Crítica: Além da Vida, de Clint Eastwood

As parcerias entre Steven Spielberg e Clint Eastwood renderam bons frutos. Depois de bons filmes centrados nos conflitos do Pacífico durante a 2a Guerra Mundial – falamos de A Conquista da Honra (2006) e Cartas de Iwo Jima (2006) – Eastwood dirige mais um filme sob a produção executiva de Spielberg: Além da Vida (Hereafter/EUA/2010). Filme de roupagem espírita, porém com subtexto mais profundo, Além da Vida bebe da vasta fonte de passagens mediúnicas do kardecismo para se apresentar ao grande público, contudo, conhecedores da obra de Clint Eastwood conseguem enxergar além do óbvio.

A história de Peter Morgan versa sobre três vidas, ou contos, intimamente tocadas pela morte, porém desconexas. Conhecemos George Lonegan (Matt Damon), residente de São Francisco e que vive o fardo de poder se comunicar com pessoas que já faleceram, fato que o impede de levar uma vida normal; em Londres acompanhamos os irmãos Marcus e Jason que têm que levar uma vida madura precoce devido à ausência da mãe alcoólatra; e finalmente seguimos a jornalista Marie Lelay (Cécile de France) em sua jornada de autodescoberta após vivenciar uma situação de quase-morte em um tsunami na Tailândia.
Infelizmente o título dado pela distribuidora vende mal do que se trata o filme. Claro, há aí a intenção de trazer aos cinemas a desavisada parcela do público que lota as salas de cinema brasileiras para ver pérolas do cinema bizarro como Bezerra de Menezes e afins, o que pode deixar alguns um pouco desnorteados. Mas, assim como tem feito ultimamente, Eastwood conduz com tranqüilidade e inteligência um drama que nada tem de original e inovador, mas que emociona justamente pela simplicidade e por tratar de temas cujo fio condutor é a morte, mas que na verdade possui tutano carregado de temas não-sobrenaturais.
A morte em si, ou o que pode haver após a sua chegada, é a ignição para que o roteiro bem construído aborde temas como o preconceito, a saudade, o companheirismo, a dificuldade de relacionamento, a busca por aquilo que se acredita, por exemplo, mas sem cair no didatismo pedante. Em suma, trata-se essencialmente de vida, e viver. As atuações são contidas e adequadas ao clima triste, mas esperançoso, da película; dou destaque à francesa Cécile de France, extremamente bonita e carismática o suficiente para ofuscar estrelas como Matt Damon. Nem tudo são flores, não obstante. Os caminhos que vão sendo tomados insistentemente pelos personagens vão convergindo para um momento final altamente previsível; não que o epílogo seja ruim, mas todas as artimanhas que são tomadas para que o encerramento desejado e comportado seja atingido vão ficando um tanto quanto irritantes.
Ainda há tempo para comentar um pouco sobre a famosa cena de abertura do filme, a qual rendeu a Além da Vida uma indicação ao Oscar de Efeitos Visuais. É, sem dúvida, uma cena bem construída e empolgante, mas penso que sofre de um problema sério, que é o fato de que em nenhum momento a sequência atinge um nível de realismo capaz de fazer quem assiste ao filme esquecer que o que está sendo visto é produto de CGI. O Parque dos Dinossauros, por exemplo, há quase 20 anos (e ainda hoje) não peca em criar total sensação de imersão na fantasia – trabalho de gênios.
Gosto dos dramas de Clint Eastwood, não importa se ele apela para o nosso lado sentimental, se o cara não é original, ou qualquer outra crítica que possa ser feita para diminuir sua obra. O que importa, para mim, é que me emociono e reflito vendo seus filmes; e não é essa a busca da maioria dos cinéfilos?

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 3

Som: 3

Geral: 3

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

Deixe um comentário, ou trackback para o seu site.

3 Comentários para “Crítica: Além da Vida, de Clint Eastwood”

  1. hermes moura disse:

    muito boa crítica, sem duvida o filme as vêzes “apela”
    mas no fim ele realmente faz agente refletir e se pensar sobre as questões nem um pouco simples que ele aborda, tambem eu achei interessante que cada personagem tem um jeito bem diferente de tratar suas quetões com o contato com o além da vida, o que ao meu ver é o que se expera pois é muito pessoal sendo muito parecido ao mesmo tempo esse contato a todos da historia.
    boa pedida de filme, nao é uma obra-prima mas é um bom filme.

    • Fábio Nazaré disse:

      De fato Hermes, é algo bem pessoal mesmo. Gosto da forma como Eastwood aborda diferentes temas, sempre com com juita simplicidade, trazendo fatos extremos para o nosso dia-a-dia.

Comenta aí, traça!

Powered by WordPress | Free T-Mobile phones at BestInCellPhones.com. | Thanks to Verizon Wireless, Facebook Games and The diet solution