Crítica: Avatar, de James Cameron

Depois de uma década de espera finalmente podemos conferir o novo filme de James Cameron. O diretor de Titanic, em mais um arroubo de megalomania, nos entrega um filme de desenrolar comum e distante anos-luz da originalidade; mas visualmente arrebatador. Não há como não se impressionar com o universo colorido, as cenas de ação de tirar o fôlego, e o melhor, terceira dimensão de qualidade. Avatar (EUA, Reino Unido/2009) é um exemplar perfeito de arrasa-quarteirão.

No filme que mais parece uma obra faraônica, o fuzileiro naval Jake Sully, interpretado pelo australiano Sam Worthington, chega ao planeta Pandora seis anos após ficar paraplégico em combate. Neste ambiente inóspito habitam seres dos mais diversos, sendo a espécie dominante os Na’vi, tecnologicamente inferiores aos humanos. A presença terráquea no planeta se resume basicamente na mineração de um metal raro, e para submeter os nativos foi desenvolvido um programa de infiltração humana na sociedade Na’vi partindo de um princípio bastante interessante: o controle remoto de seres criados a semelhança dos bichanos azuis, porém com uma mescla de DNA terráqueo e pandoreano (é assim que se chamam os que nascem em Pandora?). É tipo um Matrix, só que sem a realidade virtual. Assim, Jake chega ao planeta com o propósito de participar do programa, e pilotar os chamados “avatares”.

Assim como Titanic o era, Avatar é um clichê gigante; é possível antecipar com folga cada passo adiante no roteiro. Isso é algo ruim? Para um filme aguardado como Avatar o foi, é sim. Entretanto, estamos falando de James Cameron. Não importam os clichês, a falta de originalidade, o romance bobinho, ou o mito do bom selvagem revisitado ao extremo, este senhor consegue casar com maestria filmes de ação com uma história bem conduzida. Há, pelo menos, duas boas sacadas em Avatar. A primeira é a forma como os Na’vi interagem com os outros animais de Pandora, como o elo entre as espécies é criada; a outra é uma concepção de uma entidade superior (em termos religiosos) um pouco mais afastada de aspectos místicos e sobrenaturais.

Então, chegamos na parte técnica. Visualmente, Avatar é a coisa mais impressionante que me foi apresentada até hoje. Cada quadro e cor inserida na película foi cuidadosamente trabalhada para obter o máximo das salas 3D, isso tudo mesclado com sequências de ação incrivelmente bem realizadas, porém, novamente sem originalidade. O ponto forte, entretanto, são os Na’vi, tanto o avatar de Jake, quanto o interesse romântico do rapaz, a caçadora Neytiri (interpretada por Zoe Saldana, de Star Trek). É possível reconhecer as feições dos atores nos personagens digitais com detalhes, e os bichos realmente atuam; trabalho fenomenal da Weta Digital de Peter Jackson. Pelo fato de ter sido concebido com o foco nas exibições em 3D os efeitos de profundidade estão bem mais realçados, alguns até disparando nossos reflexos de defesa. Um fato importante a ser lembrado é que a discussão anterior acerca da possibilidade de inserção de legendas em filmes 3D já não é mais relevante: as projeções legendadas passaram pelo crivo, e não apresentam um entrave para a compreensão das informações em terceira dimensão.

James Cameron é, antes de tudo, um visionário. Poucos diretores teriam o cacife para investir tempo, dinheiro e no desenvolvimento de tecnologias para tornar realidade uma ideia em que acreditam. Avatar não é um primor, mas não chega nem perto de ser ruim, muito menos chato. Em termos visuais, é embasbacante, e vale cada centavo empregado. Não deixe de ver na telona.

Notas (numa escala de 0 a 5):

Imagem: 5

Som: 5

Geral: 3

*O filme foi visto no Cinemark Botafogo (Sala Real-D), Botafogo Praia Shopping, Praia de Botafogo, 400, Piso 8, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ.

**Imagens: Rotten Tomatoes

***Trailer:

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6 Comentários para “Crítica: Avatar, de James Cameron”

  1. Anderson Borges disse:

    o irado msm foram os efeitos, o enredo foi interessante, mas o modo como a história se desenrola não foi muito boa.

  2. Tarta disse:

    To curioso pra assistir esse filme.

    Eu vi em trailer que também estavam produzindo um Avatar baseado no desenho dos dobradores de elementos.

    Sem contar o nome igual a fonte do titulo tambem é muito parecida.

  3. Tarta disse:

    ops

    Aproveitei e fui na internet dar uma pesquisada nisso.

    Deixa so eu corrigir algumas coisas.

    1° O filme do Avatar do desenho não terá o titlulo de Avatar, e sim de The Last Airbender.

    2° A fonte do filme Avatar de James Cameron mudou dos cartazes de coming soon pra o que foi lancado, e a fonte final do titulo parece um pouco com a do titulo do desenho.

    Acho q e isso
    flw

  4. Fábio Nazaré disse:

    Isso Tarta, The Last Airbender, dirigido por M. Night Shyamalan. Segue o trailer da adaptação:
    [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=9W1dhqc-JBs]

  5. Vivi disse:

    Acabei de ver avatar em 3d… mto foda os efeitos, a história de fato não surpreeende, mas como o Fábio disse, vale cada centavo pago pelos efeitos.

  6. gabriel teixeira disse:

    eu acho q o filme ficou legal mas o nome avatar fico cliche porque ja tem o desenho avatar e todos pensavam q o filme era sobre o desenho, mas eu apesar de nao ter boas espectativas do filme achei bem legal depois q eu vi o trailer dublado.

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