Crítica: Água Negra, de Walter Salles Jr.

Nos anos 2000 aconteceu um verdadeiro boom de refilmagens de filmes de terror japoneses por Hollywood, ressaltando a característica do cinema japonês em produzir bons e assustadores filmes de terror. Dentre adaptações ruins, e algumas até competentes, em 2005 o diretor Walter Salles Jr. teve a chance de capitanear uma dessas refilmagens, configurando seu primeiro trabalho no competitivo mercado americano. Trata-se de Água Negra (Dark Water/2005/EUA), filme de caráter ambíguo e cujos métodos de divulgação e publicidade trouxeram sua ruína, tanto em termos de crítica como de público.

Dhalia Williams (Jennifer Connely) e sua filha Ceci (Ariel Gade) acabam de se mudar para um soturno apartamento na periferia da cidade de Nova York, visto que Dhalia está atravessando um processo de divórcio recém-iniciado e uma briga judicial com o pai de Ceci pela guarda da criança. Acontece que, além de uma infiltração de água escura, advinda do apartamento superior, Dhalia e Ceci começam a perceber estranhos ruídos e acontecimentos insólitos tanto na própria residência quanto no apartamento de onde corre a água aparentemente suja, o qual se encontra desocupado.

De fato, ao contrário do original japonês, o filme de Walter Salles investe na criação de um ambiente de suspense, deixando de lado os sustos baratos e fáceis. Contudo, todavia, porém, quando alguém decide ir ao cinema para assistir uma refilmagem de um filme de terror e propagandeado como um filme de terror, é de se esperar que alguns sustos pelo menos serão pregados. Ora, quando eu assisti ao filme, há quase 6 anos, também fiquei decepcionado, afinal, como bom fã de filmes de terror bem feitos e que causam sustos com elegância, a minha expectativa era pelo menos ser surpreendido com alguns bons momentos de medo.

Mas, concordo com aqueles que afirmam que Água Negra não se enquadra no hall de filmes fracos. Salles consegue entregar um filme angustiante e tenso, características essas realçadas pela situação vivida pela personagem de Connely, além das pequenas mas bem exploradas participações de bons atores coadjuvantes, como Tim Roth e John C. Reilly. É justo, porém, dar crédito à garotinha Ariel pela naturalidade e inocência que imprime à menina Ceci, muito fofinha por sinal.

Água Negra poderia ser, sem dúvida alguma, rotulado como um filme de suspense, e dos bons, se não fosse a brusca mudança de ritmo na parte final de modo a inserir na trama aspectos sobrenaturais até o momento ignorados, diluindo a tensão e a claustrofobia que até então vinham sendo empregados com eficácia. Ou seja, no final, a impressão que se tem é que houve dúvidas e incertezas na forma na qual a história seria desenvolvida e apresentada; um erro sim, mas não chega a tornar Água Negra um filme descartável. Ainda, é de conhecimento público que Salles teve que achar um ponto de encontro entre o que ele imaginava para o filme e o que os executivos do estúdio solicitavam que fosse feito. Pelo resultado final, foi uma grande façanha.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 3

Som: 3

Geral: 3

*Imagens: Rotten Tomatoes

**Trailer:

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2 Comentários para “Crítica: Água Negra, de Walter Salles Jr.”

  1. Manu Agra disse:

    Assisti esse filme outro dia de madrugada na globo, é bem legal.

    Mas conseguir dormir bem depois, n teve nenhum grande susto, só a sensação de angústia.

  2. Tatiana nasciemnto disse:

    Filme de terror nao sao apenas aqueles que dao sustos, pode ser de loucura tambem.

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