Fanfic: Batman Resigns – Parte 9

BATMAN RESIGNS

Capítulo IX

“O que você faria se descobrisse que tudo pelo que lutou ao longo da vida… Caiu por terra de repente?”.

bat9Aeroporto Internacional de Londres, dois dias depois, manhã.

O Rolls Royce preto parou atrás de um táxi e dele desceram Bruce, Elizabeth e os prestativos Wilfred e Tommy, estes dois últimos carregando a bagagem. O apaixonado casal era emblema máximo da animação, o amor que sentiam um pelo outro contagiando todos ao redor, fazendo com que aqueles que transitavam pelo aeroporto sorrissem felizes ao contemplarem os noivos.

–       O vôo para Gotham City parte em poucos minutos – lembrou Wilfred. – Você tem certeza de que poderá cuidar sozinho de tudo no condado, Tommy?

–       Sim, senhor Pennyworth – assentiu o rapaz. – Não se preocupe, a propriedade de lady Elizabeth estará em boas mãos!

O mordomo deu um sorriso de confiança, enquanto Bruce e Elizabeth, abraçados, rumavam até o portão de embarque. Aquela viagem significava muito para ambos. Era a tomada de uma nova direção em suas existências, o salto até a felicidade tão ansiada.

–       Vamos, Wilfred! – chamou Wayne, olhando para trás.

–       A caminho, patrão Bruce.

Patrão Bruce. O milionário foi tomado por grande emoção ao ouvir aquelas duas palavras, tantas vezes pronunciadas pelo velho Alfred em vida. As coisas estavam realmente mudando, e para melhor. O órfão não mais seria sozinho, voltaria a ter entes queridos com os quais sempre poderia contar, voltaria a ter alguém.

Bruce Wayne não mais seria uma ilha sombria.

E, com os corações alegres, os três viajantes embarcaram. Apenas algumas poucas horas de vôo e logo Bruce estaria novamente em casa, agora com pessoas maravilhosas ao seu lado… Porém, ainda não contava que a encontraria de maneira bem diferente de quando partira…

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Alexander Knox entrou agitado na redação do Gotham Globe. Seguindo rapidamente até sua sala, pendurou o casaco junto à porta e chamou com um gesto apressado sua secretária Felicia, que bebia um copo de café ali perto. Aproximando-se, ela perguntou graciosamente:

–       Sim, chefe?

–       Eu não consigo acreditar que Gotham está sob Lei Marcial… – suspirou o editor-chefe. – Há soldados e mais soldados nas ruas, jipes e blindados para lá e para cá… Eu tive que mostrar minha identidade para poder passar por um bloqueio na Avenida Arkham… O que você tem de novo para mim esta manhã, querida?

–       A Grã-Bretanha confirmou que também enviará tropas para Corto Maltese, e há um homem aqui que deseja vê-lo.

–       Um homem? – estranhou Knox.

–       Sim. Ele já o está aguardando há alguns minutos.

–       Mande-o entrar.

Felicia deixou a sala e pouco depois voltou junto com um homem de terno e gravata, cabelos negros e face séria. Impunha autoridade ao redor. Ele indagou ao confuso jornalista:

–       Você é Alexander Knox?

–       Sim, sou eu.

–       Richard Brown, Interpol – apresentou-se o agente num sotaque britânico, apertando a mão direita de Alexander. – É bom ver que ainda está a salvo numa cidade que foi virada de pernas para o ar.

–       E como…

Knox sentou-se sobre sua mesa, o olhar frio do policial chegando a incomodá-lo um pouco. Passaram-se alguns segundos, Felicia alternando a visão entre os dois homens, intrigada a respeito do que vinha tratar aquele visitante. O editor-chefe, que também tinha tal curiosidade, resolveu quebrar o gelo perguntando:

–       O que deseja, senhor Brown?

–       Bem, como sabe, o Coringa voltou a Gotham e está semeando o pânico. Eu leio as manchetes e sei que seu jornal está dando grande destaque à atual situação.

–       Somos apenas jornalistas competentes que corremos atrás das notícias! – afirmou Knox num sorriso. – Onde quer chegar?

Richard retirou uma série de fotografias em preto e branco de baixo do terno. Estendeu-as a Alexander, que as apanhou e começou a observá-las com atenção. Brown explicou, mãos enfiadas nos bolsos:

–       Jack Napier esteve em nove países diferentes nos últimos seis meses. Ucrânia, Iraque, Coréia do Norte, Paquistão… Ele foi flagrado em negociações com diversos terroristas e criminosos, como essas fotos revelam. Esse brutamontes ao lado do helicóptero atende pelo nome de “KGBesta”, um ex-espião soviético agora envolvido no tráfico internacional de armas. Esse outro saindo da limusine é Ra’s Al Ghul, cabeça de um grupo clandestino responsável por diversas ações ao redor do mundo.

De fato, as fotografias retratavam Coringa, com sua pele alva e o sorriso maligno, junto com os perigosos indivíduos mencionados pelo agente. Knox e Felicia, atônitos acerca daquelas informações, ouviram Brown prosseguir com sua explanação:

–       Presumo que tenha tomado conhecimento de que Napier, pouco antes de retornar a Gotham, assassinou sua antiga colega Vicky Vale no jornal em que trabalhava atualmente em Paris, com requintes de crueldade. Esse é o ponto, senhor Knox. O Coringa está se vingando de todos que fizeram mal a ele, e tememos que seja um alvo em potencial. Sua vida pode estar correndo sério risco, mais do que a dos demais cidadãos desta metrópole.

Alexander apenas concordou com a cabeça, espantado com a quantidade de coisas que Richard sabia, e em seguida abriu uma das gavetas da mesa. De dentro dela apanhou uma pistola calibre 50 e, mostrando-a ao policial, disse seguramente:

–       Eu posso me cuidar sozinho. Não se preocupem, estou preparado para tudo.

–       Lembre-se que Napier é um matador completamente insano. A mente dele trabalha de forma espantosamente ágil, podendo surpreender qualquer um que ele queira fazer vítima. De qualquer maneira, nós estaremos por perto caso nosso auxílio seja necessário. Aqui está meu telefone.

O agente entregou um pequeno cartão com o número de seu celular a Knox, que o guardou em sua carteira. Logo depois Brown despediu-se e saiu da sala, deixando para trás uma secretária muito assustada e um jornalista que, fitando o nada, tentava compreender como tudo aquilo podia estar acontecendo. Julgara Napier morto, assim como o resto de Gotham… Porém o destino costuma pregar peças naqueles que se acreditam livres dos fantasmas do passado…

–       O senhor vai ficar bem, chefe? – inquiriu a atordoada Felicia, acariciando um dos ombros de Alexander.

–       Eu creio que sim, minha querida… – murmurou ele. – Eu creio que sim…

No covil do Coringa, este, cercado por Arlequina e seus capangas, estava debruçado sobre um mapa da cidade tornado bastante nítido por meio de uma luminária acesa.

–       Este é nosso último objetivo, senhores e senhorita! – exclamou ele apontando para um ponto ao sul da Ilha de Gotham e simultaneamente sorrindo para sua namorada. – O Hospital Infantil de Gotham. Como parte das comemorações do 217º aniversário, a prefeitura doou cem mil dólares para a instituição, que estão guardados num cofre dentro do prédio, mais precisamente no oitavo andar. Amanhã à noite nós invadiremos o lugar com o intuito de roubar o dinheiro, concluindo nossa arrecadação de fundos!

Arlequina gargalhou, acompanhada pelos demais comandados, que deram por sua vez risadas um tanto contidas. Depois de olhar para cada um deles, o Príncipe-Palhaço do Crime indagou:

–       Alguma dúvida?

–       E quanto às crianças que estão internadas nesse hospital, chefe? – quis saber um capanga mais sentimental do que os outros.

–       Ora, há algo que uma criança goste mais do que um palhaço risonho, meu caro?

Depois de assim responder, o psicopata desatou a rir, gerando um sorriso cínico na face do autor da pergunta… E instantes depois assustou a todos com um forte e repentino soco em cima da mesa com o mapa.

–       Ao trabalho, molengas!

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Assim que Bruce Wayne deu o primeiro passo dentro do aeroporto de Gotham, sentiu um agradável misto de conforto e segurança. Até os aspectos mais soturnos da urbe, como o céu vermelho e os edifícios que lembravam picos tenebrosos, alegravam-no. Estava de volta à sua cidade, seu berço. O local que defendera durante muitos anos e que agora, apesar de ingrato à sua ajuda, estava seguro e pronto para conhecer a real identidade do Batman. Ao menos era o que pensava…

Mal caminhou alguns metros após a área de desembarque e já notou algo estranho. Olhando ao redor com apreensão, viu vários homens do Exército circulando pelo aeroporto. Alguns, com o auxílio de cães da raça pastor-alemão presos por coleiras, averiguavam minuciosamente a bagagem dos recém-chegados. O milionário parou de súbito, expressão chocada assim como quando presenciara o Coringa no passado executar um grupo de mafiosos na escadaria da prefeitura, olhar extremamente confuso.

–       Mas o que está havendo? – perguntou-se, enquanto Elizabeth e Wilfred se aproximavam.

–       Não tenho idéia, senhor, porém me parece que Gotham está passando por dias difíceis – o mordomo foi obrigado a admitir.

Inconformado e ansioso para descobrir o que sucedia, Bruce seguiu até um dos soldados que checavam as malas. Ele demorou um pouco para notar a presença de Wayne, mas assim que o fez, ouviu-o questionar:

–       Com licença, oficial, mas o que está acontecendo? Por que todos esses guardas no aeroporto?

–       Vejo que ficou fora de Gotham por algum tempo, ou pelo menos não viu os noticiários… – sorriu o combatente.

–       Sim, foi mais ou menos isso… Do que se trata? Alguma ameaça terrorista ou algo do tipo?

–       Se aquele lunático do Coringa puder ser considerado um terrorista, então estamos aqui para evitar que ele mande Gotham pelos ares!

Bruce gelou. Seus pulmões se esvaziaram, suas pernas ficaram bambas. Pensou por um momento estar ainda dormindo no avião e tendo um pesadelo, mas aquilo era mais real do que imaginava. Como assim? Ele não podia ter ouvido direito! Coringa? Não podia ser! Ele o vira despencar do alto da torre da catedral dezessete anos antes! Ninguém seria capaz de sobreviver a uma queda daquela altura!

Não, não agora… Não neste momento!

–       Co… Coringa? – balbuciou Wayne.

–       Sim, ele voltou, e está mais ameaçador do que nunca! – respondeu o soldado.

Não podia ser a mesma pessoa. Não mesmo. O Coringa atual não podia ser Jack Napier. Era fato que Bruce, como Batman, já havia lidado com eventos sobrenaturais antes, e nisso se incluía a possibilidade do Coringa original ter sobrevivido àquela noite. Mas era improvável acreditar em algo assim. Improvável e imprudente.

Não… Esta cidade me pertence, Coringa, você sempre soube… Eu dito as regras por aqui! Você pode ter aproveitado minha ausência para de alguma forma retornar e causar medo nas pessoas que jurei proteger, porém não permitirei que você leve adiante seus planos psicóticos… Bruce Wayne regressou a Gotham, seu patife… E Batman voltou junto com ele!

Elizabeth, preocupada com o noivo, abraçou-o pelas costas e indagou:

–       Querido, está tudo bem?

–       Não, nada está bem! – rosnou o milionário subitamente alterado, soltando-se da jovem e assumindo o tom de voz característico do Batman. – Eu preciso muito esclarecer algumas coisas… Agora mesmo!

E, sob os olhares receosos tanto de Castlewood quanto de Pennyworth, Bruce afastou-se com os punhos fechados e um firme propósito em mente.

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Um aposento da Mansão Wayne. O pequeno Bruce, nove anos de idade, está deitado em sua cama pronto para dormir, enquanto o mordomo Alfred, sentado numa cadeira ao lado, lê-lhe uma história antes que o sono chegue, como era de costume todas as noites. A lâmpada de um abajur ilumina parcialmente o recinto.

–       Achei que seria uma pena não lhe dar um indício sobre a identidade da pessoa que lhe foi superior – o empregado terminava de narrar o conto “A Carta Roubada”, de Edgar Allan Poe. – Por isso, copiei alguns versos com minha letra, que ele conhece muito bem…

Alfred ergue os olhos do livro brevemente para fitar o jovem patrão, constatando que ele prestava bastante atenção na história. Sorrindo, o mordomo então prossegue:

–       E os versos assim diziam, patrão Bruce: “…um plano tão funesto. Se não é digno de Atreu é digno de Tiestes”.

–       Quem são esses dois, Alfred? – a curiosidade atiçava a criança herdeira dos Wayne.

–       Personagens da mitologia grega – explica o leitor, fechando o livro. – Eram dois irmãos. Tiestes seduziu a mulher de Atreu, e este, como vingança, convidou-o para um banquete no qual serviu a carne dos filhos do próprio Tiestes, sem que ele soubesse.

Vingança. Aquela palavra parece mexer com Bruce, que fica subitamente pensativo. Percebendo tal coisa, Alfred apressa-se em mudar de assunto, temendo que idéias vis como a de Atreu invadissem a cabeça do menino, que já não era mais o mesmo depois do assassinato dos pais:

–       Edgar Allan Poe foi o primeiro grande escritor da literatura norte-americana e pai da ficção policial moderna. Um de seus maiores personagens é o detetive Dupin, presente no conto que acabei de ler. Ele foi o precursor do conhecido Sherlock Holmes, criado por Arthur Connan Doyle.

O garoto assimilou as informações, porém nada disse. Empregado e patrão se encararam durante alguns instantes, Alfred franzindo o cenho por trás de seus óculos redondos. Até que, quebrando o silêncio, o pequeno Bruce perguntou muito sério, exigindo sinceridade com um olhar que certamente não combinava com uma criança:

–       O criminoso foi punido?

–       Eu lhe garanto que sim, patrão Bruce – respondeu o mordomo, triste em ver que aquele menino já perdera completamente a inocência. – Ele foi punido de acordo com a lei.

Em seguida o órfão finalmente recostou a cabeça no travesseiro para dormir, ao mesmo tempo em que Alfred se levantava, caminhando até a porta. Contemplou o jovem uma última vez, olhos fechados e pensamentos tranqüilos após ter tido a resposta que queria, e logo depois apagou a luz.

–       Boa noite, patrão Bruce.

–       Boa noite, Alfred.

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Poucos minutos depois de Bruce Wayne ter deixado o aeroporto, um dos soldados que inspecionavam as bagagens afastou-se discretamente dos companheiros, caminhando até um canto à parte próximo a uma lixeira. Olhando ao redor para ter certeza de que ninguém suspeitava de si, o suposto militar apanhou um celular que carregava no bolso e digitou um número rapidamente, levando o aparelho à orelha.

–       Alô? – alguém atendeu à ligação.

–       Alô, sou eu, chefe! – identificou-se o rapaz fardado.

–       Novidades? – quis saber o indivíduo do outro lado da linha.

–       Ele chegou há pouco num vôo vindo de Londres, e não estava sozinho.

–       Esplêndido! Era tudo que eu queria saber! Agora é hora de demarcar terreno! Continue de olhos bem abertos, talvez seus serviços ainda sejam necessários!

–       Entendido, chefe. Desligando.

O espião guardou o telefone e, furtivamente alerta, voltou até seu posto sem que ninguém ao menos houvesse notado sua breve ausência.

Sede das Indústrias Wayne, centro de Gotham City.

A porta dupla da sala de reuniões se abriu, e o único homem ali presente naquele momento, Lucius Fox, viu seu patrão Bruce Wayne entrar com pressa, jogando seu casaco em cima de uma cadeira enquanto ouvia o já esperado questionamento por parte do funcionário:

–       Onde o senhor esteve por todas essas semanas? Nós ficamos imensamente preocupados, pensamos até que tivesse morrido!

–       Sério? – indagou o empresário friamente. – Achei que nem sentiriam minha falta…

Fox era uma das pouquíssimas pessoas naquela cidade que conheciam o milionário como ninguém, incluindo o fato de ser ele o Batman, e por isso notou sem demora que havia algo errado. Deixando de lado os motivos que teriam levado Bruce a desaparecer, o assistente apenas afirmou:

–       Nós sentimos, todavia, mais falta do Batman do que de Bruce Wayne. Gotham se encontra num verdadeiro caos. O Coringa voltou e estamos sob Lei Marcial…

–       Eu já sei de tudo… – interrompeu Wayne, bebendo com vontade um copo d’água que estava sobre a mesa.

Novo silêncio. Assim que o líquido se extinguiu do recipiente, o velho amigo de Lucius voltou-se para ele dizendo, com uma seriedade digna do mais implacável dos justiceiros:

–       Preciso de um favor. Entre em contato com o Departamento de Polícia e obtenha a maior quantidade possível de informações sobre o Coringa desde que ele retornou. Assim que tiver tudo em mãos, leve para mim imediatamente na mansão. Tenho trabalho a fazer, e não posso perder um segundo sequer!

Fox assentiu com a cabeça e, de repente, a porta da sala foi aberta de forma brusca. Por ela surgiu Margareth, a secretária-executiva de Bruce, gargalhando sem parar em alto som. Ambos confusos e com as sobrancelhas franzidas, os dois homens viram a pobre mulher cair de joelhos após alguns passos dentro do local, ainda rindo como nunca, até desabar de bruços em cima do piso gelado, morta.

Em seguida entraram mais três pessoas: nada mais que o Coringa, vestido com suas tradicionais roupas roxas, e dois capangas munidos de submetralhadoras Uzi.

Arregalando os olhos, Wayne pensou estar vendo um fantasma, uma assombração que viera aterrorizá-lo. Mas era o próprio Jack Napier, em carne e osso, tão vivo quanto os outros no recinto. O alter ego do Batman sentiu-se zonzo, uma mistura venenosa de medo e fúria invadindo seu corpo por completo. Porém manteve-se lúcido, de pé, repelindo suas piores memórias e vendo o palhaço se aproximar junto com sua dupla de guarda-costas.

–       Eu tinha de ver com meus próprios olhos! – exclamou Coringa, agora a poucos passos de Bruce. – O filho mais rico de Gotham finalmente regressou ao lar!

–       O que você quer de mim? – inquiriu o órfão, segurando-se de maneira sobre-humana para não saltar em cima do assassino dos pais e esganá-lo ali mesmo.

–       É assim que recebe todas as suas visitas? Deve ser por isso que é solteiro até hoje…

O psicopata deu algumas voltas ao redor de Wayne, como se o examinasse, até que esticou a cabeça para junto da dele e sussurrou em um de seus ouvidos:

–       Sei mais sobre você do que pensa!

Voltando a falar em voz alta, ele perguntou a Lucius:

–       Você é o senhor Fox, do qual ouvi falar?

–       Sim, sim, sou eu… – confirmou o assistente, trêmulo.

–       Deixe-me contar ao senhor um pouco a respeito desse sujeito… Chamado Bruce Wayne – Coringa se divertia imensamente. – Berço de ouro, criança traumatizada… Tudo por que um jovem sorridente e carismático baleou os idiotas dos pais dele…

Estava sendo difícil para Bruce se conter, mas ele precisava. Ainda não chegara a hora do acerto de contas final, o momento de mandar aquele maluco para o inferno de uma vez por todas…

–       Ele ficou tão “lelé da cuca” que resolveu se vestir de morcego para aniquilar os criminosos de Gotham um a um… – o bandido continuou. – Achou que tinha me matado, porém enganou-se totalmente!

Olhando de lado para o empresário, indagou a Fox:

–       O senhor sabe qual foi o maior erro desse cara?

Lucius negou com a cabeça.

–       Adquiriu novos entes queridos, pessoas a quem se apegar… E também a quem perder, assim como os pais… E eu garanto que, quando ele as perder, vai finalmente ficar tão pirado quanto todos afirmam que sou…

Sorrindo, ele voltou para perto de Bruce e perguntou em seu conhecido tom cínico, fitando-o nos olhos com a face a poucos centímetros da dele:

–       Não é, senhor Wayne?

Não foi possível continuar se retendo: cerrando os dentes de tanta raiva, o milionário desferiu um soco contra o nariz do Coringa. Este recuou rindo, ao mesmo tempo em que limpava o sangue que agora lhe escorria pelas narinas e os capangas apontavam suas submetralhadoras para o agressor. Entretanto, após um gesto tranqüilo dado pelo chefe, eles acabaram por abaixar as armas.

–       Ainda tem a mão forte, reconheço – o riso do meliante se tornava mais e mais intenso, sufocando o coração de Bruce. – Mas a piada final logo será contada! Passar bem, senhor Wayne!

O grupo invasor se retirou, e Wayne caiu sentado numa cadeira, ofegante. Fox tentou acalmá-lo em vão, os pensamentos do sofrido órfão girando num redemoinho que tinha o ensandecido Coringa como foco. E ele estava certo. A piada final seria contada muito em breve, provocando mais choro do que risos…

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