esperados e nada originais não deixam de emocionar, e em determinados momentos causar revolta. Os diferentes idiomas falados são um símbolo para a falta de entendimento, as opiniões pré-concebidas e o fosso econômico e social que existe entre nações ricas e pobres. Este aspecto é ainda mais realçado pelo final do filme, quando os cidadãos de países desenvolvidos tomam caminhos diferentes daqueles dos países miseráveis.
Quanto às atuações há bons momentos que devem ser citados. Brad Pitt parece estar se recuperando lentamente do desastre chamado Tróia, e Cate Blanchett simplesmente não faz nada durante todo o filme. Gael García Bernal tem uma participação pequena, mas sólida. Em Babel são os desconhecidos que roubam a cena. Rinko Kikuchi está muito bem como a garota surda-muda cuja mãe se suicidou recentemente, e logo no início consegue a empatia de quem vê o filme. A veterana Adriana Barraza também se sai muito bem como a babá em terras estrangeiras. Dentre os atores que compõem a família de pastores marroquinos se destacam os garotos mais velhos, que conseguem levar com naturalidade os personagens inseridos em condições tão complicadas.
Babel não é o melhor filme de Alejandro González Iñárritu, mas é bem superior à maioria dos dramas e funciona como uma forte crítica à maneira como se dão as relações entre estados ricos e pobres, e ao preconceito, tanto o aberto como o enrustido. Porém, o faz sem ser didático ou panfletário.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 4

Som: 4

Geral: 3.5

*Imagens:  Rotten Tomatoes

**Trailer:

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2 Comentários para “Crítica: Babel, de Alejandro González Iñárritu”

  1. Vivi disse:

    Cara, assisti esse filme faz pouco tempo e gostei!
    Concordo com você em quase tudo. Exceto da parte em que fala que a Cate Blanchet não faz simplesmente nada durante o filme. Para mim, ela é a personificação do preconceito dos ricos para com os pobres!!

    Excelente crítica! Abraço!

  2. Evilzin disse:

    Gostei muito da forma como eles exploraram o “mundo” de uma pessoa surda

    ficou muito bom, o filme é 10

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