Crítica: Abismo do Medo, de Neil Marshall

Bons filmes de suspense/terror são tão raros atualmente que o mais simples fiapo de originalidade deve ser levado em conta quando se trata deste gênero. Um dos critérios que considero ser um dos mais eficientes para testar a qualidade de uma película de suspense é o nível de tensão gerado na plateia durante a projeção, e um lançamento mais ou menos recente, entretanto pouco comentado, consegue trazer altas doses de pânico para quem o assiste.

Abismo do Medo (The Descent, Reino Unido, 2005) é um filme que não deve ser visto por pessoas que sofrem de síndrome do pânico, em especial os claustrofóbicos. O mote é o seguinte: seis amigas se reúnem para realizar uma expedição num sistema de cavernas nos EUA, com o intuito de distrair uma delas que passou por uma situação traumática um ano antes. Como é de se esperar, muita coisa vai dar errado.

A obra do pouco conhecido diretor Neil Marshall (que também leva os créditos pelo roteiro) ganha de outro filme de temática semelhante, também de 2005, chamado A Caverna, por apelar para o terror puro e simples, como o medo de lugares apertados, bem como para os sustos elaborados. Se você pensa que já viu tantos filmes de terror que consegue antecipar os momentos em que sacos de pipoca vão voar para todos os lados Abismo do Medo te reserva boas surpresas. Além dos sustos, a película consegue atingir a meta que é transmitir à plateia uma sensação de angústia e aflição durante quase toda a projeção, um objetivo alcançado por exemplo pelo cineasta de origem indiana M. Night Shyamalan em Sinais (2002) e por William Friedkin, num momento de rara criatividade, no maior clássico do cinema de terror: O Exorcista (1973). Diretores famosos e escaldados já falharam nessa tarefa, como Steven Spielberg em Guerra dos Mundos (2005), que é uma boa ficção científica, no entanto não apresenta carga emocional suficiente para deixar o espectador atordoado.

Como se não fossem suficientes os momentos angustiantes vividos pelas garotas perdidas num local escuro, apertado e desconhecido, Marshall ainda apimenta a trama com um elemento altamente eficaz: o medo de seres estranhos ou fantásticos. O sistema de cavernas é habitado por um grupo de predadores que inicia uma caça angustiante ao grupo de meninas, rendendo bons sustos e confirmando um trabalho competente da equipe de maquiagem na caracterização dos monstrengos. Uma decisão acertada foi não tentar explicar a origem de tais criaturas, deixando apenas a possibilidade de que estas têm um passado genético em comum com seres humanos. Ou seja, mais tempo para o que o filme faça o que realmente se propõe a fazer: agoniar e encher de tensão o espectador. O final pouco convencional para os filmes de terror que pretendem atingir grandes públicos também contribui para o gosto amargo que fica depois dos créditos finais.

Abismo do Medo é um bom filme de suspense e terror, um alívio para quem sentia falta de calafrios e adrenalina na telona; mas não tem cacife para se tornar um clássico. Porém, é diversão garantida para os amantes ou não do gênero. Uma ressalva: a quantidade de sangue mostrada em determinadas sequências é totalmente sem sentido, chega até a banalizar alguns momentos que poderiam ser mais aterrorizantes sem tanto plasma jorrando na tela.

Notas (numa escala de 0 a 5):

– Imagem: 4

– Som: 4

– Geral: 4

Imagens: www.rottentomatoes.com

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Deixe um comentário, ou trackback para o seu site.

Sem comentários ainda para “Crítica: Abismo do Medo, de Neil Marshall”

  1. Raphael Redfield disse:

    Tem o segundo filme não?
    Nossa hoje em dia é só botar um bando de mulher gritando, com pitadas de suspense e sangue e pronto, temos um filme de terror que faz sucesso…rs
    Logo mais teremos filmes em uma casa, com um bando de mulheres peladas discutindo =P…rs
    Nessas horas que eu penso, mulheres odeiam cinema, os filmes é só pras nós homens hahahaha
    Ah claro tem High school, Jonas Bostas e por ai vai…rs Zuera XD

  2. Igor disse:

    Fábio sempre mandando bem!

  3. Fábio disse:

    Grande Igor, obrigado pelas palavras… Redfield, o terror convencional sempre foi marcado pelas “scream queens”, lembra do personagem de Jamie Lee Curtis em Halloween, ou a Sidney de Neve Campbell em Pânico? Personagens mulheres, em geral, causam mais empatia que homens, vide O Exorcista. Pra mim, se meter medo e causar pavor de forma inteligente, tá valendo… Ahh, se puder, veja REC, um terror espanhol que passou nos cinemas tem poucos meses…

  4. Manu disse:

    Muita boa a crítica, fiquei com vontade de ver o filme ;p

    Eu vi o rec, eu sou frouxa, mas o filme dá medo mesmo.. rsrsrs

  5. Fábio disse:

    Hehehe, REC 2 já está a caminho. Mas acho que não será tão legal…

  6. Flyfish disse:

    Esse REC eu vi o trailer e me pareceu ser bem bacana. Meio estilo Bruxa de Blair, não é?

    Ainda tou devendo assistir vários outros filmes indicados pelo Fábio. rs

  7. […] Crítica de Abismo do Medo (por Fábio) […]

Comenta aí, traça!

Powered by WordPress | Free T-Mobile phones at BestInCellPhones.com. | Thanks to Verizon Wireless, Facebook Games and The diet solution