Crítica: Amor Sem Escalas, de Jason Reitman

O novo filme do diretor Jason Reitman pode causar confusão naqueles que vão ao cinema procurando nada além de uma comédia romântica convencional, ou seja, um romance bobinho. Com um péssimo título em português, Amor Sem Escalas (Up in the Air/EUA/2009) não é uma comédia, não chega a ser romântico, e está distante de ser sinônimo de convencionalidade. Em seu terceiro filme, o filho do conhecido realizador Ivan Reitman começa a se estabelecer como um dos novos nomes do cinema autoral americano.

No filme, o personagem de George Clooney – Ryan Binghan – trabalha numa firma que auxilia empresas na demissão de funcionários; em suma, realiza o trabalho sujo: substitui os chefes na dispensa olho a olho e sabe agir numa situação tensa como essa. Dessa forma. Ryan passa 330 dias por ano viajando, praticamente não tem uma residência fixa, não tem contato com a família, e gosta disso. Ou pelo menos acha que gosta.

Amor Sem Escalas é um filme difícil de rotular. Complicado por que não se encaixa nas dramédias: não tem calibre para ser um grande drama, nem riso suficiente para ser taxado de comédia. Reitman, como em seus trabalhos anteriores, conduz a película de forma calma e sem lançar julgamento sobre as atitudes dos personagens.

É aí que ele acerta, o filme toca pela reflexão que incita e pela maneira sutil que aborda temas normalmente cabeludos e batidos, nuance penosa de ser atingida e onde muitos diretores experientes falham.

O roteiro de Jason e Sheldon Turner passeia tanto por temas eternos, como o receio pelo compromisso e as atribulações das relações humanas;  como por fatos correntes, como a desumanização trazida pelo avanço tecnológico e a falta de pessoalidade que os números da atual conjuntura econômica emanam. Neste caso, a crise financeira tem rosto, e muitas vezes está marcado pela angústia.

Entretanto, esta é só uma das facetas que Reitman oferece ao público. O diretor deseja atentar para a importância dos relacionamentos interpessoais, sejam eles quais forem, sejam eles presentes na nossa vida ou não. De fato, a busca por aquilo que nos torna completos está sempre presente, e Reitman demonstra domínio sob o que quer transmistir, quase sempre sem pedantismo e fugindo dos chavões. Para isso, o time de atores trabalha em sintonia. Tanto Anna Kendrick, que interpreta a colega de trabalho de Clooney, quanto Vera Farmiga, interesse romântico do protagonista, estão bem. Farmiga, em particular, se impõe de tal forma que quando aparece esquecemos que é uma coadjuvante.

Além da competência na condução do roteiro, Reitman também sabe empregar as ferramentas técnicas com propriedade. Edição ágil e inteligente, junto com a escolha de ângulos nem sempre comuns fazem a festa dos cinéfilos mais atentos, e trabalham na construção de uma história bem contada. Nota para os créditos iniciais sempre divertidos e ligados ao conto. Fica claro neste ponto o distanciamento que o diretor toma da influência da carreira do pai, o qual foi responsável por famosas comédias da nossa infância, como Os Caça-Fantasmas (1984).

Como tudo na vida, a fita não é perfeita. No epílogo, o roteiro tende a dar umas escapadas para o sentimentalismo fácil e confuso, fazendo com que a força e o ritmo com o qual o filme vinha se desenvolvendo sejam atenuados. Não é um problema maior, numa época onde a maioria da platéia busca nada mais do que um passatempo rápido e escapista, Up in the Air se apresenta como uma diversão hábil e que não entrega tudo facilmente a quem está assistindo. Isso é sempre bom.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 4

Geral: 4

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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6 Comentários para “Crítica: Amor Sem Escalas, de Jason Reitman”

  1. Tarta disse:

    Putz esses ultimos anos George Clooney anda transitando entre generos de filmes fora a sua volta no seriado ER, o cara é multifunções.

    O cartaz do filme me lembrou do filme terminal com Tom Hank´s bem legal.

    Ainda não assisti esse filme, vou garimpalo na internet.

    flw

  2. Fábio disse:

    Ué, ele voltou ao seriado? Pensei que tinha acabdo… O filme é legal, vale ate pagar uma entrada no cinema, meia de preferência

  3. Tarta disse:

    Esse filme está indicado ao Oscar neh ? Legal mais um motivo pra se assistir.

    Então Fábio que tal fazer analises sobre os filmes que estão como indicados ?

  4. Fábio disse:

    É uma boa ideia. Assim que for assistindo os indicados farei as resenhas.

  5. Flyfish disse:

    Acabei de assistir (sim, meu carnaval serve para me atualizar nos filmes rs)… Muito bom. Tou virando fã desse diretor (já tinha gostado de Juno).

    ###Spoilers

    Agora Fábio… Você falou desse sentimentalismo no fim do filme. A quê tu está se referindo? Seria a amolecida que o personagem do Clooney dá, indo de encontro com a mulher? Se for isso, acho que isso foi só um recurso para ele quebrar a cara depois… Acho que ficou bacana, apesar de meio surreal.

  6. Fábio disse:

    SPOILER ALERT!

    @Fly: Rapaz, já eu tô destruído aqui haha. Achei o final meio estranha, acho que tnto ele ficando ou não com a formiga eu não gostaria do final rsrsr

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