Fanfic: Indiana Jones e as Relíquias de D. Sebastião – Capítulo 2

Indiana Jones e as Relíquias de D. Sebastião

Goldfield

Capítulo 1

O rei oculto.

Indy e Luzia assistiram ao nascer do sol sentados numa das mesas do famoso café Martinho da Arcada, cuja origem remetia ao século XVIII. O arqueólogo tomava uma caneca de café e a encantadora jovem, por sua vez, bebia delicadamente uma xícara de chá. Jones não conseguia ocultar sua fascinação pela jovem, que dissera a ele ter vinte e três anos de idade. Fitava-a maravilhado a todo instante, e ela, que já percebera isso, aparentemente ignorava a opinião que o norte-americano tinha a seu respeito. Ao menos naquele momento, isso não a interessava nem um pouco.

–       Aqui é bem agradável… – murmurou ele, já há alguns minutos sem dialogar com a portuguesa.

–       Sim, era o local preferido do meu pai… Ao menos foi o que minha mãe me disse.

–       Por quê? Você nunca o conheceu?

–       Nunca. Ele faleceu há algum tempo sem saber que tinha uma filha, mamãe jamais contou a ele, mesmo eles tendo trocado cartas por vários anos. Ela me revelou quem era meu pai apenas quando completei vinte e um anos, desde então me mudei de Évora para Lisboa e passei a procurar saber mais sobre ele e como vivia.

–       Sinto muito… Eu também nunca tive a oportunidade de me comunicar muito com meu pai…

–       Ele também veio a falecer?

–       Não, ele está bem vivo! O problema é que sempre colocou a necessidade de encontrar um artefato místico de dois mil anos acima de educar e dar carinho ao próprio filho.

–       Mas ele ainda vive. E nunca é tarde demais para se reaproximar dele. Não perca essa oportunidade, Indiana, pense nisso.

–       Eu vou tentar…

Seguiram-se alguns instantes com ambos encarando um ao outro, até que um garçom chegou com um prato de biscoitos amanteigados que foi colocado sobre a mesa. Apanhando um deles, Indy perguntou a Luzia antes de dar a primeira mordida:

–       Como se chamava seu pai?

–       Ele era poeta, infelizmente não sendo reconhecido em vida apesar da mágica do que escrevia tocar fundo a alma… Fernando Pessoa.

–       Está brincando? Eu já ouvi falar dele! Tenho um amigo chamado Marcus que aprecia literatura e já leu algo que seu pai publicou em inglês! Aliás, você é bastante fluente nessa língua, quase não tem sotaque!

–       Obrigada. É que passei um tempo na Inglaterra durante a adolescência, então acabei me aperfeiçoando.

As construções e monumentos da Praça do Comércio imersos no céu alaranjado do alvorecer eram algo bonito de se ver. Os dois contemplaram calados tal cenário digno de uma pintura durante dois ou três minutos, até que Jones voltou-se novamente para a jovem e falou:

–       Só ainda não entendo como alguém tão… Enfim, como alguém como você estava num botequim do porto repleto de capangas do Ramirez!

Luzia deu uma graciosa risadinha e então explicou:

–       Como eu disse venho pesquisando muito sobre meu pai, e acabei descobrindo uma obsessão dele. Na verdade até diria que é uma obsessão de quase todo o povo português nestes dias difíceis, porém papai conseguiu algo mais concreto a respeito. Segundo os diários dele, adquiria periodicamente através de Ramirez, sem saber que era por meio de contrabando, manuscritos antigos provenientes do Marrocos. Eu passei então a freqüentar os lugares onde Joaquim tem influência na esperança de poder falar com ele pessoalmente sobre o que exatamente meu pai descobriu, já que não deixou anotações precisas.

–       E qual é essa obsessão? O que ele estava procurando?

–       Já ouviu falar do mito do Sebastianismo, doutor Jones?

Indy sorriu. Pesquisara a respeito daquela fascinante lenda portuguesa anos antes durante uma escavação na Guiné. Procurando ao mesmo tempo talvez elucidar a moça e também expor seu nível de conhecimento a respeito do assunto para que ela o corrigisse se necessário, o professor disse:

–       Claro que sim. D. Sebastião, “O Desejado”. A esperança de um Portugal já no início do declínio no fim do século XVI em ter um herdeiro ao trono para evitar que o mesmo caísse nas mãos do monarca espanhol, nome seguinte na linha de sucessão. Desde muito jovem foi dotado de um espírito guerreiro que o impelia a retomar o Marrocos recém-perdido pelos portugueses. Em 1578 ele levou a cabo essa missão na desastrosa batalha de Alcácer-Quibir contra os mouros. Foi uma tragédia para os portugueses, e devido à aparente morte do governante, pouco tempo depois o rei da Espanha assumiu o trono lusitano, unindo os dois reinos por várias décadas. Acontece que se difundiu um mito de que o corpo de D. Sebastião não foi encontrado no campo de batalha, levando a crer que na verdade sobreviveu e que um dia voltará triunfante para fazer de Portugal mais uma vez um grande império. Essa é a lenda do Sebastianismo, e pelo que vejo ela realmente resiste até hoje!

–       Você não acredita nela, acredita? – Luzia indagou séria.

Era difícil responder. Desde que se tornara arqueólogo, Jones, entre outras aventuras, fora hipnotizado por uma seita Tugue na Índia cujo sacerdote arrancava o coração de pessoas vivas em sacrifício à deusa Kali e estivera numa ilha isolada do Mediterrâneo onde a Arca da Aliança havia simplesmente desintegrado um grupo de nazistas que ousou abri-la. Não sabia porque continuava tão cético diante dessas claras manifestações sobrenaturais. Talvez fosse a natureza científica de sua profissão, ou então o simples fato de ser um sujeito teimoso.

–       Eu não sei, Luzia… – replicou por fim. – Para mim não passa mesmo de um mito!

–       Pois eu acredito que meu pai descobriu a localização dos restos mortais de D. Sebastião! – a portuguesa afirmou confiante. – Ele descobriu o “Encoberto”!

–       Seria um dos maiores achados da História, todavia é preciso desvendar o conteúdo dos manuscritos que ele adquiriu de Ramirez para ter certeza! Você não sabe onde eles estão?

–       Não os encontrei em lugar algum, senão já os teria estudado a fundo… Meu pai morreu miserável, portanto é possível que ele os tenha vendido a alguém para se manter. Mas quem?

–       Seria mais fácil encontrar um diamante no meio de pedras de gelo… Já pensou na possibilidade de ele ter doado os documentos para o arquivo histórico?

–       Sim! A Biblioteca Nacional! Temos de averiguar!

–       Quando quiser, senhorita! – Indy levantou-se endireitando o chapéu.

Luzia sorriu amavelmente, seus olhos azuis brilhando de entusiasmo, e também se ergueu da cadeira. Jones gostava cada vez mais de ter aquele colírio ao seu lado! A dupla pagou a conta do café da manhã e partiu no Ford da filha de Fernando Pessoa rumo ao prédio da Biblioteca Nacional de Portugal, suas mentes ansiando por respostas concretas.

A Cruz de Coronado podia esperar.

A instituição, criada em 1796 para disponibilizar a quaisquer interessados o conteúdo de seu acervo, estava situada no edifício do antigo Convento de São Francisco, localizado no Monte Fragoso. A construção fora arrasada pelo terremoto de 1755 em Lisboa e então reerguida, a Biblioteca operando ali desde 1836.

Luzia parou o carro e ganhou o local junto com Indy, cruzando uma de suas entradas em forma de arco. Depararam-se com um amplo ambiente repleto de incontáveis estantes de livros e pequenos pedestais aqui e ali contendo manuscritos antigos à mostra. Jones percebeu que a biblioteca era riquíssima em material sobre as navegações portuguesas, abundância capaz de causar frenesi em qualquer estudioso da área. Havia milhares de documentos e registros naquele vasto arquivo, não seria simples encontrar os que Fernando Pessoa obtivera de Ramirez, isso se estivessem ali!

–       E então, como faremos para procurar? – questionou o estrangeiro. – Poderíamos passar a vida toda aqui se fôssemos vistoriar tudo!

–       Acho que há como delimitar nossa busca…

Depois de dizer isso, a jovem seguiu até um balcão onde uma senhora de óculos e já certa idade, funcionária do lugar, catalogava minuciosamente alguns exemplares. Ela ergueu a cabeça assim que os visitantes chegaram perto e perguntou em língua nativa:

–       Que desejam?

–       Por favor, a senhora poderia nos fornecer a lista e localização de todas as doações feitas à biblioteca pelo senhor Fernando António Nogueira Pessoa? – pediu Luzia.

–       O poeta? Espere só um momento, darei uma olhada nos livros de registro!

A bibliotecária abriu uma gaveta e dela retirou algumas pastas contendo listas de livros e manuscritos doados ao acervo. Consultou uma delas por alguns minutos e então respondeu à moça, mostrando a ela o registro em questão enquanto Indy se distraía ali perto olhando algumas publicações sobre arqueologia:

–       Além de alguns trabalhos dele, temos apenas uns dois ou três manuscritos que ele cedeu à nossa coleção marroquina pouco antes de falecer. Anotei neste papel a localização precisa, é só consultar a área correspondente! – e apontou a direção correta.

–       Muito obrigada, senhora.

A “rapariga” apanhou a pequena nota e chamou Jones com um gesto para que dessem continuidade à procura. Percorreram vários corredores de paredes compostas por livros até chegarem à seção de manuscritos. Pela numeração no papel, logo encontraram a coleção marroquina da qual a funcionária falara e nela, esquecidos num canto de estante, os documentos que o pai de Luzia conseguira ter em mãos inconsciente em relação ao contrabando de Ramirez. O norte-americano tomou a frente e com cuidado apanhou os papéis já desgastados pelo tempo, lembrando-se num lampejo da tortura à qual Filinto Müller o submetera no Brasil. Pela aparência, diria que datavam dos séculos XVI ou XVII. O título de um deles o interessou bastante:

Em demanda do Rei Oculto.

Seguido por Luzia, Indy levou os manuscritos até uma mesa próxima para que os pudessem examinar melhor. Não era tão fácil compreender a caligrafia do autor e ainda por cima as palavras do português arcaico, mas a moça, já com certa experiência nisso, conseguiu logo de início discernir boa parte do conteúdo e assim, muito interessada, tomou os papéis do colega. Ela gastou bons instantes lendo antes que Jones indagasse:

–       O que esses textos falam?

–       É uma espécie de crônica de viagem do início do século XVII. Foi escrita por um tal Gaspar Almeida, que acompanhou um grupo de cavaleiros da Ordem de Cristo em expedição ao norte da África à procura do rei D. Sebastião, o qual acreditavam ainda estar vivo.

–       Mas eles chegaram a encontrá-lo?

–       Segundo o que é dito aqui, no Marrocos eles cruzaram por acaso com uma caravana de abexins, ou seja, etíopes, que haviam encontrado os restos do monarca e o transportavam para sua terra. Um dos membros do grupo de Gaspar estava doente de morte e, segundo a crônica, recuperou o vigor assim que tocou a armadura do rei!

–       Aos restos mortais e despojos de homens santos e reis era atribuída a capacidade de realizar milagres. No caso dos monarcas, esse poder vinha do elo divino estabelecido a partir de sua sagração. Tenho um conhecido chamado Marc Bloch que publicou um livro muito interessante sobre o assunto. E já que D. Sebastião morreu como mártir na luta contra os infiéis, não é de se espantar que os prodígios de seu corpo sejam ainda maiores.

–       Continuando, o cronista diz que os cavaleiros portugueses expressaram grande desejo de conduzir os restos do rei de volta à sua terra, e os abexins concordaram em cedê-lo. Entretanto, na noite seguinte estes levantaram acampamento de madrugada e partiram para a Abissínia, sumindo rapidamente da vista dos lusitanos em pleno deserto. Tentaram em vão perseguir os etíopes, o líder da expedição prometendo um dia organizar uma campanha para o resgate do corpo, coisa que jamais aconteceu. Sendo assim, os restos de D. Sebastião devem estar hoje em algum lugar da Etiópia, Indy!

–       O mesmo país onde por muito tempo se acreditou estar a Arca da Aliança…

–       Você já estudou sobre a Arca?

–       Mais do que imagina… – murmurou o aventureiro coçando o queixo.

Luzia voltou a examinar os documentos e num dado momento deparou-se com um trecho que não pôde entender. Intrigada, ela cutucou Jones e mostrou-lhe.

–       Veja se consegue compreender isto…

O arqueólogo contemplou a parte em questão e, sorrindo, reconheceu de imediato o nome nela envolvido:

Preste Joam das Índias

–       É sobre o Preste João, nunca ouviu falar da lenda?

–       Essa é nova para mim! – e a jovem cruzou os braços para ouvir.

–       Trata-se de um mito medieval surgido na época das Cruzadas. Fala de um suposto monarca cristão do Oriente, descendente do rei-mago Baltasar, que buscava firmar aliança com os reinos ocidentais para combater o Islã. Os viajantes europeus sempre projetaram o reino do Preste João e suas nuances fantásticas, como poder ilimitado e abundância paradisíaca, sobre impérios já existentes como o mongol na Ásia e mais tarde o abexim na África. A busca pelo Preste João pode inclusive ser vista como um dos fatores principais que motivaram as navegações portuguesas.

–       Portugal chegou então a encontrar esse Preste João?

–       Eles mantiveram contato por algum tempo com os abexins da Abissínia, atual Etiópia, achando que aquele era o reino do Preste, porém nunca conseguiram estabelecer uma aliança duradoura devido à distância e a divergências religiosas. De qualquer forma, a terra do Preste João como é descrita na lenda medieval, tributária de mais de setenta reis, habitada por seres fantásticos e abundante em mais fino luxo jamais existiu!

–       Como você pode afirmar isso com tanta certeza? – Luzia perguntou astutamente.

Indiana bufou, continuando a ouvir a companheira:

–       O corpo de D. Sebastião foi levado para o reino do Preste João logo após Alcácer-Quibir! Faz sentido eles quererem manter os restos milagrosos do rei por serem cristãos e também inimigos dos muçulmanos! Temos de viajar até a Etiópia e descobrir onde eles foram guardados, Indy!

Seria uma empresa e tanto. A viagem até o nordeste da África era longa e para piorar a Etiópia estava sob ocupação da Itália fascista desde dois anos antes. Porém era inegável a importância das supostas relíquias de D. Sebastião se fossem encontradas. Um verdadeiro tesouro arqueológico que simplesmente não podia ser ignorado! Doutor Jones seria capaz realmente de abrir mão da Cruz de Coronado por tempo indeterminado em nome daquela aventura. E para completar, teria a linda Luzia Pessoa como sua acompanhante.

–       Acredito que a melhor maneira de se chegar à Etiópia seria subindo o rio Nilo rumo à nascente – explicou Indy. – Tenho um amigo no Cairo que pode nos abastecer com o que for necessário a um baixo preço.

–       Eu posso providenciar as passagens de avião até lá, tenho algumas economias – disse a moça.

O estrangeiro assentiu. A verdadeira jornada estava prestes a começar.

Enquanto deixavam as imediações da Biblioteca no carro de Luzia, não perceberam que, de uma esquina próxima, eram atentamente observados por um homem de casaco e chapéu negros, que alternava seu olhar entre o veículo a se distanciar e o bloco de notas em suas mãos onde registrava importantes informações…

Havia mais gente interessada naquela empreitada.

Pousada D. Sebastião.

Luzia encontrava-se sentada numa cadeira com suas duas malas prontas ao seu lado enquanto Indy arrumava sobre a cama do quarto a bagagem que mal desfizera desde que chegara a Portugal. A jovem viu-o verificar um revólver, mais precisamente se todas as seis balas estavam no tambor, e então perguntou um tanto assustada:

–       Será apenas uma expedição, está esperando uma guerra?

–       Estaremos indo atrás de um artefato muito importante para que nenhum oportunista tente tomá-lo com outros fins… – respondeu Jones, guardando a arma entre suas peças de roupa dentro da mala. – Acredite, até o fim de nossa viagem é provável que você também aprenda a usar um destes!

–       Eu espero que não…

Silêncio momentâneo, e então Indiana indagou:

–       O que esta busca significa para você, Luzia?

–       A oportunidade de concretizar o sonho secreto de meu pai! – ela replicou prontamente.

–       E quanto a trazer as relíquias de volta a Portugal? Um novo tesouro nacional para um povo em tempos difíceis?

–       Ainda não parei para pensar por esse lado…

O arqueólogo terminou de organizar seus pertences e fechou-os. Foi então a vez de Luzia questionar, seu rosto expressando curiosidade de um modo que a deixava ainda mais atraente:

–       E quanto a você, Indy? O que o motiva a partir comigo em demanda dos restos de D. Sebastião, sendo que veio para cá com outro intuito?

Alguns anos antes, ele talvez respondesse “fortuna e glória”. Mas os tempos agora eram outros. Segurando a aba de seu inseparável chapéu e dando uma piscadela para a moça, replicou-lhe num sorriso:

–       Eu não resisto a um bom desafio, senhorita!

Nesse momento a portuguesa teve certeza de que estaria na companhia da pessoa certa até a Etiópia. Se aventura tivesse um nome, deveria ser Indiana Jones.

Glossário – Capítulo 2:

Fernando Pessoa: Poeta português do início do século XX, um dos precursores do Modernismo no país e considerado um dos maiores autores lusitanos de todos os tempos. Figura solitária e boêmia, jamais se casou ou teve filhos. Escrevia por meio de dezenas de heterônimos, cada um com estilo e características próprios, sendo que os mais conhecidos são Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis. Também era adepto do misticismo e ocultismo, participando de sociedades secretas. Tinha a visão de um novo Sebastianismo, baseado na figura de um “Supra-Camões”, poeta supremo e definitivo que estaria por surgir. Essa sua crença é expressa em vários de seus escritos, como no livro “Mensagem”.

Ordem de Cristo: Ordem de cavaleiros portugueses surgida a partir dos Templários no século XIV. Muitos dos grandes navegadores lusitanos estiveram associados a ela, como Vasco da Gama. O símbolo da ordem, a cruz de contorno vermelho e pontas simétricas, foi utilizado nas velas das caravelas dos descobrimentos e aparece nos brasões de vários municípios brasileiros.

Marc Bloch: Historiador francês, outro dos fundadores dos Annales. Participou da Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e acabou capturado e morto pelos nazistas.

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